Capítulo Setenta e Nove: Excentricidades de um Homem Singular
Yan Liben ficou surpreso por um bom tempo. Após ler atentamente alguns versos daquele “Pequeno Lago”, só então voltou-se para Helan Minzhi, que exibia um sorriso satisfeito ao seu lado, mas manteve-se em silêncio.
A mudança no semblante de Yan Liben foi percebida por todos ali presentes. Helan Minzhi mostrava-se radiante; sabia que seu gesto surtira efeito, e que aquele famoso “excêntrico” da corte da Grande Tang fora tocado pelo poema de Chen Yi.
Chen Yi, contudo, não se sentiu particularmente afetado. Afinal, o poema não lhe pertencia de fato, e, mesmo diante do espanto alheio, não sentia puro orgulho ou alegria, mas certo constrangimento. Mesmo ao ver o assombro de Yan Liben pelo conteúdo dos versos, não se deixou inebriar pelo orgulho, temendo revelar-se. Limitou-se a admirar como aquele mestre era capaz de, em tão pouco tempo, transformar sua expressão; achou-o, de fato, uma figura interessante.
Helan Minyue, por sua vez, não disfarçou o desdém pela mudança de atitude de Yan Liben. Jamais o conhecera pessoalmente, embora sempre tivesse admirado sua reputação, sonhando com o dia em que o encontraria e poderia lhe fazer perguntas; imaginava que seria um momento de empolgação. Contudo, não esperava que o mestre fosse tão altivo. Naquele dia, só acompanhou o irmão Helan Minzhi ao banquete porque ele convidara Chen Yi e achou divertido juntar-se a eles. Helan Minzhi sequer lhe mencionara que Yan Liben seria convidado; assim, ao vê-lo ali, sentiu, num primeiro momento, certa excitação, logo arrefecida pelo temperamento altivo do mestre.
Ela não gostava de Yan Liben, por mais excepcionais que fossem suas obras. E, ao notar a variação em seu semblante, esse sentimento só se intensificou.
Yan Liben, alheio a quaisquer olhares, pegou sua taça de vinho, levantou-se e foi até a pintura desdobrada, recitando os versos cuidadosamente. O poema o surpreendera sobremaneira; jamais imaginou que alguém pudesse compor versos tão pertinentes à sua arte.
Em geral, o anfitrião deveria chegar primeiro ao banquete, mas Yan Liben era mesmo excêntrico. Assim que aceitou o convite de Helan Minzhi, veio imediatamente, até mais depressa que o próprio Helan Minzhi, que fora buscar Chen Yi. Ao chegar ao restaurante, já começou a beber sozinho. Inicialmente, não pretendia comparecer, não por descortesia para com Helan Minzhi, mas por pura falta de ânimo. A promessa de uma surpresa não o animava particularmente; aceitou o convite apenas porque estava de bom humor naquele dia.
Apesar do bom humor e da expectativa de assistir à famosa Dança do Turbilhão, não era de seu feitio socializar com jovens como Helan Minzhi, muito menos quando este trazia a irmã e um jovem de identidade desconhecida, o que o desagradava ainda mais. Contudo, todo o incômodo desvaneceu-se ao deparar-se com aquele pequeno poema; a surpresa e alegria eram indescritíveis.
Quando pintou aquela obra, demorou-se tentando encontrar os versos adequados, mas sem sucesso. Como Helan Minzhi queria levá-la imediatamente, deixou-a sem epígrafe ou dedicatória, jamais imaginando que, naquele dia, veria um poema tão apropriado ilustrando sua pintura. Era como se o poema decifrasse exatamente o significado que tentara transmitir, talvez até com mais precisão do que ele próprio seria capaz. Por isso, não resistiu e aproximou-se para admirar.
Vendo Yan Liben levantar-se para contemplar o poema, Helan Minzhi também se ergueu, taça em mãos, indo ao seu encontro e, com um olhar, fez sinal para que Chen Yi se aproximasse. Diante de alguém de fama nacional, alto funcionário da corte da Grande Tang e atual Ministro das Obras, Chen Yi não ousaria ser desrespeitoso; levantou-se e juntou-se aos demais.
