Capítulo Trinta e Três — O Presente

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2481 palavras 2026-02-07 15:21:54

— Ziying, que tal sairmos novamente para passear daqui a pouco? — perguntou Ning Qing com um olhar ansioso. Já fazia mais de um mês desde que deixaram Chang'an, e os acontecimentos diante da Estalagem do Sábio Embriagado naquele dia começavam a se dissipar da memória. O reencontro com Chen Yi a enchia de alegria, e ela desejava outra oportunidade para passear juntos. Além disso, Sun Simiao havia lhe recomendado que, sempre que pudesse, acompanhasse Chen Yi em uma volta pela cidade, pois talvez encontrassem alguém que estivesse à procura dele. Por todas essas razões, assim que ficaram a sós, Ning Qing prontamente perguntou se Chen Yi queria sair para se divertir.

Chen Yi, claro, concordou:
— Ótimo, vamos ao Mercado Ocidental. Quero comprar algumas coisas, o calor está chegando e preciso de roupas leves, além de itens para o verão. Primeiro passamos no mercado, e se ainda for cedo, te levo ao Lago de Qujiang para passear, que acha?

— Seria maravilhoso! Ou… vamos agora mesmo?

— Boa ideia! O Mercado Ocidental ainda não abriu, então vamos primeiro ao Lago de Qujiang!

***

Nenhum dos dois era de deixar para depois; assim que combinaram, partiram. Sun Simiao havia saído da hospedaria havia menos de meia hora quando ambos já estavam no Lago de Qujiang.

O tempo estava ainda mais agradável, e o lago atraía multidões. Eles deixaram os cavalos guardados e, animados, seguiram entre o fluxo de visitantes. Naquele dia, Ning Qing vestia-se como a filha de uma família comum, simples e natural, com uma beleza que chamava atenção. Ao lado do elegante Chen Yi, formavam um par que atraía olhares e murmúrios por onde passavam. Ning Qing era tímida e ficava meio constrangida com tanta atenção, mas Chen Yi, por outro lado, aceitava com naturalidade o interesse alheio, exibindo ainda mais sua postura altiva, como se buscasse atrair ainda mais olhares.

Entre conversas e risos, passeavam pelo Lago de Qujiang, cujas flores exuberantes no final da primavera e início do verão inspiravam poetas e até mesmo despertavam em Chen Yi o desejo de compor versos. Contudo, ao recordar o episódio da Estalagem do Sábio Embriagado, ele reprimiu essa vontade.

Depois de algum tempo, Ning Qing soltou-se, revelando seu lado jovial, brincando e correndo entre as flores, cheirando-as e até cogitando colher algumas para enfeitar o cabelo, mas, ao cruzar o olhar alegre de Chen Yi, desistiu, corando ligeiramente. Vendo a jovem saltitando entre as flores, Chen Yi sentiu-se inundado de luz e alegria.

Após explorarem quase todo o lago, fizeram uma pausa em um pavilhão próximo ao local onde haviam bebido da última vez. Chen Yi, distraído, começou a esperar encontrar alguém ali. A dupla que haviam conhecido naquele dia, que se apresentara como irmãos da família He, mas cuja identidade ainda era incerta, surgia frequentemente em seus pensamentos. Ele queria entender quem eram e se reconectar.

Eram pessoas dignas de amizade, e Chen Yi, sempre aberto e sociável, desejava aprofundar essa relação, mesmo que tudo tivesse acontecido por acaso.

Ao perceber o semblante pensativo de Chen Yi, Ning Qing, sempre atenta, imaginou que ele estivesse cansado. Ao chegarem a um jardim tranquilo, ela sugeriu suavemente:
— Ziying, vamos ao Mercado Ocidental? Podemos almoçar e depois comprar o que precisamos. Da próxima vez, voltamos para passear.

— Está bem, vamos! — respondeu Chen Yi, sorrindo para Ning Qing.

