Capítulo Noventa e Nove: Alguém Vai Se Exibir Novamente
Chen Yi permaneceu no palácio por cinco dias. Na tarde do quinto dia, Wu Zetian finalmente concordou em deixá-lo sair, percebendo o quão inquieto ele estava.
A doença de Li Zhi já não era motivo de preocupação. Fora a necessidade de continuar tomando medicamentos para tratar a asma e a bronquite crônica, além de manter uma dieta e outros cuidados, não havia mais nada a ser feito. Sun Simiao ainda não havia retornado, e os novos remédios não estavam prontos para uso. Diante disso, a permanência de Chen Yi no palácio tornou-se desnecessária. Além do mais, Wu Zetian, sobrecarregada pelos assuntos de Estado, resolveu aproveitar a deixa para dispensá-lo.
Após vários dias sem ver Chen Yi, Ning Qing, mesmo tendo uma vida tranquila, sentia-se profundamente abatida. Ao avistar na hospedaria a figura por quem tanto ansiava, a alegria que sentiu era impossível de expressar. No entanto, presa à modéstia típica de uma jovem, conteve qualquer demonstração de entusiasmo; do contrário, já teria corrido para os braços de Chen Yi, chorando de emoção.
Por ter passado tantos dias no palácio, deixando a jovem sozinha na hospedaria, Chen Yi sentia-se bastante culpado. Ao retornar, pensou em formas de compensá-la.
— Qing’er, esses dias em que estive ausente, você deve ter se sentido muito só, até as refeições devem ter perdido o sabor. Que tal hoje irmos a um restaurante e fazermos um grande jantar? — Após trocar longas palavras com a tímida Ning Qing, cujos sentimentos não se diziam, mas transbordavam, Chen Yi sugeriu: — Faz tempo que não saímos para um banquete. Hoje, faço questão de convidar... Nossa linda, adorável, gentil e bondosa senhorita para beber comigo. Será que a senhorita aceita?
As últimas palavras foram pronunciadas com um tom teatral e exagerado, acompanhado de expressões engraçadas, numa clara tentativa de alegrar Ning Qing.
E de fato, ela não conseguiu conter o riso. Seu rosto corou de vergonha, mas logo caiu na gargalhada. Após rir um pouco, notando que sua alegria era excessiva, tapou a boca, tentando se conter, mas ainda assim deixou escapar alguns risos:
— Zi Ying... Você fala cada coisa! Nem um pouco sério! Vai acabar me matando de tanto rir!
— Sorrir rejuvenesce, sabia? Se rir sempre, você vai permanecer jovem para sempre, sempre uma linda mocinha! — respondeu Chen Yi, fingindo seriedade. — E não estou dizendo nada de errado. Você é mesmo linda, adorável, gentil e bondosa!
Essas palavras fizeram o rosto de Ning Qing ficar ainda mais vermelho, mas seu coração transbordava de felicidade. Envergonhada, torceu a barra da roupa, lançou dois olhares tímidos a Chen Yi, e então murmurou suavemente:
— Zi Ying... Você acha mesmo que eu sou... esse tipo de moça? Não está brincando comigo?
— Claro que é verdade! — Chen Yi respondeu sem hesitar. — Moças tão extraordinárias quanto você são raras no mundo. Quem tiver a sorte de se casar com você um dia, terá recebido uma bênção acumulada por várias vidas!
A declaração fez Ning Qing corar ainda mais, quase enfiando o rosto no peito, mas a alegria em seu coração só aumentava. Não queria, nem ousava, demonstrar isso, e muito menos olhar para Chen Yi. Por fim, incapaz de conter o constrangimento, virou o rosto, fugindo do olhar dele.
Chen Yi, sorrindo com ar travesso, aproximou-se e olhou de perto para Ning Qing:
— O que foi? Falei algo errado?
Ning Qing bateu o pé, virou-se mais uma vez e resmungou:
— Você gosta de me provocar... Só sabe me provocar... Não falo mais com você! Fica brincando comigo desse jeito... Vou contar ao mestre, dizer que você só sabe me provocar...
