Capítulo Sete: Ameaças e Seduções (1)
A tênue névoa matinal envolvia o campo. Ao sair da rua esburacada, Commer respirou profundamente o ar fresco vindo do sul. Ugro era realmente uma vila minúscula; não havia mais de oitocentos habitantes vivendo de fato nas ruas do povoado, com o restante disperso em pequenas propriedades próximas, o que conferia ao local um aspecto desolado. À noite, antes mesmo das dez, as ruas já estavam mergulhadas na escuridão. Poucos bares permaneciam abertos além da meia-noite, e, mesmo assim, recebiam apenas alguns habitués e aventureiros.
Commer sentia dificuldade em se adaptar a essa vida calma e solitária. Embora tivesse passado três anos vagando, bastaram poucos meses de volta à cidade de Seplus para reacender nele o gosto pela antiga vida de excessos, repleta de prazeres e agitação. A diferença entre cidade e campo se tornava gritante, principalmente à noite. O vaivém entre a cidade e o exílio, e novamente o regresso, fizeram Commer desgostar da monotonia presente. Preferia mil vezes a chegada de assassinatos, batalhas, intrigas ou desastres a esse cotidiano enfadonho, embora soubesse que precisava se acostumar. Ainda bem, pensava ele, que essa rotina não duraria para sempre.
Os melros chilreavam felizes nos galhos. Apesar de já ser início do inverno, o Cáucaso permanecia verdejante. Doninhas de pelagem dourada e avermelhada surgiam num piscar diante de Commer, deixando um rastro fugaz, enquanto, de vez em quando, ouvia-se o resmungo de um porco-espinho vindo das profundezas do matagal. Ao menos o amanhecer rural possuía um encanto impossível de encontrar na cidade. Caminhando em silêncio pelo campo, Commer suspirava ao recordar o barulho das manhãs em Seplus.
De longe, o som claro de cascos de cavalo se aproximava. Commer reconheceu facilmente que eram dois cavalos bem treinados, de passo ritmado, muito diferentes das montarias inferiores que Pubar havia tomado do bando de Leão. Dois cavaleiros contornaram um pequeno bosque e, à vista de Commer, apareceu um velho aventureiro com quem já cruzara, seguido por um jovem claramente aparentado com ele, usando um chapéu de palha simples, mas de aparência vivaz.
Ao ver Commer sozinho no caminho, o ancião pareceu surpreso. Montar a cavalo era seu passatempo predileto; sair todas as manhãs para um passeio tornara-se seu maior prazer, a ponto de contagiar o filho para a prática.
— Senhor Feudo, o que faz sozinho por aqui? — perguntou o responsável pelo clube dos aventureiros, descendo do cavalo com elegância e destreza, mostrando habilidade adquirida ao longo de anos.
— Ah, bom dia, senhor Hess. Assim como cavalgar é seu passatempo, caminhar é o meu. Gosto de andar sozinho ao amanhecer; isso me revigora para o dia inteiro — respondeu Commer, sorrindo.
Talvez achando estranho o hábito do senhor feudal, o jovem que acompanhava Hess olhou para Commer com certa curiosidade, mas não escondeu o olhar cauteloso.
— Senhor Hess, este é seu filho? — perguntou Commer, analisando o rapaz com interesse; era praticamente uma cópia do pai, apenas mais jovem.
— Sim, este é meu filho, Netuno. Venha, cumprimente o senhor feudal — disse Hess, com um traço de ternura no rosto, pegando as rédeas do cavalo das mãos do filho.
Após algumas palavras de cortesia, Commer conduziu os dois pela trilha. O ambiente tornou-se subitamente mais sério; o experiente Hess percebeu que o senhor feudal talvez quisesse conversar a sós, e fez sinal para o filho seguir adiante, mas Commer interrompeu o gesto.
— Não, senhor Hess, não se preocupe. Já que o senhor Netuno é seu filho, nossa conversa pode ser compartilhada. Já que nos encontramos por acaso, podemos conversar livremente. Na verdade, planejava visitá-lo em breve — disse Commer, afastando galhos do caminho e fitando Hess profundamente.
