Capítulo Cinco: O Anel

Destino Místico dos Céus Raiz da Sorte 2840 palavras 2026-02-07 12:28:29

Após visitarem algumas lojas que pareciam aceitáveis, Kormer e Ilot estavam indecisos sobre qual escolher, quando um funcionário da maior delas os convidou a entrar. Logo se sentaram, foram servidos com chá quente e, em seguida, o gerente chegou pela porta dos fundos para tratar dos negócios. Depois de verificar cuidadosamente os documentos de maioridade dos dois, o gerente finalmente perguntou sobre o que precisavam.

“Gostaríamos de adquirir dois servos para nos auxiliar nas tarefas cotidianas”, respondeu Kormer de forma sucinta, deixando claro ao gerente que provavelmente era a primeira vez que ambos se envolviam nesse tipo de comércio.

“Vejo que os senhores estão aqui pela primeira vez, então permitam-me explicar alguns pontos importantes”, começou o gerente, um homem de meia-idade com cabelos castanhos-avermelhados penteados com extremo zelo. Seu rosto, marcado pelos anos e pela experiência, denunciava um comerciante astuto e calejado. “Primeiramente, desejam servos masculinos ou femininas? Há uma grande diferença de preço entre eles. Em segundo lugar, há alguma preferência ou restrição quanto à raça ou idioma? Terceiro, querem adquirir imediatamente ou preferem encomendar e aguardar algum tempo? Quarto, há critérios de idade ou experiência? E, por fim, há alguma habilidade especial que desejam em seus servos? Essas são as condições básicas. Oferecemos consultoria completa e podemos atender a necessidades especiais conforme requisitado.”

“Ah, necessidades especiais?” O interesse de Kormer foi despertado. Inicialmente viera apenas para observar e talvez encontrar algum servo adequado, mas percebeu que estava prestes a aprender muito mais. “Poderia especificar que tipo de necessidades especiais podem ser atendidas?”

“Embora seja a primeira vez dos senhores aqui, devo dizer que já ouvira falar de ambos. Dizem que são maiores de idade, e o Barão Kormer em breve assumirá suas funções em seu novo feudo, não é mesmo?” Um leve sorriso irônico brilhou nos olhos do gerente, mas sua voz permaneceu cordial. “Se confiarem em mim, posso selecionar dois servos excelentes, que certamente os agradarão. Mas preciso que exponham claramente seus requisitos.”

Kormer esboçou um sorriso amargo, surpreso de que, mesmo após três anos de exílio, sua reputação ainda o precedia. Respondeu: “Não é necessário, estamos apenas dando uma olhada, vendo se há servos que nos interessem. Aliás, ainda não perguntei seu nome.”

“Pilo, Pilo Feller.” O gerente manteve-se impassível, acenando levemente. “Pois bem, se assim desejarem, Barão Kormer, gostaria de acompanhá-los para uma visita ao nosso depósito de servos?”

Kormer se surpreendeu com tamanha cordialidade. Sua fama, adquirida ao lado de Ilot e Pubber em suas juventudes turbulentas, não parecia valer muita coisa para comerciantes, e sua última desavença com uma guilda pouco tinha a ver com mercadores de servos. Por que, então, Pilo demonstrava tanto interesse?

Contudo, Kormer nunca fugia de situações inusitadas. Concordou prontamente: “Seria excelente, quero muito conhecer os segredos ocultos do depósito da família Feller.”

“Segredos não diria”, replicou Pilo com certo orgulho, erguendo a cabeça. “A família Feller atua há mais de cem anos no ramo, sempre pautada na honestidade, justiça e dedicação. É isso que nos mantém firmes nesse mercado tão competitivo.” Fez um sinal ao mordomo da loja para que preparasse a carruagem, convidando Kormer e Ilot a segui-lo pela porta dos fundos.

A carruagem deslizava suavemente pela rua, enquanto a brisa marítima, fresca e levemente salgada, tornava o passeio ainda mais agradável. Seguiam por uma estrada costeira, onde o mar e o céu se fundiam em um só horizonte, gaivotas brancas voavam em círculos e pequenas ilhas verdes pontilhavam a vastidão azul. As velas brancas dos barcos, ao longe, desenhavam rendas sobre as águas cintilantes.

