Capítulo Dezesseis: O Resgate

Destino Místico dos Céus Raiz da Sorte 2988 palavras 2026-02-07 12:28:33

Quase no mesmo instante em que a alcateia de lobos cinzentos desapareceu na floresta, todos caíram exaustos ao chão. A batalha sangrenta pela sobrevivência havia drenado completamente as energias de todos, fossem cavaleiros de Relâmpago ou cavaleiros mascarados; nem mesmo Comer e seus companheiros escaparam desse esgotamento. Naquele momento, o único desejo era repousar no solo e recuperar as forças. Apenas Púber, que permanecia no alto da carroça, destoava dos demais. Sem sequer ter participado da luta, além do rosto lívido pelo frio residual do sopro mágico dos lobos, não sofreu outro dano. Ao contrário, os corpos dos lobos mortos ao redor despertaram nele uma alegria incontida.

Lobos cinzentos, embora não fossem bestas mágicas de alto nível, possuíam enorme valor. Suas peles, depois de curtidas, tornavam-se matéria-prima de excelente qualidade para armaduras leves, muito superiores ao couro bovino comum. Eram várias vezes mais resistentes, leves, flexíveis e, por serem bestas mágicas do gelo, suas peles conferiam certa proteção contra ataques mágicos desse elemento—um verdadeiro tesouro para aventureiros. Se conseguisse esfolar todos, poderia vendê-las por um bom preço, compensando até a perda dos três criados mortos.

No entanto, no exato momento em que todos se estendiam ao solo, o único cavaleiro mascarado sobrevivente saltou repentinamente. Ele se lembrou de que dois de seus companheiros haviam sido atingidos pelo sopro mágico dos lobos cinzentos de crina vermelha e estavam congelados, em perigo mortal. Se não fossem socorridos a tempo, certamente morreriam.

— Por favor, ajudem—suplicou ele, de maneira ríspida—, meus dois companheiros foram feridos pelo sopro mágico dos lobos. Utilizem magia de cura, por favor.

Era evidente que aquele cavaleiro mascarado não era hábil em negociações, pois mesmo ao pedir ajuda, mantinha um tom áspero. Só então os dois cavaleiros de Relâmpago, tendo recuperado um pouco o fôlego, puderam observar atentamente os três estranhos de meio rosto coberto. Perceberam que antes do ataque, os três aguardavam alguém, mas a súbita investida dos lobos não lhes deu alternativa senão unir forças para resistir. Agora, com o perigo afastado, a presença daqueles três poderosos desconhecidos, bem no coração da Floresta de Grenlândia, tornava-se ainda mais suspeita. Qual seria o real objetivo deles? Seriam inimigos? Estariam ali por causa do grupo ou de alguma pessoa sob vigilância?

Essas dúvidas enraizaram-se em suas mentes, e a atuação de Comer durante o combate, demonstrando poderes de um verdadeiro mago, aumentou ainda mais o receio. Afinal, magos eram raros e nem todos podiam se tornar um. O desempenho de Comer era tão surpreendente que eles se perguntavam se até então ele não teria deliberadamente ocultado suas habilidades. No entanto, isso não era prova suficiente para acusá-lo de vínculos com as trevas ou com a necromancia.

Apesar da vontade de interrogar os mascarados, o orgulho de cavaleiros os impedia de parecer que estavam barganhando ajuda por informações. Assim, após breve hesitação, decidiram socorrer primeiro os feridos. O sopro final dos lobos de crina vermelha era realmente formidável: mesmo sendo cavaleiros ligados diretamente à Igreja da Luz, os danos causados lançaram os mascarados num estado próximo da morte. Utilizaram magias de cura e até o Sagrado Reparo Corporal, mas não conseguiram despertá-los. O uso excessivo de energia mágica deixou ambos pálidos e trêmulos, obrigando-os a sentar e repousar.

Comer, por sua vez, desejava salvar os dois mascarados congelados. Embora suspeitasse dos motivos daqueles estranhos, especialmente do mascarado chamado Piquer, cuja hostilidade era evidente, Comer ainda queria ajudá-los. Afinal, haviam lutado lado a lado, e sobretudo queria entender por que, se realmente eram inimigos, escolheram persegui-lo e qual era o objetivo final.

Mas o lampejo de inspiração mágica que tivera durante a emergência parecia ter desaparecido por completo. Não conseguia recordar como fora capaz de lançar magia tão impressionante com tamanha facilidade. Quando percebeu que os cavaleiros de Relâmpago nada podiam fazer, o mascarado lançou sobre ele um olhar complexo, cheio de esperança diante dos poderes mágicos que Comer demonstrara na batalha.

