Capítulo Noventa e Quatro: Certamente Será Ainda Mais Fascinante
— Senhor Chen, você deve estar aborrecido comigo, não é? — Passado um tempo, já adaptada à pressão do toque preciso de Chen Yi, Wu Tuan’er, agora relaxada, finalmente falou.
— Hm? Por que eu estaria? — Chen Yi, esforçando-se para afastar pensamentos impróprios, não pôde evitar que sua mente divagasse enquanto desfrutava da maciez sob seus dedos. Por isso, demorou a entender o que Wu Tuan’er queria dizer.
— Eu contei à Sua Majestade aquilo que o senhor havia me dito em tom de brincadeira outro dia. Quase lhe causei problemas... Sinto muito, de verdade! Sei que deve ter ficado irritado. Não devia ter repetido aquelas palavras à imperatriz.
Ela não o fizera por mal. Dias atrás, Wu Zetian se queixara de cansaço por estar sobrecarregada com os assuntos do governo e por cuidar da doença de Li Zhi. Sentia-se esgotada, com dores nas costas, dizendo precisar de alívio. Wu Tuan’er, sem pensar, mencionou casualmente que Chen Yi era exímio em massagens e poderia ajudar a aliviar o cansaço ou até curar enfermidades, sugerindo que ele tentasse.
Para sua surpresa, Wu Zetian levou a sério o comentário e concordou imediatamente, o que resultou na “apresentação” daquele dia.
— Então foi isso! — Chen Yi finalmente compreendeu, embora ainda não soubesse ao certo o motivo de Wu Zetian querer que ele massageasse primeiro Wu Tuan’er. Talvez ela quisesse observar sua técnica e avaliar o efeito antes de decidir se o contrataria como terapeuta pessoal. Ou talvez houvesse outros motivos mais profundos.
Chen Yi lembrou-se dos favoritos que Wu Zetian tivera na história, mas descartou a ideia, já que Li Zhi ainda vivia.
— Senhor Chen, sua massagem é realmente excelente, muito melhor que a minha! Em poucas manobras, já me sinto muito melhor, até a dor desapareceu! — Wu Tuan’er continuou num tom suave, com uma pontinha de culpa. Não esqueceu de adverti-lo: — Imagino que Sua Majestade ficará satisfeita e permita que o senhor a massageie. Mas... às vezes ela não está de bom humor. É preciso servi-la com cuidado, sem força excessiva. Se a machucar, ela ficará irritada e poderá puni-lo.
— Obrigado pelo conselho, irmã Tuan’er, mas não estou aqui para servi-la — respondeu Chen Yi, com um sorriso autodepreciativo, explicando: — Sou médico. A massagem é apenas um dos métodos terapêuticos. Não é uma questão de servir, e sim de tratar. Sei dosar a força e sempre aviso antes. Se Sua Majestade não gostar, simplesmente não massagerei.
Era uma questão de dignidade: servir era tarefa de criados; ele, como alguém de posição, mesmo exercendo a medicina, não poderia ser confundido com um simples servidor. Não queria jamais se colocar como um subalterno perante Wu Zetian, nem mesmo ao massageá-la. Sempre seria o médico em tratamento, mesmo que, por dentro, houvesse segundas intenções.
— Ah... você... — Wu Tuan’er murmurou, mexendo-se levemente, talvez querendo olhar para Chen Yi. Não esperava por esse movimento, e ao descuidar-se, sua mão escorregou do dorso dela e roçou, de lado, o busto cheio e firme.
Apesar de ser só um toque lateral, ambos estremeceram. Wu Tuan’er corou intensamente. Chen Yi, mesmo embaraçado, sabia ter sido um acidente, ainda que, num impulso masculino incontrolável, sua mão tenha deslizado um pouco mais, sentindo o volume elástico, quase desejando segurá-lo e brincar, o que seria irresistível. Por fim, conteve-se e retirou a mão antes que fosse longe demais.
A sensação firme e macia, no entanto, permaneceu gravada, despertando lembranças tentadoras.
—Irmã Tuan’er, deixemos isso de lado. Vou lhe explicar os benefícios terapêuticos da massagem — disfarçou Chen Yi, ignorando deliberadamente sua própria “indelicadeza” e, enquanto continuava o tratamento, falou num tom natural: — Segundo os antigos tratados médicos, no corpo humano há pontos...
Ele sabia que Wu Tuan’er sentira aquela tensão peculiar entre homem e mulher; o rubor do pescoço da donzela deixava isso claro. Mas aquela atmosfera não era apropriada. Preferia mudar de assunto, algo que já sabia fazer com destreza, conduzindo a situação com serenidade.
Wu Zetian observava de perto. Chen Yi não ousava ter pensamentos ou gestos inadequados. Sabia que se passasse dos limites, perderia tudo. Suspeitava de que o objetivo dela era justamente testá-lo, ver se resistia à tentação. Por isso, só podia comportar-se com absoluta correção, como um médico genuíno.
Falou longamente, como especialista, sobre os efeitos e técnicas do tratamento, certo de que Wu Tuan’er repetiria suas palavras à imperatriz. Não poupou elogios a si mesmo, quase se autoproclamando um mestre da massagem.
Prestou o melhor atendimento, e Wu Tuan’er, ainda assustada, não se atreveu mais a se mover. Ao mesmo tempo, sob seus cuidados, sentiu prazeres físicos inusitados, que lhe despertavam desejos ocultos. Quase quis se mexer de propósito para provocar toques em áreas mais sensíveis, buscando ainda mais prazer — era o corpo pedindo, sem que a mente pudesse evitar.
Wu Tuan’er ficou quase todo o tempo deitada de bruços ou de lado, sem ver Wu Zetian. O bem-estar físico a fazia esquecer momentaneamente a presença imponente de sua senhora. Já Chen Yi, pelo contrário, sentia a todo instante o peso daquele olhar. Embora percebesse as reações de Wu Tuan’er, fazia questão de ignorá-las. Ao fim, a apresentação correu bem: ambos souberam se portar, evitando constrangimentos.
Ao se aproximarem de Wu Zetian para relatar o resultado, Chen Yi chegou a uma conclusão: se um homem consegue massagear uma mulher, conquistar-lhe o corpo é só uma questão de tempo. Só não sabia se isso se aplicava a Wu Zetian ou a mulheres tão especiais como ela.
Wu Tuan’er, afinal, não era uma cortesã comum. Assim que Chen Yi terminou o tratamento, recompôs-se com rapidez, ajeitando-se, e ao lado dele expôs em detalhes suas impressões à imperatriz.
Li Zhi dormia, e Wu Zetian, sem restrições, escutava atentamente, sem fazer comentários. Chen Yi, ansioso, refletia sobre as estranhas experiências que vivia na corte, quando, de repente, um anúncio do lado de fora ecoou: “A Senhora da Coreia chegou!”
Para surpresa de Chen Yi, a elegantemente trajada Senhora da Coreia, Wu Shun, entrou no salão acompanhada dos filhos, Helan Minzhi e Helan Minyue. Ao notar as expressões distintas de cada um, Chen Yi percebeu que presenciaria, dali em diante, cenas ainda mais inesperadas e marcantes.
Estava certo de que suas vivências no palácio se tornariam cada vez mais extraordinárias.