O veículo era espaçoso, comportando os três com folga. Ilot, percebendo não ser o protagonista do encontro, manteve-se em silêncio. Sabia que a família Feller não era nobreza importante em Ceplus, mas sua tradição comercial a tornava respeitada entre os burgueses. Kormer, por sua vez, mantinha o rosto sereno, olhando pela janela, admirando a paisagem, mas por dentro ponderava o motivo daquele convite inesperado ao depósito de servos — o equivalente, para um joalheiro, a um cofre de tesouros, e que não era aberto a qualquer um.

Kormer era realista: sabia que o título de senhor do Cáucaso não seria suficiente para conquistar a consideração de famílias de comerciantes, que priorizavam interesses financeiros acima de tudo. Justamente por isso, a situação lhe parecia intrigante: por que a família Feller apostava que o Cáucaso lhes traria grandes lucros? Era um raciocínio difícil de compreender.

A carruagem circulou pela estrada litorânea, margeou as muralhas da cidade em direção ao portão sul e, sem qualquer parada, saiu de Ceplus. Kormer e Ilot trocaram olhares surpresos, mas permaneceram em silêncio. Normalmente, os comerciantes instalavam seus armazéns nos arredores da cidade, próximos às muralhas, onde o terreno era amplo, discreto e barato; raramente, porém, fora dos limites urbanos, pois isso dificultava a segurança e a logística dos negócios.

O trajeto seguiu tranquilo. Após três milhas pela estrada principal ao sul, entraram em uma alameda sombreada por árvores densas, revelando uma propriedade privada de grande porte. Kormer raramente saía da cidade, mas sabia que muitos aristocratas possuíam ali suas casas de campo para lazer e descanso.

Logo, a carruagem atravessou um portão de ferro. O ruído dos cascos sobre o caminho de pedras anunciou sua chegada, e o porteiro já aguardava com o portão aberto. Pararam diante de um conjunto de casas simples, onde Pilo indicou com gentileza: “Por aqui, Barão Kormer, por favor.”

Surpreendido, mas curioso, Kormer seguiu Pilo. Dentro de uma das casas, encontrou um idoso em cadeira de rodas, cuja aparência denunciava o parentesco com Pilo: a mesma cor de cabelo incomum e o grande nariz adunco.

“Pai, este é o Barão Kormer. Barão, este é meu pai, Jacques Feller.” A apresentação breve fez com que os olhos do idoso, impossibilitado de levantar-se, demonstrassem certa curiosidade. Ele apontou para as pernas e, com um sorriso cordial, explicou: “Perdoe-me a descortesia, Barão, mas estou há dez anos impossibilitado de caminhar e só posso recebê-lo assim.”

Kormer prontamente expressou seu respeito. O respeito aos mais velhos era uma obrigação para qualquer nobre, e, embora comerciantes não gozassem de grande prestígio, Jacques era um ancião portador de deficiência e o chefe de uma das famílias mais renomadas da cidade.

Enquanto isso, Ilot foi conduzido para conhecer o verdadeiro depósito de servos, já que sua presença era apenas protocolar, e pôde aproveitar o passeio à parte. Kormer, porém, refletia silenciosamente sobre o motivo de ter sido levado ali. Nunca antes fora convidado, já no primeiro encontro, à casa de uma família de comerciantes; algo incomum, que só podia significar que havia um assunto fora do ordinário por trás daquela reunião.

“Barão Kormer, peço desculpas por tê-lo trazido à residência de meu pai sem maiores explicações, mas há um assunto de grande importância para o qual preciso de sua ajuda. Recompensarei por qualquer inconveniente”, disse Pilo, cortês, e pediu sua compreensão.

Kormer acenou com elegância, reconhecendo o comportamento típico de um comerciante: sempre prontos a compensar qualquer deslize. Mas isso lhe era conveniente, e respondeu com serenidade: “Não se preocupe, tenho certeza de que há boas razões para seu procedimento. Estou disposto a ouvir suas explicações.”

Percebendo que o pai já atentara ao anel no dedo do visitante, Pilo sorriu levemente e perguntou: “Barão, permita-me a indiscrição: de onde veio o anel que usa em sua mão?”

Agora tudo estava claro. Kormer sentiu um calafrio ao perceber que toda aquela atenção — o convite à morada da família, o tratamento especial — estava ligada unicamente ao anel que ostentava no dedo.