Capítulo Cinquenta e Quatro: O Primeiro Encontro com Wu Zetian

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2705 palavras 2026-02-07 15:22:10

Pela aparência, a criada do palácio parecia não ser jovem; segundo a avaliação de Chen Yi, deveria ser alguns anos mais velha que Helan Min Yue e Ning Qing, pelo menos por volta dos vinte anos ou talvez mais. Embora esse fosse ainda um “menina” aos olhos dele, na Antiguidade, na dinastia Tang, já era considerada uma “mulher velha”. Se fosse filha de uma família comum, já teria se casado, talvez até fosse mãe de alguns filhos. Mas as mulheres do palácio eram diferentes: muitas envelheciam sem nunca experimentar o sabor de um homem, quanto mais casar-se e dar à luz!

A bela criada que estava diante dele demonstrava ser esse tipo de mulher. Pela aparência e comportamento, era mais uma donzela do que uma “mulher” de verdade. Seus gestos eram decididos e calmos, transmitindo a impressão de alguém experiente e astuta, completamente diferente de Ning Qing, delicada e submissa. Chen Yi não sabia quem era aquela criada, mas compreendia que não era alguém simples; certamente era uma figura influente junto a Wu Zetian.

— A criada Tuan cumprimenta o senhor Chen! — disse ela, seus olhos girando atentos sobre o rosto de Chen Yi antes de se curvar. — Sua Majestade, a Imperatriz, aguarda por você no salão, junto do mestre Sun. Por favor, siga-me até o salão!

— Tuan? Será Wu Tuan? — Ao ouvi-la se apresentar como Tuan, Chen Yi reagiu imediatamente, recordando de uma personagem mencionada em relatos antigos: uma serva de coração cruel, envolvida com Wu Sansi, e participante de intrigas obscuras da família Wu.

Num lampejo, ele compreendeu algo: Wu Zetian, ao tornar-se imperatriz, antes do surgimento de Shangguan Wan’er, certamente tinha outras criadas de confiança. Aquela bela criada chamada Tuan era uma dessas figuras.

Era imperativo conquistar sua simpatia!

Percebendo que Chen Yi havia ficado paralisado e o encarava fixamente, a bela criada franziu levemente a testa, mas logo relaxou, mostrando um ar satisfeito. Em voz baixa, disse:

— Senhor Chen, venha comigo ao salão. Sei que é sua primeira vez no palácio, mas… diante da imperatriz, não se esqueça de manter o respeito!

Chen Yi despertou de seus pensamentos, apressando-se em responder com uma reverência:

— Esta é minha primeira vez no palácio, desconheço os costumes; agradeço pela orientação, irmã!

Talvez o olhar vivo de Chen Yi tenha divertido a criada, ou talvez o doce “irmã” tenha tocado seu coração. Antes mesmo que ele terminasse o gesto de cortesia, o rosto sério da criada se abriu em um sorriso, e ela replicou:

— Senhor Chen, Sua Majestade está doente, e a imperatriz anda de mau humor. Tenha cuidado ao falar, não a irrite! Lembre-se bem disso!

— Muito obrigado pelo aviso, irmã, guardarei suas palavras. É realmente bondosa! Não apenas bela, mas de ótimo coração. Hoje fui afortunado de encontrar alguém como você logo ao entrar no palácio!

Adular mulheres era uma das especialidades de Chen Yi na vida futura; para conquistar uma mulher era preciso coragem, atenção aos detalhes, rosto impassível e palavras doces — especialmente palavras doces.

A combinação de elogios sinceros e uma postura séria frequentemente produzia efeitos surpreendentes. Se funcionava no futuro, funcionaria também com as mulheres da Antiguidade. Embora aquela mulher, ainda considerada jovem, fosse muito mais nova do que as que ele conhecia, Chen Yi não teve qualquer constrangimento ao chamá-la de “irmã”, nem achou repugnante; era apenas um modo de falar, não dava muita importância.

Além disso, ela era realmente atraente, especialmente sua figura, com curvas pronunciadas, e o decote semi-exposto revelando a pele alva e o busto cheio. Estando ao seu lado, era impossível não notar o profundo sulco entre seus seios, e Chen Yi, jovem e vigoroso, sentia-se tentado a tocá-la. Chamá-la de “irmã” com segundas intenções não era nada repulsivo!

