Capítulo Sessenta e Três: Helan Minyue, Encantadora e Graciosa
Após Chen Yi pousar o pincel, Helan Minzhi e Helan Minyue, que até então o observavam atentamente enquanto escrevia, aproximaram-se imediatamente, posicionando-se diante do manuscrito ainda úmido de tinta, e o contemplaram com cuidado, exibindo expressões idênticas de surpresa.
— “A pequena folha de lótus mal mostra sua ponta afiada, já repousa sobre ela uma libélula”, — murmurou Helan Minyue, repetindo dois versos do poema, e depois olhou para a pintura pendurada na estante, como se de repente tivesse compreendido tudo. — “É mesmo uma descrição viva... Este poema foi feito especialmente para a pintura do Senhor Yan!”
Helan Minzhi, após ler atentamente duas vezes, respirou fundo, esforçando-se para acalmar o coração ferido pelo “golpe pesado”, esboçou um sorriso um pouco forçado e saudou Chen Yi com as mãos:
— “Ziying, tua erudição é realmente admirável. Eu, modestamente, não posso me comparar, não posso mesmo! ‘A pequena folha de lótus mal mostra sua ponta afiada, já repousa sobre ela uma libélula’ — é demasiado vívido! Se o Senhor Yan visse teu poema, ficaria imensamente feliz, verdadeiramente encantado! Qualquer dia, levarei esta pintura e teu manuscrito para visitá-lo! Não, melhor: levo-te comigo e juntos levamos a pintura, ele certamente se surpreenderá! O poema foi feito sob medida para a pintura, é perfeito!”
Desde que recebera a pintura, Helan Minzhi vinha procurando compor um poema ou algumas linhas à altura da obra, mas após dias de reflexão, nada lhe parecia adequado, o que o deixava frustrado. Não esperava que Chen Yi, após apenas um breve olhar para o quadro, criasse imediatamente um poema deslumbrante. O impacto não foi pequeno; aquele jovem, com idade próxima à sua, demonstrava um talento verdadeiramente extraordinário, muito superior ao seu!
Ao ouvir os elogios sinceros dos irmãos e sentir o calor em seus olhares, o orgulho de Chen Yi dissipou-se subitamente, cedendo lugar a um leve constrangimento. Ele falou, um tanto embaraçado:
— “Senhor Changzhu e senhorita Helan são demasiadamente generosos. É apenas um pequeno poema, um simples verso de sete sílabas, não merece tantos elogios! De verdade... não ouso aceitar tais palavras!”
Seu rosto chegou a corar com os elogios dos irmãos, provando que ainda não era suficientemente desinibido para assumir sem vergonha o crédito por obras alheias, como se tivesse roubado o trabalho de um mestre. Precisava aprender a aceitar tais situações sem se perturbar; caso contrário, ao discutir poesia ou em momentos especiais, o temor de ser desmascarado poderia atrapalhar seu desempenho. Isso precisava mudar, senão seria difícil lhe “sair bem” dali em diante.
Refeito desse pensamento, o constrangimento de Chen Yi diminuiu bastante e uma nova confiança se estampou em seu rosto. Afinal, se ninguém descobrisse que estava “roubando” poemas, estas obras seriam consideradas suas. De qualquer modo, os verdadeiros autores jamais apareceriam ali para reclamar direitos autorais. Ser excessivamente modesto nem sempre era bom. Com essa conclusão, endireitou novamente o peito e, com um leve ar de satisfação, lançou um olhar para Helan Minyue, que parecia um pouco emocionada.
Helan Minyue não desviou o olhar; respondeu com um brilho travesso nos olhos, que também continham uma centelha de admiração.
Ela não apenas apreciava a nobreza dos poemas de Chen Yi, mas também admirava o estilo despreocupado e espontâneo neles contido, a naturalidade, como no poema “Caminho do Jovem”, que expressava o ímpeto e a ousadia da juventude, e nesse recém-nomeado “Lago Pequeno”, cuja serenidade e harmonia com a natureza encantavam. Sabia que, na sociedade de então, predominava o estilo cortês dos palácios, especialmente desenvolvido sob o antigo Primeiro-Ministro Shangguan Yi, e muitos tentavam imitá-lo. Contudo, todos sabiam que tais composições, carregadas de adornos, eram ocas e cheias de lamentos vazios. Os poemas de Chen Yi, ao contrário, eram despidos dessas artificialidades, emanavam uma pureza e espontaneidade que cativavam à primeira leitura e, ao serem relidos, deixavam um sabor duradouro.
Helan Minyue apreciava muito ambos os poemas de Chen Yi. Além disso, o modo como ele manejava o pincel, com gestos naturais e altivos, era exatamente o que ela mais gostava de ver: nenhuma afetação, nada de posturas falsas. Havia até certa semelhança com os gestos habituais de seu irmão, talvez até mais naturais.
Ela não gostava de homens afetados ou artificiais; os modos de Chen Yi correspondiam ao tipo de homem que mais lhe agradava.
É claro que sua simpatia por Chen Yi continha algo mais, que nem ela mesma conseguia entender plenamente.
Helan Minzhi percebeu a expressão diferente no rosto da irmã enquanto olhava para Chen Yi; uma sombra de desagrado cruzou-lhe o rosto, mas logo se dissipou. Sorrindo, disse a Chen Yi:
— “Ziying, és realmente um talento oculto! Não entendo por que, possuindo tamanha erudição, nunca buscaste um título acadêmico ou apresentaste teus escritos. Com certeza muitos reconheceriam teu talento e se disporiam a recomendá-lo! Com tua habilidade, conquistar um cargo público não seria difícil!”
