Capítulo Cinquenta e Cinco: Por que sinto isso?
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Chen Yi logo sentiu um olhar penetrante pousar sobre ele. Surpreso, baixou imediatamente a cabeça e seguiu, em passos leves, atrás da elegante dama de companhia adentrando o salão. Ao desviar o olhar do trono, viu Sun Simiao sentado a um lado, sorrindo-lhe gentilmente.
Sun Simiao realmente estava no salão! O coração de Chen Yi acalmou-se bastante; com aquele velho taoista por perto, a sensação de solidão e desamparo logo diminuiu.
— Alteza, o jovem Chen chegou! — anunciou a dama de companhia com voz melodiosa quando Chen Yi parou diante dela.
Sem precisar de instruções, Chen Yi adiantou-se e, de cabeça baixa, fez uma reverência respeitosa à imperatriz Wu Zetian, sentada no trono:
— Este humilde súdito saúda Vossa Majestade, a Imperatriz!
Felizmente, ao chegar à Dinastia Tang, mesmo ao ser recebido pela imperatriz Wu Zetian, não era necessário cumprir aqueles rituais exagerados de três prostrações e nove reverências, o que lhe conferia certo alívio. Ele, porém, não sabia exatamente como deveria se referir a si mesmo diante de Wu Zetian, mas sentiu que o título de "humilde súdito" não seria inadequado.
— Pode levantar. Então você é Chen Yi? — a voz de Wu Zetian era incrivelmente suave. Porém, após observá-lo por alguns instantes, sem esperar qualquer reação do jovem atordoado, ela voltou-se para Sun Simiao e comentou, sorrindo: — Taoista Sun, realmente não imaginei que o jovem médico milagroso de quem falava fosse tão novo. É ainda mais jovem do que eu esperava. Realmente, não se pode julgar apenas pela aparência!
Enquanto Chen Yi pensava consigo mesmo, a voz amável de Sun Simiao ecoou:
— Eu já imaginava que Vossa Majestade diria isso ao ver Ziying! Para ser sincero, também fiquei espantado quando testemunhei sua visão ímpar sobre a medicina. Contudo, há pessoas no mundo abençoadas com talentos além da compreensão comum, como Ziying e outras figuras extraordinárias relatadas nos anais da história. Hehe...
Ouvindo Wu Zetian e Sun Simiao conversarem dessa maneira, Chen Yi sentiu-se constrangido. Também estava curioso sobre a expressão de Wu Zetian ao proferir tais palavras, mas não ousava levantar a cabeça para olhar, permanecendo ali, apreensivo, sem saber como reagir. Em meio ao embaraço, sentiu outro olhar pousar sobre si. Espiou de relance e viu que era a dama de companhia chamada Tuan’er, cujo olhar estava repleto de curiosidade e questionamento.
Quando seus olhares se cruzaram, Chen Yi, sem perceber, sorriu de canto, exibindo um certo ar de orgulho. Pelo visto, a curiosidade de Tuan’er fora despertada pela conversa entre Wu Zetian e Sun Simiao. Seu olhar carregava uma satisfação vaidosa. Contudo, a dama apenas revirou os olhos discretamente e virou o rosto com desdém, deixando Chen Yi sem chance de conquistar simpatia.
Chen Yi, porém, não se incomodou, pois nesse momento, a voz de Wu Zetian soou novamente:
— Chen Yi, segundo o Taoista Sun, você entende muitos princípios avançados da medicina, muitos dos quais nem ele mesmo ouviu falar. Diga-me, de onde você aprendeu tais saberes profundos?
A pergunta de Wu Zetian pegou Chen Yi de surpresa. Não esperava que, após poucas palavras, ela fosse direto ao ponto. Intrigado, ergueu os olhos para ela, mas logo a viu levantar-se do trono e se aproximar, forçando-o a baixar a cabeça e responder com seriedade:
— Respondendo à Vossa Majestade, desde pequeno fui apaixonado pelos livros. Herdei alguns tratados médicos de família e os estudei profundamente, por isso conheço esses saberes...
Porém, interrompeu-se ao perceber que Wu Zetian já estava ao seu lado.
— Taoista Sun, realmente o Chen Yi, ou Ziying, que acolheu não é uma pessoa comum. Sua postura é diferente, não demonstra temor algum diante de mim, e naquele dia ousou enfrentar aqueles dois sobrinhos inúteis meus. Não admira que mereça sua consideração especial! — disse Wu Zetian a Sun Simiao, sorrindo, antes de se virar novamente para Chen Yi: — Chen Yi, levante a cabeça!