Ao perceber que o irmão e Chen Yi também se aproximavam, Helan Minyue não quis ficar de fora e foi até eles. Assim, os quatro se postaram diante da pintura aberta, cada qual com seu foco: Chen Yi observava apenas as reações de Yan Liben, que, por sua vez, mantinha toda a atenção na própria obra e no poema de Chen Yi. Os irmãos Helan também contemplavam a pintura.
“Ministro Yan, gostaria de saber quem é o autor deste poema?” Após alguns instantes de silêncio, sem que Yan Liben fizesse qualquer pergunta, Helan Minzhi não resistiu e falou.
“Quem é o autor?” Yan Liben não se virou, mantendo os olhos na pintura e no poema.
“Foi composto por Chen Yi, que está ao seu lado!” respondeu Helan Minzhi orgulhoso, indicando Chen Yi, que permanecia ali com expressão serena. “Naquele dia, ao apreciarmos juntos sua pintura, roguei-lhe que compusesse alguns versos para ela, e em poucos instantes ele criou esta obra-prima. É digno de admiração!”
“Ah?! Foi você quem escreveu?” Yan Liben finalmente se voltou, olhando incrédulo para Chen Yi ao seu lado.
“Sim!” Chen Yi confirmou sem hesitar. “Ao ver sua magnífica pintura, Ministro Yan, uma inspiração repentina me veio à mente, e compus estes versos sem grandes pretensões. Espero que não se incomode com minha ousadia e atrevimento. Sua arte é famosa em todo o império, e o significado nela contido está além do alcance de nós, pessoas comuns. Sei que meus versos não podem expressar plenamente o sentido de sua obra; foi presunção da minha parte.”
Diante de figuras ilustres ou mais velhas, Chen Yi nunca se mostrava arrogante ou presunçoso, ainda mais agora, quando não tinha sequer motivo para isso, tendo apenas emprestado para si o mérito de uma obra alheia. Suas palavras, portanto, eram humildes.
“Isso é um exagero!” Para surpresa de todos, após ouvir tais palavras humildes, Yan Liben assumiu uma expressão severa, como quem repreende uma criança por dizer algo errado, censurando Chen Yi. “Dizer isso é menosprezar seu próprio poema. Seus versos captam por completo o sentido da minha pintura; não há palavras que melhor a complementem! Portanto, tudo o que disse agora está errado. Se diz que seus versos foram escritos ao acaso, então minha pintura não passa de um devaneio!”
Chen Yi não esperava que sua cortesia e humildade provocassem tamanha “indignação” em Yan Liben, ficando um tanto constrangido. Apressou-se em explicar: “Ministro Yan, não foi essa minha intenção, jamais quis diminuir sua arte. O que eu quis dizer era apenas...”
Antes que pudesse terminar, Helan Minzhi o interrompeu: “Não precisa ser tão modesto, meu caro. Seu poema é realmente extraordinário! O Ministro Yan raramente elogia alguém dessa forma. O casamento entre poema e pintura é perfeito; uma verdadeira jóia! Hoje, com ambos os autores reunidos, é justo que celebremos juntos. Vamos, brindemos à poesia e à arte, e só partiremos quando estivermos satisfeitos!” Dizia isso enquanto lançava olhares significativos a Chen Yi.
“Bem dito! Poema e pintura se completam perfeitamente, uma combinação extraordinária!” Yan Liben também se pôs a rir, agora com o semblante completamente distinto do anterior; a altivez se desfez, dando lugar à animação. “Venham, vamos beber juntos, não partiremos antes de nos embriagar! Chen Yi, faço-lhe um brinde!”
“Ah! Pois bem... Muito obrigado, Ministro Yan! Na verdade, deveria ser eu a brindar-lhe primeiro!” Surpreso com a reviravolta na atitude de Yan Liben, Chen Yi levantou sua taça, atônito.