O jovem diminuiu o passo, curioso para conhecer aquele senhor feudal tão jovem. Segundo o pai, tratava-se de um dândi vindo de Seplus, mas que sobrevivera a ataques de feras na Floresta de Gronelândia — feito nada simples. Ainda assim, ao ver Commer, nada via de extraordinário que justificasse tanta cautela por parte do pai.
— Senhor Hess, quando veio ao Cáucaso tentar a sorte? Ouvi dizer que na Nicósia o senhor era um aventureiro solitário de destaque — perguntou Commer, surpreendendo o interlocutor. Hess deixou transparecer espanto, mas logo o semblante se suavizou pelas lembranças.
— Ah, senhor feudal, a vida do aventureiro é cheia de surpresas e emoções. Para os jovens, é uma profissão cheia de desafios. Se, ao envelhecer, não se tem boas histórias para recordar, que graça teve a vida? É assim que penso. Mas todos envelhecem. Quando o corpo e o vigor já não suportam riscos extremos, é preciso saber recuar. Tenho cinquenta anos e não me convém mais aventuras pessoais. A experiência ajuda a evitar muitos perigos, mas, por vezes, só ela não basta. Por isso, quis usar minha vivência em benefício dos aventureiros, ajudando-os a evitar riscos desnecessários. Esse foi meu propósito ao fundar o clube dos aventureiros — respondeu Hess, tocado talvez pela sinceridade no olhar de Commer, deixando fluir pensamentos guardados.
— Senhor Hess, admirável sua paixão pela aventura. Mas por que escolheu o Cáucaso para instalar o clube? Há algum motivo especial? — indagou Commer, casualmente.
— Ah, senhor feudal, o senhor talvez não saiba. Existem dois tipos de aventureiros: os profissionais, que vivem de explorar e buscar tesouros, e os amadores, que buscam o desafio como um privilégio dos valentes. Nosso continente já abrigou muitas civilizações ancestrais. Embora o tempo as tenha soterrado, vestígios ainda restam: antiguidades, joias, obras de arte, livros, pergaminhos e quadros. Principalmente ouro e pedras preciosas, que resistem ao tempo. Esses são os alvos principais dos aventureiros. E, há quinhentos anos, criaturas mágicas passaram a possuir objetos especiais, tornando-se outro objetivo de cobiça para os profissionais — explicou Hess, ganhando fluência e clareza ao tratar de sua vocação.
— Quanto aos amadores, são atraídos pela emoção do desafio, veem a superação da natureza como privilégio de guerreiros, e triunfar é um prazer especial. Assim, cada vez mais pessoas entram para esse caminho — continuou, sorrindo, imerso no fascínio da profissão. — Talvez o senhor estranhe tanta explicação antes de responder sua pergunta, mas a complexidade do nosso ramo exige mais detalhes.
— O Cáucaso é o feudo mais ao sul da região de Homero, e também do Reino de Nicósia. Ao norte, temos as Montanhas de Volta, separando-nos de Leão. Dizem que essas montanhas são a terra natal dos antigos anões das montanhas, e muitas lendas pairam sobre elas. Ao leste está o Mar Sombrio, com ilhas cercando a costa, onde dragões marinhos aparecem de tempos em tempos, as maiores ameaças aos homens-peixe. Os dragões adoram devorar essas criaturas, ficando com suas pérolas e outros tesouros. Encontrar um ninho de dragão seria uma fortuna incalculável. Ao sul está a terra dos bárbaros, mas, entre ela e o leste, o Grande Desfiladeiro de Puling é um paraíso de feras mágicas, com criaturas das mais variadas habilidades e materiais, o que faz do lugar o sonho — e o túmulo — dos aventureiros. E, claro, o Castelo de Damolensque, sob seu domínio, também é famoso, embora ninguém mais ouse explorá-lo nos últimos anos — Hess concluiu, nostálgico, recordando companheiros ali perdidos. — Diga-me, senhor feudal, quantos aventureiros não seriam atraídos por essas maravilhas? Esse é meu principal motivo para escolher o Cáucaso. Além disso, antes de sua chegada, esta terra não tinha senhor, e o clube não precisava pagar os altos impostos cobrados em outras regiões.