Capítulo Sessenta e Dois: Os Primeiros Brotos de Lótus Despontam Timidamente

Embriaguez de Tang Tang Yuan 2451 palavras 2026-02-07 15:22:34

Chen Yi acabara de pensar em um poema que combinava perfeitamente com a pintura de Yan Liben diante dele, quando, surpreendentemente, Helan Minzhi pediu-lhe exatamente isso: um poema. Que coincidência, pensou ele. Chegou até a suspeitar que Helan Minzhi fosse capaz de ler pensamentos e percebeu que ele havia se lembrado de um poema, por isso fez tal pedido.

Vendo a expressão de espanto de Chen Yi, Helan Minyue, ao lado, também se animou. Com um tom de curiosidade e divertimento, disse: “Jovem Chen, naquele dia, na Taverna do Imortal Ébrio, vi o seu poema ‘Canção Juvenil’ e fiquei maravilhada. Não esperava... enfim, invejo profundamente aquela leveza e naturalidade descritas, a alegria de desfrutar das belezas da primavera. Quisera eu também me divertir e passear como você. Você compôs um poema tão notável com tanta facilidade, seu talento é realmente excepcional. Hoje, ao ver sua reação diante da obra do mestre Yan, pensei que tivesse se lembrado de um poema à altura do quadro. Poderia recitá-lo para nós? Estamos ansiosas para ouvir!”

Enquanto falava, seus lábios desenharam um leve sorriso e seus grandes olhos brilhantes fixaram-se em Chen Yi. O significado no olhar era claro: você não expressou, há pouco, com seu olhar, o desejo de mostrar seu talento? Então aproveite agora.

“Com palavras tão gentis, senhorita Helan, fico lisonjeado. Naquele dia, apenas... por acaso, lembrei-me daqueles versos e os escrevi. Não sou digno de tantos elogios, realmente me envergonha!” Por pouco Chen Yi não deixou escapar que pensara em um poema de outrem, mas rapidamente se corrigiu, mostrando com um ar constrangido que não merecia os louvores daquela bela dama. Ao mesmo tempo, pensou com espanto em como os acontecimentos ao seu redor eram sempre tão curiosamente coincidentes: por acaso “plagiara” um poema e, por acaso, uma mulher lindíssima o ouvira e ficara admirada. Parecia cena saída de um romance! Gostaria de perguntar por que aquela bela dama estava na Taverna do Imortal Ébrio naquele dia e por que tomara sua defesa. Seria mesmo só coincidência? Olhou de relance para Helan Minzhi e decidiu guardar o pensamento, com receio de ser mal interpretado.

Tamanha modéstia de Chen Yi deixou Helan Minyue um pouco insatisfeita. Fez um biquinho e disse: “Jovem Chen, naquele dia, pelo seu comportamento, pareceu-me alguém de espírito livre, o que também transparece em seus versos. Mas hoje mostra-se tão tímido, será que não quer compor um poema para nós?” E, ao dizer isso, voltou a mostrar o desagrado em seu olhar.

Aquela atitude de Helan Minyue deixou Chen Yi um pouco desconcertado. Fisiológica e psicologicamente, ele era jovem e impulsivo, e nada lhe agradava mais do que mostrar seu talento diante de mulheres, especialmente belas mulheres. Nunca aceitaria ser menosprezado, ainda mais tendo acabado de trocar olhares com Minyue, como se houvesse entre eles uma empatia silenciosa. Não queria estragar essa boa impressão. Então, lançou um olhar de esguelha para a insatisfeita Helan Minyue e, com certo orgulho, disse: “Ao apreciar a pintura, de fato me veio à mente um poema cujo espírito se assemelha ao da obra. Não me atrevo a guardar para mim, compartilharei com vocês, esperando vossas críticas!”

Em seguida, fez sinal de que queria papel e tinta, pois estava pronto para compor.

“Jovem Chen, se está disposto a escrever um poema, isso é maravilhoso!” Vendo o ar entusiasmado de Chen Yi, Helan Minyue revelou um sorriso radiante e até fez uma careta orgulhosa para Helan Minzhi, indicando sua satisfação.

