Capítulo Oitenta e Sete: O Novo Canto Surpreende Outra Vez
Sob os olhares atentos e variados dos presentes no salão, Chen Yi aproximou-se com calma do leito de Li Zhi, sentou-se e abriu o embrulho que trouxera consigo, de onde retirou o estetoscópio e outros instrumentos médicos, solicitando ainda a ajuda de um dos servos do palácio que aguardava ao lado.
Por motivos desconhecidos, Wu Tuan’er, que antes estava ao lado de Wu Zetian, adiantou-se ultrapassando os demais, assumindo o lugar da criada que Chen Yi pretendia chamar para auxiliá-lo. Ciente das intenções de Wu Tuan’er, Chen Yi lançou-lhe um olhar de gratidão e chegou a sorrir discretamente para a jovem, que demonstrava certo nervosismo.
Mesmo ao ver Chen Yi agir com tanta naturalidade, Wu Tuan’er não conseguiu aliviar a preocupação que pesava em seu coração.
O método mais eficaz e simples para diagnosticar doenças do sistema respiratório e circulatório era a auscultação, e nisso Chen Yi era realmente exímio. Podia-se dizer que, em todo o império, não haveria outro médico com experiência tão vasta em auscultação quanto ele. Tinha confiança: o número de pacientes que passaram por suas mãos não era menor do que o daqueles médicos imperiais presentes. Em sua época, durante as consultas, atendia centenas de pacientes por dia; mesmo que não pudesse examinar cada um detalhadamente, essa vasta experiência clínica era seu maior trunfo.
Após uma minuciosa auscultação, Chen Yi estava praticamente certo quanto ao quadro clínico de Li Zhi. Retirou então o estetoscópio dos ouvidos e, sob os olhares pasmos dos médicos imperiais, levantou-se.
— Chen Yi, a saúde de Sua Majestade está em perigo? — perguntou Wu Zetian, um tanto ansiosa, ao cumprimentar Chen Yi.
— Senhora, Sua Majestade contraiu um resfriado, o que provocou certa inflamação nos pulmões, mas não é grave. Com a administração de medicamentos adequados, repouso e uma alimentação balanceada, em no máximo dez dias estará completamente recuperado! — respondeu Chen Yi, seguro de si. Na verdade, esse prazo era conservador. Ele ouvira sons respiratórios ásperos e um leve chiado úmido nos pulmões de Li Zhi, mas, felizmente, nada grave; tratava-se, ao que tudo indicava, de um resfriado comum. Não havia sinais de asma ou bronquite crônica, doenças muito mais temidas. Isso se devia, em parte, ao tratamento anterior de Sun Simiao, que conteve o agravamento da condição crônica de Li Zhi.
Li Zhi também não apresentava febre, o que indicava que o quadro não era severo. Os médicos imperiais apenas hesitavam em medicar por cautela extrema, temendo contrariar o tratamento de Sun Simiao, e não por realmente considerarem o caso intratável.
As palavras de Chen Yi trouxeram certo alívio a Wu Zetian. Após lançar um olhar severo aos médicos imperiais, que se mostraram incompetentes, ordenou:
— Chen Yi, prepare imediatamente uma receita e providencie a administração do remédio ao imperador. Permaneça no palácio e observe a evolução do quadro de Sua Majestade! — Lançando outro olhar aos médicos imperiais, completou: — Vocês também permanecerão aqui, de prontidão!
— Sim, senhora! — respondeu Chen Yi prontamente. Os médicos imperiais, cada um com expressão distinta, também confirmaram a ordem.
Logo após, Chen Yi dirigiu-se à escrivaninha e escreveu uma receita que considerava ideal para o tratamento do imperador naquela situação, entregando-a a Wu Zetian para análise. Ela leu a prescrição cuidadosamente, e após uma breve hesitação, chamou Wu Tuan’er para que ela mesma preparasse o remédio destinado ao imperador.
Wu Tuan’er, ainda preocupada, saiu para cumprir a tarefa. Enquanto isso, Chen Yi foi chamado por Wu Zetian para relatar detalhadamente o estado de saúde de Li Zhi. Sem esconder nada, ele explicou minuciosamente as alterações patológicas causadas pelo resfriado, sem se importar se Wu Zetian compreenderia os detalhes técnicos — na verdade, preferia que ela não entendesse, pois assim suas explicações pareceriam ainda mais profundas e misteriosas.
