Capítulo Três: Técnica Marcial
Pubar esforçou-se ao máximo para encontrar informações sobre a Fortaleza de Damolensk para Kermo, mas, lamentavelmente, havia pouquíssimos dados disponíveis; a maioria era composta de boatos infundados, rumores distorcidos e histórias sem fundamento, enquanto algo realmente útil quase não existia. Cauteloso, Pubar chegou a visitar pessoalmente o asilo na esperança de arrancar ao enlouquecido Barão Hawkins alguma pista, mas, após duas ou três horas, tudo o que colheu do barão, cuja aparência lembrava a de um idiota, foram murmúrios repetidos de palavras obscuras como “invisível” e “tentáculos”. Pubar, por fim, retornou frustrado e de mãos vazias.
Restando-lhe pouco a fazer, dedicou-se conforme solicitado por Kermo a mergulhar na coleta de informações sobre a geografia do Cáucaso e o perfil dos povos nativos. Com a ajuda de um renomado viajante de Saiplus, Pubar adquiriu uma compreensão concreta da região. O ancestral desse viajante fora um escudeiro do primeiro senhor do Cáucaso, responsável pela construção da Fortaleza de Damolensk, tendo vivido por mais de sete anos na região, o que lhe dera um conhecimento profundo do território. Seu diário pessoal, no qual registrou minuciosamente suas jornadas por montanhas e vales, era a fonte geográfica mais completa disponível sobre o Cáucaso. Pubar reorganizou todo o material, categorizando cada informação sobre a região, e, para sua surpresa, encontrou relatos bastante detalhados sobre a construção da fortaleza — um achado inesperado e valioso.
Durante esse período, Elot também não se permitiu relaxar. Estimulando-se tanto pela cobrança de Kermo e Pubar quanto pela consciência dos perigos à frente, decidiu dedicar-se de corpo e alma ao aprimoramento de suas habilidades. Não só intensificou o cultivo da energia interna, como também treinou diariamente sua esgrima, buscando progresso acelerado.
Kermo observava silenciosamente a dedicação de Elot. A antiga espada de lâmina flexível fora trocada por uma imponente espada larga, arma comum entre os guerreiros do continente. O dorso da lâmina, de duas polegadas, reluzia com solidez; os sulcos profundos, gravados para o escoamento do sangue, testemunhavam sua força letal. O punho, trançado em fios de seda de gelo, era adornado por uma guarda em S de prata pura, elegante e refinada. No centro do dorso, Kermo havia aplicado um encantamento oculto que aumentava de forma notável a fusão entre a arma e o usuário — algo que surpreendeu tanto Elot quanto Pubar. Elot, em particular, sentia sua fiel espada, companheira de anos, tornar-se subitamente ágil e sensível, quase como se compreendesse suas intenções. Bastava desejar atacar, e a lâmina reagia com precisão, acompanhando o movimento do pulso; a experiência era extraordinária.
Ambos ficaram intrigados sobre o que Kermo teria feito à espada, mas este limitou-se a explicar, com um sorriso, que se tratava de um encantamento mágico — o que os deixou céticos. Afinal, apenas estudiosos de magia de alto nível, superiores aos magistas comuns, seriam capazes de realizar tal feito, e mesmo assim, seria necessário adaptar o encantamento à natureza do objeto. O fato de Kermo aplicar isso à espada de Elot com tamanha facilidade aguçava a curiosidade dos dois sobre o que, afinal, seu líder teria vivido nos últimos três anos. Contudo, Kermo não se alongou em explicações, prometendo apenas revelar tudo quando chegasse o momento oportuno.
A pesada espada parecia leve e ágil nas mãos de Elot. Cada movimento — golpe, estocada, finta, desvio, investida — era executado com precisão e técnica. O som cortante do ar evidenciava o esforço dedicado ao treino. Os anos passados no planalto de Dekan haviam sido valiosos, pois, nos campos de batalha, onde a vida estava em jogo, não havia espaço para floreios; apenas a força garantia a sobrevivência.
“Chefe, esse seu tal encantamento tem mesmo utilidade! Essa velha espada ficou de repente adorável, nunca foi tão fácil manuseá-la. Agora, parece até que ela entende o que penso!” exclamou Elot, eufórico após um treino intenso. Sentia-se tão à vontade com a arma que desejava desafiar alguém, mas Pubar era incapaz de segurar uma espada, e quanto a Kermo, Elot não tinha certeza se o líder ainda dispunha de habilidades marciais.
Kermo, com um leve sorriso, compreendia bem o que passava pela cabeça de Elot. Ele percebia as tentativas, ora disfarçadas, ora explícitas, dos dois de sondar seus segredos. Preferia, porém, manter as coisas nebulosas, sem revelar demasiado — seria melhor para todos.