***

O Mercado Ocidental estava ainda mais movimentado do que da última vez que tinham ido juntos. Eles escolheram um restaurante qualquer para um almoço simples e, em seguida, misturaram-se ao fluxo de pessoas, adentrando as lojas.

Naquele dia, Chen Yi não esperava encontrar as pessoas que procurava nas redondezas do mercado, então não se preocupou em observar demais; seu objetivo era as compras. Os produtos do Mercado Ocidental eram variados, e logo conseguiu adquirir a maioria das coisas de que precisava. Certos itens de verão, como bermudas e sandálias, não existiam naquela época, e ele sabia que as pessoas dali não aceitariam tal vestimenta.

Preocupava-se, porém, com o desconforto de usar túnicas longas no verão, temendo que isso lhe causasse irritações na pele.

Apesar das compras, ambos mantinham o ânimo e continuavam a explorar as lojas. Vendo a jovem pulando alegremente ao seu lado, Chen Yi pensou em comprar um presente para ela, em agradecimento, mas não sabia o que seria apropriado.

A oportunidade surgiu quando, carregando um saco de compras, viu Ning Qing parada diante de uma loja de acessórios, admirando alguns grampinhos e ornamentos com tanta paixão que não queria largá-los. Ao notar isso, Chen Yi teve uma ideia.

— Senhor, quanto custa este? — perguntou ele.

— Este, quinhentos moedas; aquele, mil; outro, dois mil; estes dois, cinco mil... aquele, doze mil, é o de melhor qualidade da loja! — respondeu o dono, sorrindo ante a postura distinta de Chen Yi.

— Tão caro! Vamos embora — exclamou Ning Qing, assustada com o preço. Largou o grampo de cinco mil moedas, que era bem bonito, e puxou Chen Yi pelo braço, afastando-se.

Chen Yi seguiu adiante. Pouco depois, Ning Qing se distraía em outra loja, quando ele aproveitou para voltar discretamente e comprar o grampo em formato de fênix colorida, guardando-o no bolso.

Ao retornar, Ning Qing estava ansiosa, olhando ao redor. Só ao vê-lo relaxou.

— Ziying, onde você foi? Achei que tivesse se perdido! — reclamou ela.

— Vi um objeto interessante e fui dar uma olhada — mentiu Chen Yi, sorrindo, e logo acrescentou: — Pronto, não me perdi. Vamos continuar...

***

Só saíram do mercado quando as lojas estavam fechando, carregando muitas compras, verdadeiros tesouros.

Ao retornarem à hospedaria, o céu já escurecia e o tambor do fechamento ecoava.

— Ziying, você deve estar com fome — disse Ning Qing, colocando os pacotes sobre a mesa e sorrindo para Chen Yi. — Vou pedir ao dono que prepare o jantar!

— Qing'er, espere um pouco — chamou Chen Yi, impedindo-a de sair. Tirou algo do bolso e entregou a ela, sorrindo com gratidão:
— Qing'er, quero te dar algo, para agradecer por cuidar de mim enquanto eu estava ferido…

— O que é? — perguntou Ning Qing, curiosa, recebendo o presente. Ao abri-lo, surpresa, exclamou:
— Ah! Quando você comprou isso? É pra mim? — olhou incrédula.

Chen Yi assentiu com vigor:
— Claro! Eu não poderia usar isso, só você, uma jovem tão bonita, pode. Se não for pra você, para quem seria? É um sinal do meu apreço, pelo cuidado que me deu…

Ning Qing segurou o grampo por um bom tempo, depois o devolveu, meio constrangida:
— É muito valioso, não posso aceitar. Se meu mestre souber, vai me repreender!

Chen Yi sorriu, recusando-se a pegar de volta, e falou seriamente:
— Então não conte ao seu mestre; eu também não direi. Sei que você gostou do acessório, aceite, senão vai parecer que me despreza!

Diante das palavras de Chen Yi, Ning Qing hesitou, mas não recusou mais. Guardou cuidadosamente o presente, olhou para Chen Yi com um olhar profundo e, com as faces coradas, disse suavemente:
— Então eu aceito. Obrigada…