Vendo Ning Qing morder os lábios, o rosto todo corado e de costas para ele, Chen Yi sentiu algo diferente no coração. Não conseguiu resistir e passou o braço pela cintura da jovem, puxando-a para junto de si. A expressão era maliciosa, e as palavras brincalhonas:
— Qing’er, nem pense em contar para o Daoísta Sun que estou te provocando. Se você disser isso, ele vai achar que fiz algo mais sério e vir atrás de mim com um bastão... Só estou te elogiando! Uma moça tão extraordinária como você é uma bênção para quem casar contigo. Hehe... Não gosta que eu te elogie assim?
O corpo de Ning Qing ficou tenso, e ela tentou se desvencilhar do abraço de Chen Yi, mas sem muita convicção. Depois de alguns movimentos desajeitados, desistiu. Nervosa, acabou relaxando e se encostou nele; mas, por causa do nervosismo, continuava tremendo, o coração e a respiração acelerados, o rosto tão vermelho que parecia prestes a sangrar — o que quase fez Chen Yi rir.
Por fim, rendida, deixou-se ficar nos braços dele. Queria perguntar tantas coisas, mas as palavras simplesmente não saíam. Só conseguiu fechar os olhos, esperando que Chen Yi dissesse ou fizesse algo.
Mas ele apenas a abraçou suavemente, sem ir além. Depois de um breve momento de decepção, Ning Qing se acalmou. O rubor foi desaparecendo e ela se entregou, desfrutando daquele abraço silencioso. Nenhum dos dois disse palavra. Às vezes, o silêncio fala mais do que mil palavras: o contato entre os corpos transmitia tudo.
Passado um tempo, Chen Yi quebrou a quietude:
— Qing’er, está com fome? Vamos sair para comer?
A fala quebrou um pouco o clima, mas Chen Yi tinha seus motivos. Sentiu-se mal por ter se aproximado tanto de Ning Qing e quis encerrar aquele momento de intimidade antes que fosse longe demais. Além disso, ele próprio estava com fome.
— Está bem, vamos! — respondeu Ning Qing, um pouco desapontada, mas aceitando e se soltando do abraço dele.
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Chen Yi já havia experimentado os pratos dos mais famosos restaurantes de Chang’an. Para alguém habituado, em sua vida passada, a todo tipo de iguaria, achava que, exceto por alguns doces, a maioria dos pratos não era grande coisa. Mesmo as refeições preparadas pelos cozinheiros do palácio nos últimos dias não eram muito melhores.
Ao sair do restaurante, vendo Ning Qing sorrir satisfeita ao seu lado, Chen Yi sentia uma pontinha de frustração. Achava que precisava ensinar as técnicas de culinária de seu tempo para aquele povo — ao menos poderia comer pratos salteados de verdade. Olhando para a dócil Ning Qing ao seu lado, de repente teve uma ideia e logo perguntou:
— Qing’er, você sabe cozinhar?
— Eu? Sei um pouco, mas não cozinho tão bem quanto os chefs dos restaurantes de Chang’an — respondeu Ning Qing, feliz por ter saído para se divertir com Chen Yi, mas surpresa com a pergunta. — Quando estávamos no Monte Zhongnan, a maioria dos pratos que você comeu fui eu quem preparou. Gostou do sabor?
— Estavam bons — respondeu Chen Yi, já sem lembrar direito o que havia provado por lá. Nenhum prato lhe marcou a memória, mas recordava que alguém assou uns animais selvagens com um sabor interessante.
Ning Qing percebeu que ele respondeu sem pensar, ficando um pouco envergonhada:
— Nunca aprendi técnicas de cozinha de verdade, só aprendi observando os monges do templo. Minha habilidade é comum, claro que não é grande coisa. Você, em casa, deve ter comido pratos muito melhores, por isso acha que nem os restaurantes famosos de Chang’an têm graça! — Ela já havia notado o desagrado de Chen Yi com a comida; por vezes, pensou em cozinhar ela mesma, mas, conhecendo suas limitações, desistiu.
— Eu também sei cozinhar! — disse Chen Yi, com certo orgulho. — E, além disso, meus pratos são diferentes dos de qualquer chef, são muito mais saborosos! Que tal, hoje à noite, comprarmos ingredientes, usarmos a cozinha da hospedaria e prepararmos algumas receitas especiais? Assim você prova algo diferente e ainda te ensino algumas técnicas. Depois pode cozinhar para mim. Que acha?
— O quê?! Você sabe cozinhar? — Ning Qing olhou para Chen Yi, surpresa, como se estivesse diante de alguém vindo de outro mundo...