Chen Yi realmente lhe dera esse prazer!

“Ziying, Minyue e eu aguardamos ansiosos para apreciar mais uma de suas belas composições!” Helan Minzhi também estava feliz e preparava-se para chamar os criados a fim de preparar a tinta.

Mas antes que pudesse dar ordens, Helan Minyue já havia arregaçado as mangas e ido à escrivaninha. “Jovem Chen, hoje permitam-me preparar a tinta e o pincel para você. Espero que componha algo que nos surpreenda!”

“Bem...” O ímpeto de Chen Yi congelou. Olhou incrédulo para a bela jovem que, risonha, o fitava, e depois para Helan Minzhi. A atitude de Helan Minyue não surpreendeu apenas Chen Yi, mas também seu irmão, que ficou boquiaberto.

Na lembrança de Helan Minzhi, sua irmã sempre se portara com sobriedade e recato diante de estranhos, jamais tão espontânea e desinibida como agora, preparando tinta para um forasteiro, o que era insólito. Embora ela frequentemente preparasse tinta para o irmão, eram irmãos de sangue; Chen Yi, apesar de ter visitado a casa algumas vezes, ainda não tinha intimidade para tal trato.

Contudo, Helan Minzhi não era um homem comum. Logo se recompôs do espanto e, sorrindo para o atônito Chen Yi, disse: “Ziying, sinta-se honrado. Minyue nunca preparou tinta para ninguém além de mim, seu irmão. Se hoje não nos surpreender com um poema grandioso, não poderá sair da nossa casa... Minyue e eu ficaríamos decepcionados!”

“Irmão!” Não se sabe se foi descuido de quem falou ou sensibilidade de quem ouviu, mas as palavras de Helan Minzhi fizeram Minyue corar e parar, bufando de leve e levantando a mão em ameaça ao irmão. “Se continuar a brincar comigo assim, vou me zangar!”

Helan Minzhi apressou-se em render-se, rindo: “Não se zangue, Minyue, só estava falando do Ziying...”

“Humpf, como se eu não soubesse que está zombando de mim!” Minyue fez biquinho, fingindo-se ofendida.

A brincadeira entre os irmãos deixou Chen Yi perplexo, mas ele logo pigarreou para lembrar que estava ali. Minyue retomou a compostura, lançou-lhe um olhar encantador e, sem se incomodar, foi até a mesa, arregaçou as mangas e pôs-se a preparar a tinta.

Com mãos delicadas, em pouco tempo a tinta estava pronta. Minyue colocou cuidadosamente os instrumentos sobre a mesa, recuou um passo e, com olhos brilhantes, disse: “Jovem Chen, estamos ansiosos para ver sua obra!”

O sorriso natural e próximo de Minyue fez o coração de Chen Yi bater acelerado, quase atordoado, sentindo uma súbita emoção. Sua mão, ao pegar o pincel, tremia levemente. Aquela jovem era realmente bela — talvez a mais bela que ele já vira em suas duas vidas. Para Chen Yi, a verdadeira beleza residia na naturalidade e pureza, algo ausente em Wu Zetian e Wu Shun, cujos modos eram artificiais. Já a espontaneidade de Minyue expressava perfeitamente essa beleza pura. Ainda que a pequena monja Ning Qing tivesse essa característica, em aparência e aura, ainda ficava alguns degraus abaixo de Minyue.

Ter uma mulher assim ao lado tornava impossível manter-se impassível. Mas, com o irmão dela ali, protetor e atento, Chen Yi não ousou demonstrar qualquer fraqueza. Reprimindo o tumulto interior, pegou o pincel, molhou-o na tinta e escreveu rapidamente, sobre o papel de arroz alvo, um famoso poema de sete sílabas:

“A nascente silenciosa lamenta o fio d’água,
A sombra das árvores brinca docemente sobre a água.
A pequena folha de lótus mal mostra a ponta,
E já uma libélula pousa, antecipada.”

Ao terminar num só gesto, Chen Yi pousou o pincel com elegância e olhou orgulhoso para os curiosos irmãos Helan, que o observavam atentos!