Tratar o imperador era um assunto de máxima urgência; logo o medicamento estava pronto. Wu Zetian aproximou-se, pegou a tigela de remédio e, pessoalmente, ajudou Li Zhi a tomá-lo. Com ar abatido, Li Zhi, amparado pela mão de Wu Zetian, bebeu lentamente todo o conteúdo, limpou delicadamente os lábios e voltou a deitar-se, adormecendo quase imediatamente.
Os pobres médicos imperiais foram retirados para o salão externo, onde aguardavam ordens. Chen Yi, por sua vez, permaneceu no recinto interno, atento à evolução do quadro de Li Zhi.
Mesmo assim, dentro do salão, Chen Yi acabou praticamente esquecido num canto, enquanto Wu Zetian velava ao lado do leito do imperador, segurando sua mão com expressão de profunda preocupação. Chen Yi postou-se a uma certa distância do leito; Wu Tuan’er permaneceu próxima a ele, mas nenhum dos dois ousava conversar ou sequer trocar olhares.
O ambiente era opressivo e silencioso. Wu Zetian não fazia perguntas, e Chen Yi se sentia extremamente desconfortável, desejando sair para respirar ar fresco. Sabia bem como deviam sentir-se os médicos imperiais, agora relegados ao salão externo. Perguntava-se, inclusive, se Sun Simiao, caso estivesse ali, receberia tratamento semelhante.
Assim passaram-se mais de duas longas horas, até que, finalmente, Li Zhi deu sinais de recuperação. Para Chen Yi, foi um tempo interminável, que pareceu durar anos. Só se sentiu aliviado ao ver Wu Zetian, demonstrando alegria, inclinar-se para saudar o imperador ao vê-lo despertar.
Antes mesmo que Wu Zetian dissesse algo, Chen Yi aproximou-se e pediu em voz baixa:
— Senhora, Sua Majestade despertou. Permita-me examiná-lo novamente para avaliar seu estado.
Na receita que elaborara, Chen Yi utilizara algumas ervas de efeito semelhante ao dos corticosteroides modernos, buscando uma ação rápida. Diante de tantos médicos imperiais presentes, queria demonstrar sua habilidade e eficiência. Normalmente, entre meia hora e uma hora após a administração do medicamento, já seria possível observar resultados; nesse momento, o médico deve reavaliar o paciente para decidir os próximos passos. Caso a resposta fosse boa, a fórmula poderia ser ajustada com o tempo; se não, medicamentos mais potentes seriam empregados.
Infelizmente, não dispunha de antibióticos ou antivirais, e isso limitava a amplitude de sua arte médica.
A proposta de Chen Yi foi aprovada por Wu Zetian. Ele voltou ao leito de Li Zhi, sentou-se na borda e começou o exame.
O quadro de Li Zhi evoluíra exatamente como Chen Yi previra, ou até melhor: a respiração estava mais regular, o chiado quase inaudível, e ele parecia mais animado. Embora ainda não pudesse se levantar, era notória a melhora.
— Senhora, o estado de Sua Majestade melhorou muito. Na hora do jantar, recomendo mais uma dose do remédio; depois, basta monitorar durante a noite. Amanhã estará fora de perigo — informou Chen Yi em tom tranquilo.
— Sua Majestade está bem melhor do que antes, sua receita foi realmente eficaz! — elogiou Wu Zetian, satisfeita, mas logo seu semblante tornou-se severo. — Jamais imaginei que os médicos do Departamento Imperial fossem tão incapazes, superados por um jovem como você. De que adianta mantê-los?
Visivelmente irritada, Wu Zetian mandou chamar o diretor do Departamento Médico, ordenando que examinasse o imperador e comparasse o quadro clínico antes e depois do tratamento. Trêmulo de ansiedade, o diretor entrou, prestou reverência e pôs-se a examinar Li Zhi.
O resultado da avaliação o surpreendeu profundamente. Era difícil acreditar que, graças ao tratamento proposto por aquele jovem, o estado do imperador tivesse melhorado tanto. De onde viera esse jovem médico e onde aprendera tal arte?