“Elot, vejo que tens força, mas tua energia interna ainda deixa a desejar. Só pela força, podes ser um guerreiro competente, talvez até excelente, mas para dar o salto da força ao verdadeiro Caminho Marcial, sem dominar a energia interna, tudo não passará de miragem”, ponderou Kermo. Ele sabia que o maior sonho de Elot era ser um mestre das artes marciais, mas havia um abismo entre força física e o verdadeiro domínio marcial. A força podia ser aprimorada com treino, mas alcançar o Caminho exigia talento, um bom mestre e, acima de tudo, evolução da energia interna — o passo essencial para se tornar um verdadeiro mestre.
Elot, ao ouvir isso, sentou-se abatido, respirando fundo antes de responder: “Chefe, falar é fácil. Energia interna não se desenvolve por acaso. Tive até sorte de ter um bom mestre e uma base sólida, mas meu cultivo mal chegou ao nível inicial. Aquilo que mostrei no Salão das Rosas foi meu melhor desempenho. Não esperava que aquele sujeito fosse tão forte; derrotou meu melhor golpe com um simples gesto. Os Cavaleiros de Rema não são celebrados à toa… E ainda senti que ele possuía poderes mágicos, deve ser alguém importante da Igreja da Luz. Pena que meu cultivo é baixo demais para enfrentá-lo.”
A maioria dos guerreiros e soldados dedicava-se basicamente à força e à técnica. Entre os exércitos, poucos superavam esse estágio; cavaleiros tinham mais oportunidades devido à sua posição, especialmente aqueles ligados à Igreja. Para ir além, era preciso talento e oportunidade. Sem um mestre de verdade, nem o maior dom poderia florescer, e sem aptidão, mesmo o melhor professor pouco adiantaria. Muitos cavaleiros, estagnados, recorriam à magia; isso não os fazia avançar no Caminho Marcial, mas permitia que integrassem magia e técnica, obtendo efeitos impressionantes — eis uma das razões pelas quais tantos se aliavam às grandes Igrejas.
A verdade é que, antes de obter aquele espelho de cristal, o próprio Kermo tinha uma compreensão superficial das artes marciais. Seu mestre até lhe transmitira noções básicas, mas, fascinado por magia, Kermo nunca se dedicara de fato. Contudo, um fenômeno peculiar mudou tudo: desde que adquirira o espelho, percebia sua capacidade de absorver conhecimento crescer de maneira impressionante, especialmente após o sono. Sonhava com coisas e pessoas desconhecidas; era como se aprendesse em sonhos ou vivenciasse experiências alheias. Ao despertar, as lembranças se dissipavam, tornando-se vagas, até sumirem com o tempo. Ainda assim, certos saberes germinavam espontaneamente em sua mente, e figuras nebulosas começavam a se delinear. Não sabia quem eram, mas podia recordá-las com clareza.
Foi assim que Kermo passou a compreender as artes marciais: conhecimentos enigmáticos dos sonhos se fixaram em sua mente e, pouco a pouco, ele reorganizou os ensinamentos do mestre em algo mais sistemático. Mesmo ele custava a acreditar nessa estranheza, mas, ao treinar, surpreendeu-se com sua evolução acelerada. Não sabia se era mérito do espelho ou se era um prodígio marcial por natureza, mas, em seu íntimo, preferia a magia.
“Elot, se realmente desejas avançar, talvez eu possa te ajudar. Não sou profundo conhecedor das artes marciais, mas durante meus anos de exílio tive a sorte de receber orientação de um grande mestre”, disse Kermo, sem revelar toda a verdade, sentindo que manter certos segredos seria mais vantajoso.
“É mesmo, chefe? Quem foi esse mestre?” perguntou Elot, radiante, aproximando-se. Seu maior sonho era ser um comandante lendário, mas sabia que, sem habilidades excepcionais, isso era impossível, e, sem interesse por magia, depositava todas as esperanças na técnica. Por essa razão, fora até as fronteiras do reino, desejando que o campo de batalha aprimorasse seu talento. Contudo, o conhecimento de seu mestre era limitado e não podia levá-lo além. Por isso, ao ouvir Kermo, não conteve o entusiasmo.
“Prefiro não mencionar o nome do mestre; foi nosso acordo não revelar sua identidade. Mas posso te garantir que ele é um dos maiores do continente”, improvisou Kermo, notando o ânimo de Elot. Apesar de inventar a história, sentia-se confiante de que seus conhecimentos seriam suficientes para levar o amigo a um novo patamar.
Elot não insistiu. Sabia que grandes mestres costumavam ser excêntricos e, desde que pudesse aprimorar-se, pouco importava quem fosse. Conhecia também a seriedade de Kermo: quando se dispunha a prometer algo, era porque tinha plena confiança.