Capítulo Cinquenta e Sete: Seguido por Alguém
(No final da madrugada, mais um capítulo extra para começar a nova semana! Espero contar com o apoio dos leitores: votos nas listas, recomendações, favoritos, recompensas, todos são bem-vindos! Muito obrigado a todos!)
A graciosa criada chamada Tuan’er conduziu Chen Yi para fora do palácio, enquanto Sun Simiao permaneceu lá dentro. Chen Yi sabia que, com certeza, havia alguém importante querendo se encontrar com Wu Zetian ou que a própria imperatriz tinha algum assunto urgente a tratar. Sun Simiao ficando por ali significava que Wu Zetian ainda tinha algo a dizer-lhe ou que havia negócios relacionados a ele.
Que assunto seria esse? Chen Yi não conseguia imaginar!
Ao sair do salão, seu coração, antes tão inquieto, finalmente acalmou-se. Ele agradeceu baixinho à bela criada que o guiava.
Ela respondeu com indiferença, levando Chen Yi até o exterior do palácio, num local onde ninguém mais poderia ouvi-los. Olhou ao redor e, então, falou em voz baixa:
— Senhor Chen, há pouco eu realmente fiquei preocupada com você. Não deveria ter olhado para Sua Majestade daquela maneira. Por sorte, ela não o repreendeu!
— Muito obrigado pelo aviso, irmã. Sou-lhe sinceramente grato! — Chen Yi apressou-se em curvar-se, agradecendo.
— Pode ir agora. Logo alguém o conduzirá para fora do palácio. — Diante de tanta cortesia, a criada mostrou-se mais solícita.
— Compreendo. Ah, permita-me perguntar, irmã, por acaso seu sobrenome é Wu? É parente da imperatriz?
— Como descobriu? — perguntou ela, surpresa.
— É que eu sei um tanto de adivinhação — respondeu Chen Yi, com ar enigmático, mas logo sorriu. — E, afinal, as coisas sobre você já me foram contadas por alguém!
— Ah! — Wu Tuan’er logo compreendeu, sorrindo sem se pronunciar, mas seu olhar deixava transparecer o desejo de ouvir Chen Yi dizer mais alguma coisa.
Ao perceber a amabilidade de Wu Tuan’er, Chen Yi não perdeu tempo em lisonjeá-la:
— Irmã Tuan’er, agradeço muito seus conselhos e avisos de hoje. A senhora é realmente uma pessoa admirável. Caso eu tenha outra oportunidade de entrar no palácio, peço que me oriente novamente sobre o que não entendo!
O modo gentil com que Chen Yi a chamava de “irmã Tuan’er” fez o coração dela tremer. Aquele jovem de boa aparência, famoso por seu talento e habilidade nas artes marciais, admirado por Sun Simiao e visto com atenção especial pela imperatriz, dirigia-se a ela com tanta cortesia e naturalidade que não pôde conter uma alegria interior. Chegou a repetir o nome “irmã Tuan’er” em pensamento, observando a expressão genuína de Chen Yi e, enfim, sentindo-se à vontade, abriu um sorriso radiante, dizendo:
— O senhor é muito gentil, senhor Chen. Ouvi o jovem Helan falar de você diante da imperatriz, dizendo que o senhor é versado tanto nas letras quanto nas armas, excelente na medicina, e que chegou a curar a senhora do reino de Han. Fiquei curiosa para saber que tipo de pessoa seria, e não imaginei... que seria tão jovem, tão...
Ela quase disse “tão belo”, mas a palavra ficou presa na garganta.
Wu Tuan’er, apesar de já ter vinte anos, ingressou no palácio aos treze. Havia anos que servia ao lado de Wu Zetian, sem vivenciar muitas trivialidades do mundo e tendo tido pouco contato com homens. No palácio, lidava apenas com mulheres de sua idade e posição, ou com aqueles que, apesar de serem homens, não o eram de fato. Alguns ministros eram convocados por Wu Zetian, mas eram todos mais velhos, muito formais, jamais dirigiam-lhe um olhar direto ou trocavam mais que poucas palavras. Para ela, faltava experiência no trato com homens.
Já vira muitas vezes Helan Minzhi, de beleza ímpar, que frequentemente a fazia suspirar, mas ele era demasiado arrogante e nunca lhe concedia sequer uma olhadela, muito menos uma palavra, o que feria seu orgulho. Agora, um jovem tão bem-apessoado e de porte distinto lhe dirigia palavras gentis, sorria abertamente, tratando-a com respeito e doçura, até elogiando sua aparência — mas tudo de modo tão natural, sem soar forçado ou desagradável. Como não se sentir feliz com isso? Era uma alegria feminina, quase juvenil.
