Capítulo Um: A Caçada

Destino Místico dos Céus Raiz da Sorte 3364 palavras 2026-02-07 12:28:20

— Fogo! Fogo! Fogo! — Três vozes graves e furiosas ecoaram a cem metros da orla da floresta, e quase ao mesmo tempo em que o brado ressoava, três flechas de besta prateadas e douradas voaram em sequência e posição específicas, formando uma misteriosa cadeia que envolveu silenciosamente uma silhueta que saltava no ar, prestes a entrar na mata.

No meio do trajeto, os hastes das flechas começaram a emitir um estranho assobio agudo, tão penetrante que parecia fazer o próprio ar vibrar; então, de súbito, explodiram em fragmentos, transformando-se em centenas de estacas de madeira reluzindo fosforescência, que rasgaram o espaço com um grito estridente e se espalharam como uma rede espessa, cobrindo toda a área.

A figura ágil já havia executado um movimento incomum no ar, desviando do círculo de emboscada das três flechas, mas essa súbita metamorfose o pegou desprevenido.

— Amolecer! — Agora, resistir de outra maneira seria inútil; o mais sensato era apenas minimizar e retardar os danos ao corpo. O vulto negro, em pleno voo, encolheu-se, protegendo-se do impacto frontal. As estacas de madeira derramavam-se sobre ele como uma tempestade furiosa; o feitiço ainda não havia sido pronunciado, mas sua pele já se transformava silenciosamente, de forma imperceptível.

O som dos impactos ressoou, e inúmeras estacas atravessaram facilmente a armadura fina do vulto, cravando-se em seu corpo. Um gemido doloroso escapou de sua garganta; seu físico, antes ágil, tremeu levemente, mas logo se recuperou, sem hesitar, lançando-se como uma águia em direção à floresta, apenas cem metros à frente. Se conseguisse desaparecer entre as árvores, teria uma chance de escapar dos caçadores que perseguiam sua sombra como larvas grudadas aos ossos. Não ousava esperar pela fuga, mas dentro da floresta suas chances aumentariam bastante; afinal, fora discípulo da Ordem das Mimosas e possuía vantagens consideráveis em ambientes arborizados.

Cerca de cinquenta metros adiante, alguns cavaleiros montados em corcéis elétricos ficaram estupefatos; jamais imaginavam que alguém pudesse escapar da infalível rede celestial de seu comandante e ainda fugir. Era inacreditável. O último cavaleiro até esfregou os olhos, duvidando do que via.

Uma centelha de surpresa brilhou no rosto do comandante, um cavaleiro de meia-idade, mas logo sua expressão tornou-se ainda mais sombria, sem qualquer outro gesto. Os cavaleiros ao seu lado já haviam parado quando ele disparou as três flechas; conheciam bem seu líder: aquela rede celestial era fatal até mesmo para anjos sagrados, quanto mais para um ladrão. Claro, este era um ladrão incomparável.

No entanto, palavras falham diante do ocorrido. Quando o vulto estava prestes a entrar na mata, de repente, ficou rígido no ar e caiu pesadamente ao solo, levantando uma nuvem de folhas e gravetos.

— Hã? — Os cavaleiros, que já se preparavam para soar o alarme e pedir reforços, viram-se tomados de surpresa e alegria, voltando seus olhares para o comandante. Só então um leve sorriso apareceu em seu rosto, embora o sangue escorrendo dos lábios revelasse que ele estava exausto e consumido.

— Senhor! — Um cavaleiro correu para ajudá-lo, sustentando-o enquanto ele cambaleava.

— Não se preocupem, apenas estou um pouco debilitado. — Ele gesticulou suavemente e se esforçou para manter-se ereto.

Os corcéis elétricos avançaram velozmente, saltando sobre o morro em direção ao local onde o vulto caíra. O comandante soltou um suspiro, retirou um pequeno saco do peito e colocou uma pílula dourada na boca.

— Senhor, parece que há algo lhe preocupando? — Um cavaleiro robusto, sempre em silêncio ao seu lado, perguntou discretamente.

— Nada demais. É uma pena... Um gênio, um ladrão talentoso, pereceu em nossas mãos. Muitos nos agradecerão por isso, especialmente aqueles residentes do Palácio de Sifanel, que devem estar exultantes. — Ele balançou a cabeça, voz rouca e cheia de pesar. Talvez devido à emoção, sangue escuro voltou a escorrer de sua boca, obrigando-o a tomar outra pílula dourada.

Percebendo o gesto, o cavaleiro robusto aproximou-se com delicadeza, olhando preocupado para o comandante: — Senhor, usou a Força Sagrada?

— Sim — respondeu com um sorriso amargo. O rosto vincado parecia ganhar ainda mais rugas. — Esse sujeito é o ladrão mais astuto que já vi. Suas habilidades são extraordinárias, e sua destreza para escapar, inigualável. Mas o mais impressionante é sua inteligência: conseguiu deduzir nossa identidade e tomar medidas adequadas. Se eu não tivesse usado a Força Sagrada junto com flechas de madeira de ságua e a rede celestial, temo que, ao escapar para a floresta, teríamos muito mais trabalho.

