Capítulo Vinte — Fortaleza de Brutus
A prosperidade de Brutus surpreendeu enormemente Cormer, superando todas as suas expectativas. Além do forte, considerado zona militar restrita, uma imensa vila também se erguera ao seu redor. O grau de desenvolvimento era tal que Cormer mal conseguia imaginar como aquelas pessoas haviam atravessado a Grande Floresta da Gronelândia para chegar ali. Contudo, ao avistar o movimentado cais no estuário, com barcos de carga constantemente chegando e partindo, compreendeu o motivo.
Devido às muitas incertezas presentes na Grande Floresta da Gronelândia—mesmo que ataques em massa de bestas mágicas, como o que Cormer e seu grupo sofreram, fossem raros—a maioria das caravanas considerava extremamente arriscado cruzar a floresta por terra. Só o faziam em casos de urgência ou se várias caravanas se unissem, ou ainda se viessem acompanhadas de mercenários fortemente armados ou guarda-costas. Caso contrário, preferiam descer pelo rio Nise até o Mar Sombrio e, dali, navegar para o norte até outros portos da região de Homero. O trajeto, embora mais longo, garantia maior segurança pessoal, pois os piratas do Mar Sombrio raramente se aventuravam além da foz do rio Nise. Isso fez de Brutus o mais importante entreposto de mercadorias de toda a região de Leão.
Imensos baluartes de pedra erguiam-se entre o castelo de Brutus e a vila que crescia ao seu redor. À medida que a vila se expandia, as árvores na orla da floresta foram sendo abatidas e queimadas. Para assegurar uma zona de proteção ao redor do castelo, os comandantes militares do forte haviam, anos antes, desmatado completamente os três quilômetros ao redor da fortaleza. A quinhentos metros da borda da floresta, uma série de baluartes de pedra, em forma de arco, fora construída tendo o castelo como centro, estendendo-se até as margens do rio Nise, nas duas alas do castelo.
No entanto, o ritmo de crescimento da vila surpreendeu os antigos comandantes. Em apenas vinte anos, a população fora do castelo saltou de menos de trezentas pessoas para quase vinte mil. Tal crescimento provava o acerto da decisão de construir os baluartes a dois mil e quinhentos metros do castelo; caso tivessem optado por uma distância mais conservadora, as casas já estariam quase sob as muralhas.
Uma imponente torre fortificada dominava a cabeceira da ampla ponte flutuante, enquanto outra se erguia no cais, ambas ligadas ao castelo por uma longa muralha, larga o suficiente para dez soldados correrem lado a lado. Isso permitia que trezentos soldados se deslocassem do castelo ao baluarte do cais em dez minutos. Não era mais uma simples fortaleza militar. Aos olhos de alguém de Nafran, a função de posto de controle do forte superava a de defesa militar, pois impedia que qualquer caravana escapasse ao controle, ainda que reduzisse o valor estratégico do lugar.
Graças ao título de barão e ao nome de senhor do Cáucaso, Cormer obteve permissão do comandante para visitar o forte. A fortaleza era construída de madeira e pedra; as muralhas e fortificações externas, de pedra aparelhada, enquanto as construções internas eram, em sua maioria, de madeira. Mas o que mais atraía Cormer era o movimentado mercado. Assim que chegaram a Brutus, Pubar se desvencilhou do grupo, arrastando Baolin consigo para levarem as duas carroças de mercadorias e as peles de lobos cinzentos conquistadas como troféu até o mercado. O linho vindo do norte e o açúcar de beterraba tinham excelente saída ali; e embora o lucro não fosse grande, Pubar, sempre atento aos números, não conseguia esconder a satisfação.
O entusiasmo de Pubar aumentou ao ver que, tão logo expôs as peles de lobos cinzentos, ainda cruas e exalando forte odor, atraíram olhares curiosos de todos no mercado. Quem vivia nas redondezas da floresta logo reconhecia o que era, principalmente ao notar as crinas avermelhadas e reluzentes em algumas peles.
— Ora, mas o que é isso? Pelos de lobos cinzentos? Tantos assim?
— Veja só! Não estou enganado, isso parecem ser peles de lobos de crina vermelha!
— Sem dúvida! Olhe a crina eriçada, essa cor natural... Não são falsificações tingidas!