— Desculpe, senhor, não sou muito versado em magias de cura, mas farei o possível — disse Comer, sentindo a pressão daquele olhar. Tentou recordar as magias de cura que aprendera, mas, por falta de interesse na magia branca, nada de útil vinha à mente. Apenas alguns encantamentos vagos surgiram em seus pensamentos; por instinto, sentia que eram de cura, e então, mesmo hesitante, arriscou.

Com surpresa, os presentes viram-no recitar palavras antigas, gesticulando de modo estranho e inusitado, lançando um feitiço de cura que jamais haviam visto. Para espanto dos mascarados, ele trouxe ambos de volta da beira da morte. Nem mesmo o Sagrado Reparo Corporal da Igreja da Luz havia surtido efeito, mas aquele gesto desajeitado bastou para reanimá-los — um verdadeiro milagre. A força mágica de Comer deixou o mascarado boquiaberto.

Assim, os três mascarados passaram a seguir Comer e seus companheiros. As poucas carroças retomaram a marcha rumo ao sul; sem criados, restava a Fran, Balen e Irote assumir o posto de cocheiros temporários. Com sua ajuda, Púber pôde finalmente completar um grande feito: esfolou todos os lobos cinzentos mortos, desde que seus corpos estivessem inteiros.

Cada qual envolto em seus pensamentos, o grupo seguia junto, mas naturalmente dividiu-se em três núcleos dispersos: os dois cavaleiros de Relâmpago à frente, os três mascarados na retaguarda, e Comer e seus quatro companheiros ocupando o centro, tendo as carroças como eixo. O clima, longe de aliviar-se após o perigo, tornou-se ainda mais tenso, com a desconfiança mútua crescendo entre eles.

Os mascarados não deram qualquer explicação a Comer ou aos cavaleiros de Relâmpago. Precisavam, antes de tudo, restabelecer suas forças. Jacques e Morsen, atingidos pelo sopro dos lobos, escaparam por pouco da morte, mas não sofreram ferimentos internos graves; bastava um tempo de repouso para se recuperarem. Já as feridas externas, provocadas pelas garras envenenadas dos lobos, exigiam mais atenção. Para eles, não eram graves, mas o consumo excessivo de energia interna dificultava a recuperação.

Após ouvir o relato de Piquer sobre o poder surpreendente do alvo, Jacques mergulhou em reflexão. Comer, na sua visão anterior, não passava de um dândi: arrogante, lascivo, ganancioso, desregrado, e com alguma esperteza, mas sem nada digno de nota. No entanto, o desempenho de hoje o surpreendera: Comer era agora um mago—e não apenas um aprendiz! Em apenas três anos, aquele inútil se tornara um mago de fato. Jacques não conseguia imaginar quem, no continente, teria tal poder, nem mesmo entre os grandes reinos ou a Igreja.

Mas os fatos estavam diante de seus olhos: aquele a quem considerava um inútil lançara, em um piscar de olhos, um dos supremos feitiços do fogo—“Purgatório da Alma”—e logo depois o difícil “Dança da Serpente Dourada”, ambos de nível superior, dignos de um verdadeiro mago. Não fosse o perigo, Jacques teria corrido até ele para exigir saber de onde, afinal, aprendera tais magias. Não acreditava que qualquer mestre respeitável aceitaria um aluno como Comer; pensar nisso era insultar a tradição rigorosa dos magos.

Porém, aquele que considerava lixo não só salvou a todos no final, mas ainda lançou magia de cura e o arrancou das portas do inferno. Jacques jamais se iludiu com paraísos após a morte, e tampouco desejava ir para lá; em sua opinião, os habitantes do paraíso eram ainda mais hipócritas e vis do que os do inferno.

O que fazer diante dessa situação? Era a pergunta que Jacques precisava responder. O surgimento inesperado dos cavaleiros de Relâmpago já alterara o curso de sua missão, e agora o alvo mostrava um poder além de qualquer previsão. Estariam realmente fadados ao fracasso? Jamais um Cavaleiro Caído havia recuado antes mesmo de entrar em batalha—e ele ainda carregava a incumbência de alguém a quem nunca decepcionara. Ao recordar o olhar de confiança ardente daquela pessoa, Jacques, instintivamente, endireitou o corpo, sentindo o peso da responsabilidade sobre si.