— O senhor usou as flechas de madeira sagrada? — O cavaleiro robusto ficou espantado. Força Sagrada, flechas de ságua e a rede celestial? A madeira de ságua era raríssima, forjada por artesãos élficos e abençoada pessoalmente pelo Arcebispo, tornando-se mais resistente que metal, capaz de perfurar armaduras e magia. O comandante recebera apenas cinco flechas em reconhecimento por seus feitos, e em dez anos nunca havia utilizado nenhuma. Agora, usara três de uma vez contra um ladrão desconhecido. Não seria um desperdício?

O comandante percebeu o pesar do seu fiel subordinado e também sentiu algum desconforto; claramente, usar flechas de ságua para caçar um ladrão parecia excessivo. Mas as palavras do emissário do Arcebispo ainda ecoavam em sua mente, e ele não ousava desobedecer. Não conhecia o mistério por trás do alvo, mas o fato de o protetor do Santo Templo ter vindo pessoalmente para persegui-lo indicava a importância do caso.

— Não havia alternativa. Ele parecia possuir uma magia de proteção especial, e flechas comuns não seriam capazes de romper seu escudo. — O comandante suspirou novamente e esporeou seu corcel, que galopou em direção ao vulto caído, enquanto os outros cavaleiros já haviam desmontado para examinar o corpo.

Seguindo de perto, o cavaleiro robusto perguntou em voz baixa: — Afinal, por que nós e o protetor do templo fomos mobilizados para caçar esse homem?

O comandante ficou rígido, fitou o subordinado com frieza e respondeu apenas: — Não se sabe, nem se deve perguntar.

Aquele olhar leve do comandante atingiu o cavaleiro robusto como um golpe, e o céu antes ensolarado pareceu tornar-se gélido; suor frio escorreu por suas costas. Ele calou-se imediatamente, sabendo que havia ultrapassado os limites.

O local onde o vulto caíra era uma pequena depressão, próxima à floresta, coberta por galhos e folhas secas. Ali, o ladrão, cuja figura havia intrigado os cavaleiros, jazia de costas no pequeno buraco. O rosto quadrado adquirira um tom dourado estranho, os olhos apagados, os lábios semiabertos, como se quisesse dizer algo; mas o veneno das flechas de ságua foi fatal, tirando-lhe a vida no instante em que tentou pronunciar qualquer palavra, impedindo até que pudesse fechar a boca.

O comandante apenas olhou para o morto, balançou a cabeça e nada disse. O cavaleiro robusto desmontou, deslizando uma lâmina fina e afiada do manto. Antes que os outros percebessem o movimento, já havia aberto uma fenda na armadura do peito do cadáver. Examinando atentamente, declarou: — Senhor, este homem realmente possuía magia de proteção baseada em madeira, de nível elevado. Se não fossem as flechas de ságua, seria difícil romper seu escudo mágico.

O cavaleiro robusto sentiu-se admirado; qualquer dúvida sobre o desperdício das flechas de ságua se dissipou. O ladrão, embora morto, tinha uma pele extremamente resistente, indicando que sua magia de amolecimento de madeira era perfeita. Mas a má sorte o fez encontrar as flechas de ságua, lançadas pelo comandante com Força Sagrada, capazes de destruir qualquer barreira, seja armadura ou magia.

— Pronto, o senhor Jaya chegou. Deixe que ele examine. Nossa missão está cumprida. — O comandante, exausto, olhou para os cavaleiros que vinham galopando ao longe. Desde o início, enviara alguém para avisar o protetor do templo, que agora vinha verificar o resultado.

Antes de os corcéis se aproximarem, o líder saltou do cavalo em pleno movimento, usando uma técnica de voo terrestre tão perfeita que os cavaleiros ficaram boquiabertos, admirando-o em voz alta.

Ignorando os elogios, o recém-chegado pousou ao lado do buraco, confirmou o alvo com um olhar e discretamente assentiu para o comandante. Um som peculiar, quase nasal, emanou da figura oculta sob um manto volumoso: — Muito bem, é ele. Senhor comandante, sua missão está cumprida. Em nome do Arcebispo, agradeço a você e seus cavaleiros por este serviço.

— Não há de quê, senhor Jaya. Por favor, transmita ao Arcebispo meus cumprimentos e nossa fiel devoção. — O comandante já havia desmontado, saudando com a mão sobre o coração, curvando-se com cortesia; toda arrogância desaparecera, substituída por um sorriso afável. Os cavaleiros também desmontaram, postando-se respeitosamente atrás do comandante e saudando com reverência. Diante do protetor do Santo Templo, ninguém ousava ser irreverente ou desrespeitoso.