— Sim, Vossa Majestade! Peço desculpas pela falta de cerimônia! — disse Chen Yi, pedindo perdão enquanto erguia a cabeça, encarando a imperatriz de frente.
Foi então, de perto, que finalmente pôde ver claramente o rosto de Wu Zetian.
Um rosto delicado, pescoço longo e alvo, adornos elegantemente trabalhados; diante de Chen Yi estava uma mulher de uma dignidade e nobreza incomparáveis.
Naquele dia, Wu Zetian estava vestida com extrema elegância. O coque elevado sustentava uma fivela de fênix feita de ouro puro, cravejada com uma rubi escarlate do tamanho de um polegar, pendendo sobre o centro da testa, emoldurado pelas asas abertas do adorno, formando um conjunto harmonioso e agradável aos olhos. Outras presilhas de jade complementavam o penteado, tudo em perfeita harmonia, realçando sua nobreza. Vestia um traje amarelo dourado, ricamente bordado, onde fios dourados desenhavam fênixes e peônias com realismo e vivacidade. Na cintura, um largo cinto dourado acentuava ainda mais seu porte majestoso, deixando qualquer dama, como a simples Tuan’er ao lado, ofuscada em comparação.
O cinto de Wu Zetian delineava-lhe perfeitamente as belas formas. Era difícil acreditar que, após tantos filhos, ainda mantivesse uma silhueta tão esguia: cintura fina, seios fartos. Sob o bustiê claro, os seios elevados pareciam quase romper o tecido, que não era espesso, e mesmo em pé, Chen Yi podia vislumbrar parte do decote.
Chen Yi não pôde evitar recordar aquele documentário que vira no futuro, "O Palácio Daming", onde a atriz de Wu Zetian também se vestia de modo provocante, exibindo seios volumosos e uma postura sedutora diante de Li Zhi quando Li Shimin estava doente. Na época, Chen Yi achou aquilo exagerado e estranho, mas ao ver a verdadeira Wu Zetian, entendeu que, de fato, as mulheres nobres da dinastia Tang não eram nem um pouco recatadas.
Talvez nada disso fosse o mais surpreendente para Chen Yi, nem mesmo o decote generoso de Wu Zetian. O que realmente o espantava era a sensação de familiaridade ao olhar para aquele rosto, como se já a tivesse visto antes, levando-o a fitá-la por mais tempo do que o adequado.
Por que sentia isso?
He Lan Minzhi sentiu algo semelhante ao ver He Lan Minyue vestida de mulher, mas sabia que era por causa de um sonho. Algo parecido aconteceu ao diagnosticar Wu Shun, a mãe de Minyue, mas não achou estranho na ocasião. Contudo, frente a Wu Zetian, a sensação de familiaridade era tão forte que o espantava, e certamente não era por causa de He Lan Minyue. Ao recordar, achava que já vira o rosto de Wu Shun em algum lugar, mas não conseguia lembrar onde. Talvez, se Wu Shun estivesse saudável, essa impressão fosse ainda mais forte.
Seria possível que Wu Zetian fosse a dama nobre que aparecera em seu sonho quando atravessou o tempo? Mas, naquele dia, ele não conseguiu ver o rosto dela claramente, então não podia ter certeza.
Ao perceber o rosto de Chen Yi, Wu Zetian também demonstrou surpresa, fitando-o com espanto, de modo que todos ao redor, inclusive Sun Simiao, notaram, assim como o próprio Chen Yi.
— Hum, hum... — Tuan’er pigarreou suavemente. Chen Yi, que ainda olhava para os olhos de Wu Zetian, logo entendeu o lembrete de sua falta de cerimônia, e apressou-se a baixar a cabeça, curvando-se respeitosamente:
— Vossa Majestade, sou apenas um humilde camponês e, ao entrar pela primeira vez no palácio, fiquei tão impressionado diante de Vossa Alteza que me esqueci dos bons modos. Peço perdão!
Que situação! Por que, se havia sido lembrado tantas vezes a manter a etiqueta diante de Wu Zetian, logo esqueceu quando a viu de perto?
E se Wu Zetian se sentisse ofendida? Quem poderia saber o que aquela mulher, conhecida por sua crueldade nos relatos históricos, seria capaz de fazer contra ele?