Enquanto falava, seus olhos revelavam expectativa, esperando que Chen Yi aproveitasse a deixa para pedir-lhe ajuda. Se assim fosse, ele aceitaria de imediato e recomendaria Chen Yi ao imperador e à imperatriz. Um jovem tão promissor era exatamente o tipo de pessoa que ele desejava atrair. Além disso, sua tia precisava de talentos assim, e Chen Yi certamente lhe agradaria!
— “Acabo de chegar a Chang’an, sou um estranho aqui, não recuperei a maior parte das minhas lembranças, nem encontrei meus companheiros, estou sozinho... Não ouso esperar demais!” — Chen Yi recolheu o sorriso orgulhoso e uma sombra de solidão lhe tomou o semblante. Sorriu de si mesmo e acrescentou: — “Meu maior desejo agora é apenas estabelecer-me em Chang’an, reencontrar meus companheiros e esclarecer o que se passou antes. O resto, não ouso almejar!”
Essa declaração era, em grande parte, verdadeira: sem conhecer sua própria identidade, não se sentia seguro, especialmente numa época em que a origem familiar era tão importante, distinguindo-se claramente os nobres dos plebeus. Sem antes esclarecer esse ponto, não ousava sonhar com cargos ou grandes feitos!
Além disso, recusava a sugestão de Helan Minzhi porque sabia de seus próprios limites: além de um pouco de medicina e dos poemas famosos que memorizara, não tinha realmente do que se vangloriar! Nada! Aqueles irmãos eram pessoas peculiares; bastaram dois poemas para que Helan Minzhi julgasse seu talento extraordinário — não seria precipitação? Se declamasse outros poemas famosos, situações ainda mais curiosas poderiam ocorrer...
Helan Minzhi, ao ouvir a recusa cortês de Chen Yi, sentiu-se um pouco decepcionado, sem saber o que dizer.
Nesse momento, um criado bateu à porta, interrompendo o clima, e Helan Minzhi, levemente contrariado, ordenou com voz áspera que o visitante entrasse. Era um de seus criados de confiança, que Chen Yi já vira antes, durante o confronto com Wu Sansi.
O criado, visivelmente tenso, aproximou-se e sussurrou algumas palavras ao ouvido de Helan Minzhi, afastando-se em seguida para aguardar ordens.
Helan Minzhi suspirou levemente e, desculpando-se com um gesto, disse a Chen Yi:
— “Ziying, tenho um assunto urgente a tratar, não poderei mais fazer-te companhia agora. Que tal deixares Minyue contigo? Daqui a pouco, peço que examines novamente minha mãe!”
Chen Yi havia dito que examinaria Wu Shun mais tarde, para avaliar seu estado físico e mental após alguma atividade, e Helan Minzhi concordara. Embora não gostasse da ideia de deixar sua irmã sozinha com Chen Yi, estava apressado e não podia simplesmente abandonar o hóspede, o que seria indelicado. Assim, deixou a irmã para acompanhá-lo.
— “Vá, Changzhu, depois examino a senhora e retorno à estalagem!” — respondeu Chen Yi, sem perceber as intenções de Helan Minzhi. Embora lamentasse a saída repentina do amigo, animou-se ao pensar que teria um tempo a sós com Helan Minyue.
Estar ao lado de uma bela jovem é o desejo de qualquer homem!
— “Minyue, fica com Ziying por um tempo, volto logo! Ziying, peço desculpas!” — Helan Minzhi lançou a irmã um olhar sutil, que só ela entendeu, e, desculpando-se novamente com Chen Yi, saiu apressado com o criado.
Na sala restaram apenas os dois. Não houve, porém, a atmosfera terna que Chen Yi esperava, mas sim um leve constrangimento, misturado a certa cumplicidade.
Chen Yi pigarreou, tentando romper o embaraço:
— “Senhorita Helan, tu e teu irmão gostam muito de poesia? Notei que tua pintura é excepcional; imagino que tenhas aprendido com algum mestre, não?”
Muitas vezes, as conversas entre homem e mulher começam com trivialidades, e Chen Yi, sem ter assunto, perguntou algo que ele mesmo achou banal.
No entanto, Helan Minyue não respondeu, murmurando um tanto descontente:
— “Chamas meu irmão de Changzhu, e a mim de senhorita Helan? Não gosto nada disso, soa horrível!”
— “Então, como devo chamar-te?” — perguntou Chen Yi, surpreso, mas no fundo ansioso pela resposta.
— “Só sei que não gosto de ser chamada de ‘senhorita Helan’, soa mesmo mal!” — disse ela, um pouco irritada. — “Acho que tu também não gostas. Que tal... usares meu nome, assim como meu irmão faz? Eu também não te chamarei de Senhor Chen, mas de Ziying, pode ser?”
— “Claro! Isso seria ótimo!” — Chen Yi assentiu rapidamente, sorrindo um tanto constrangido, mas muito feliz. — “Tens razão, nunca gostei de chamar-te de ‘senhorita Helan’, é estranho. Só que... será apropriado chamarmo-nos assim pelo nome?”
Mal terminou a frase, Chen Yi teve vontade de se esbofetear. Para quê perguntar isso? A moça já havia proposto, e ele ainda questionava, quebrando o clima. Sem esperar resposta, apressou-se:
— “Então, Minyue! Chamar-te pelo nome é bem mais agradável, hihi!”
— “Ziying... hihi!” — Minyue respondeu, olhando para o jeito engraçado de Chen Yi, e não conteve uma risada. Seu sorriso era radiante e encantador, deixando Chen Yi completamente absorto.