Havia aí certo orgulho, mas, acima de tudo, era o anseio de toda mulher de ser reconhecida e valorizada por um homem, e não ignorada.
Entre os homens que conhecera, Chen Yi não era o mais belo. Além de Helan Minzhi, os filhos da imperatriz, Li Zhong, Li Hong e Li Xian, não perdiam em aparência para ele, assim como Wu Sansi e Wu Chengsi, que às vezes entravam no palácio. Contudo, exceto Helan Minzhi, todos eram sérios e retraídos diante de Wu Zetian, sem o mínimo porte que se espera de um homem. Já Chen Yi mostrara-se seguro e sereno, com um ar de elegância equiparável ao de Helan Minzhi, o que lhe agradava imensamente.
A postura descontraída de Chen Yi, sem arrogância, o sorriso luminoso, quase solar, e os tratamentos gentis para com uma simples criada ao lado de Wu Zetian — chamando-a de “irmã” com doçura, elogiando-a de modo cortês — não soavam falsos nem incomodavam. Ela gostava de lidar com homens assim; sentia-se mais leve, mais feliz.
Chen Yi dissera que ela era bondosa e encantadora, e ela acreditou, sentindo-se realmente como ele a descrevera. Desde o primeiro contato, desejava que Chen Yi não fosse repreendido por Wu Zetian, querendo preservar sua própria imagem de “boa pessoa”. Por isso, o alertara discretamente quando ele se portou de modo inadequado.
— Agradeço o elogio, irmã Tuan’er — disse Chen Yi, curvando-se novamente. Parou, fixou nela um olhar que julgava ser seu mais encantador, um pouco ousado e levemente atrevido, e murmurou: — Receber tamanho elogio de você me deixa realmente feliz. Quando houver oportunidade, gostaria de conversar mais, aprender com você sobre as etiquetas do palácio! Garanto que encontrarei ocasião para agradecer-lhe devidamente pelos avisos de hoje!
Sem esperar resposta, despediu-se elegantemente e partiu, deixando Wu Tuan’er sozinha, corada e absorta, sentindo-se envergonhada pelo olhar tão próximo.
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Saiu do palácio sem dificuldades e, já na movimentada rua diante do Portão Daming, Chen Yi pulou e saltou algumas vezes, extravasando a alegria do momento. Após liberar um pouco das emoções, olhou mais uma vez para as imponentes muralhas e seguiu em direção à estalagem onde estava hospedado.
Recusara a carruagem oferecida no palácio, preferindo caminhar sozinho, refletir sobre tudo o que acontecera.
Enfrentara Wu Zetian e, estranhamente, sentira uma familiaridade com ela, como se já a tivesse visto antes. Este pensamento o inquietava, e precisava analisar cuidadosamente os possíveis motivos. O trajeto de volta à estalagem seria o momento ideal para pôr as ideias em ordem.
Andava devagar e, ao virar uma esquina, olhou distraidamente para trás e percebeu dois homens a certa distância seguindo-o. No início, não lhes deu importância, mas, após duas ruas, viu que continuavam a acompanhá-lo, acelerando o passo para se aproximar.
Chen Yi alarmou-se, surgindo suspeitas em sua mente. Quem seriam aqueles a segui-lo? Seria possível que Wu Zetian tivesse ordenado que investigassem seus passos? Se fosse verdade, seria assustador. Recordando as perguntas da imperatriz, sentiu que ela desconfiava muito dele. Ainda assim, não acreditava ser esse o caso; se Wu Zetian realmente duvidasse dele, mandaria investigar abertamente.
Observando a própria bagagem e as roupas incomuns que usava, percebeu que talvez os homens o haviam confundido com alguém transportando objetos de valor e estavam prestes a assaltá-lo... Contudo, era pleno dia, as ruas estavam cheias e, além disso, havia patrulhas da guarda imperial passando a cavalo. Isso tornava improvável a hipótese de um roubo.
Ainda assim, pensou Chen Yi, ser seguido nunca é bom sinal: o melhor seria despistá-los. Determinado, acelerou o passo e, ao dobrar rapidamente uma esquina, correu até um portão lateral de um quarteirão, cruzou agilmente o espaço interno e saiu por outro portão noutra direção, sem parar, voltando à rua principal.
Agora estava em outra rua. Bastava virar na próxima esquina e logo chegaria à estalagem. Após caminhar rapidamente por mais um trecho, uma ideia súbita e perturbadora lhe ocorreu. Parou de imediato, decidido a esperar que os perseguidores se aproximassem...