Rapidamente, uma multidão se formou em torno de Pubar e Baolin. Os primeiros a notar o inusitado não foram os comerciantes, mas sim aventureiros e mercenários que perambulavam pelo mercado. Para eles, que viviam sob constante perigo, investir em boas armaduras era questão de sobrevivência. Lobos cinzentos não eram as mais poderosas das bestas mágicas, mas raramente eram vistos isolados; quase sempre atacavam em bandos de dezenas ou centenas. Nem grupos de aventureiros ousavam encará-los. Porém, como monstros do tipo gelo, suas peles ofereciam defesa natural contra magias de gelo e energias sombrias, principalmente as peles dos lobos de crina vermelha. Se bem curtidas, podiam ser transformadas em armaduras de pernas, tórax ou braços de excelente qualidade. Assim, os produtos de Pubar logo chamaram atenção.
Pubar olhava os rostos diversos à sua frente, todos armados, mas não se sentia preocupado. Ali era o único lugar seguro do sul da região de Homero, sob a vigilância absoluta da guarnição de Brutus. Nenhum bandido ousaria agir sob os olhos dos sentinelas das torres; ao sul, atravessando o rio Nise, as coisas já seriam diferentes, e Pubar sabia disso melhor que ninguém. Por isso, precisava vender aquelas peles ali.
As peles causaram verdadeira comoção no mercado. Com tantos aventureiros, mercenários, guardas e fabricantes de armaduras reunidos, um material tão cobiçado teve saída imediata. Um pequeno lote foi vendido num piscar de olhos, enquanto compradores de maior poder aquisitivo foram levados por Pubar à estalagem para negociar pessoalmente. Dezenas de peles comuns de lobo cinzento foram vendidas a dez escudos de ouro cada; as peles completas de lobo de crina vermelha chegaram a cem escudos de ouro cada, e as raras peles de crina roxa alcançaram trezentos escudos de ouro, deixando Pubar extasiado.
O sucesso do grupo de Cormer suscitou até inveja no comandante da fortaleza. Nem todos têm tal sorte: com a ajuda dos Cavaleiros do Relâmpago, podiam ir a qualquer canto do continente. As bestas mágicas são ferozes, mas diante dos Cavaleiros do Relâmpago tornavam-se presas fáceis. Claro, ninguém sabia das circunstâncias exatas; se não fosse pelo auxílio dos cavaleiros caídos, nem mesmo os Cavaleiros do Relâmpago escapariam dos lobos cinzentos, e sem a explosão súbita de Cormer, todos teriam acabado da mesma forma. Esses detalhes, no entanto, não interessavam aos outros, e nem Cormer nem seus acompanhantes desejavam mencioná-los.
Por decisão de Cormer, coube a Pubar e Baolin a tarefa de escolher escravos. Ele pretendia repousar alguns dias em Brutus; o ataque das bestas mágicas e o súbito aparecimento dos cavaleiros corrompidos haviam-lhe mostrado o perigo à frente. Não era covarde, tampouco imprudente: sabia que, sem o auxílio dos Cavaleiros do Relâmpago, dificilmente chegaria ao Cáucaso. Ainda teria de atravessar a conturbada região de Leão, onde perigos desconhecidos o aguardavam. Precisava agir com cautela e se preparar para o imprevisível.
Brutus, vizinho ao mais importante forte e vila da região de Leão, tornara-se refúgio dos nobres de menor escalão, dada a instabilidade local. O conde Boninski possuía ali o mais grandioso solar, um pequeno castelo, só inferior à fortaleza principal. Embora raramente residisse ali, o porte da construção deixava claro: menos de cem mil escudos de ouro não bastariam para erguer algo tão imponente. Ao redor do solar de Boninski, uma série de mansões abrigava os nobres da região. Diante da instabilidade de Leão, preferiam viver ali a permanecer em seus feudos, fazendo apenas visitas mensais sob escolta ou delegando a gestão de propriedades e minas aos intendentes.
O clima de desordem e perigo em Leão estava ligado à riqueza local em carvão e ferro. A extração em grande escala exigia enorme força de trabalho, e os nativos já não supriam a demanda, fazendo dos escravos a única alternativa. Negociantes de escravos de todo o continente afluíam para negociar com os nobres. Humanos, meio-humanos e mestiços eram os mais procurados, e Brutus se tornara o maior entreposto de escravos da região.