Receber elogios de um jovem bonito, convocado pela imperatriz, fez a criada sentir-se radiante por dentro, embora seu rosto não demonstrasse muito; ela fingiu olhar de soslaio para Chen Yi, tentando mostrar que não apreciava tais bajulações.

Mas a alegria era impossível de ocultar, revelando seus verdadeiros sentimentos. Chen Yi teve vontade de rir, mas conteve-se.

— Irmã, você é tão bela, nunca vi alguém tão encantadora — disse Chen Yi, reprimindo o riso e mantendo uma expressão séria — Acabei ficando boquiaberto, peço perdão pela falta de modos!

Toda mulher gosta de ouvir elogios sobre sua beleza, especialmente uma criada com posição especial. Dentro do palácio, raramente tinha oportunidade de interagir com homens, e os poucos que via jamais lhe diziam tais palavras; entre ela e eles havia uma distância enorme, restando apenas submissão. Hoje, ao ouvir de um homem agradável tantos elogios, não pôde evitar a alegria, e o sorriso em seu rosto finalmente aflorou. Olhou Chen Yi com um olhar de reprovação, mas respondeu com voz suave:

— Já que você é tão educado, também lhe darei alguns conselhos. Apenas não irrite a imperatriz; além disso, o mestre Sun está no salão, se precisar de algo, peça ajuda a ele!

— Muito obrigado, irmã! — agradeceu Chen Yi, e ousou dizer: — É a segunda vez que a vejo; da última vez, no albergue, também lhe vi. Naquele dia achei seu rosto familiar e tão bonito, imaginei que seria uma figura celestial, e hoje, ao entrar no palácio, nos encontramos novamente. É mesmo destino…

— Da última vez… senhor Chen, você já viu esta criada? — A bela criada parou, surpresa, e virou-se para Chen Yi; demorou um instante até perceber: — Você… era você quem estava escondido e espiava?

— Naquele dia foi apenas curiosidade, mas agradeço por isso, pois tive a sorte de ver uma mulher tão encantadora quanto você… — Chen Yi conteve o impulso de náusea que lhe subia ao coração, e voltou a elogiar — Só que naquele dia levei um susto…

— Ah! Hmph… Quem mandou você olhar escondido! — A criada não resistiu ao sorriso, mas logo se conteve, olhou Chen Yi mais algumas vezes e não disse mais nada, seguindo em direção ao salão. Chen Yi baixou levemente a cabeça, evitando olhar para as outras criadas e eunucos ao redor, e seguiu atrás dela.

Ao chegarem diante da cortina que separava os salões, Tuan, a bela criada, parou e voltou-se para Chen Yi:

— Senhor Chen, aguarde aqui; vou anunciar sua chegada! — Sua voz estava mais suave, e o olhar era de uma gentileza incomum.

Chen Yi assentiu, mostrando-lhe um belo sorriso e imediatamente ficando de mãos postas.

Tuan hesitou um pouco, olhou-o novamente, mas nada disse; ergueu a cortina e entrou no salão interior.

Chen Yi então ergueu a cabeça, observando o local onde estava. Era um palácio imponente, com decoração sóbria, sem nenhum excesso, nem mesmo nas cortinas. Parecia não ser um aposento feminino; seria o quarto de Li Zhi?

Ao entrar, não ousara olhar ao redor, e o letreiro do salão estava pendurado muito alto do lado de fora, impossível de ler sem levantar a cabeça. Assim, ficou ali, curioso, prestando atenção aos sons do interior, mas as cortinas eram espessas e não deixavam escapar nenhum ruído.

Em pouco tempo, Tuan ergueu a cortina e voltou, fazendo uma reverência:

— Senhor Chen, por favor, siga-me ao interior!

— Obrigado, irmã! — Chen Yi retribuiu o gesto e seguiu a criada para dentro.

Movido pela curiosidade, Chen Yi não manteve a cabeça baixa como ela recomendara; ergueu o olhar para ver o salão.

Enquanto olhava ao redor, deparou-se com a pessoa que mais queria ver naquele dia: uma mulher majestosa, vestida de forma luxuosa e adornada com muitos acessórios, sentada com postura impecável no trono. Vendo de relance, seus traços lembravam os de Wu Shun, mas o aura de nobreza em seu rosto era muitas vezes superior, especialmente em comparação com Wu Shun doente; havia nela uma presença imponente, quase intocável.

Era Wu Zetian, a única imperatriz da história, uma mulher de destino extraordinário. Chen Yi, ao vê-la pela primeira vez, não teve a sensação de nervosismo que imaginara…