Capítulo Catorze: O Recrutamento
O que normalmente era uma taberna tranquila transformou-se subitamente num local efervescente. Até mesmo aqueles que raramente saíam de casa acorreram nos últimos dias às duas únicas tabernas da vila. A taberna do velho Scott era um pouco maior que a do Bill Caolho, comportando confortavelmente trinta ou cinquenta pessoas, mas agora estava apinhada com setenta ou oitenta clientes. O salão, antes espaçoso, tornara-se sufocante. Vendo aquele movimento inusitado, o velho Scott agradeceu de coração ao recém-chegado senhor feudal, cuja proclamação pública trouxera tamanha prosperidade à sua casa — além de muitos escudos de ouro e prata para o próprio bolso.
— Ora, velho Scott, por que aqui também está tão cheio? Achei que seria melhor que no Bill, mas está igual... Me sirva um copo de licor de pinhão — resmungou um comerciante gordo, vestido como tal, enquanto se esgueirava com dificuldade até o balcão, encontrando por fim um banquinho alto para se sentar. — Que está acontecendo? Por acaso estão em festa? O Festival da Colheita já passou, o Ano Novo ainda está longe... sobre o que tanto discutem?
— Ora, senhor Caffley, faz tempo que não aparece por aqui. Acabou de chegar do norte? Trouxe novidades? Aqui está seu licor de pinhão, cinco escudos de cobre — respondeu o magro e alto dono da taberna, o velho Scott, atarefado a ponto de ficar tonto, só então conseguindo dar atenção ao recém-chegado comerciante. — Estão debatendo a proclamação do novo senhor feudal.
— Ah, é? Vocês agora têm um senhor feudal? — o comerciante gordo ergueu o copo, surpreso.
— Pois é, senhor Caffley, o novo senhor veio de Ceprúsia, o barão Comer Lesser. Dizem que é filho do intendente de finanças da cidade de Ceprúsia e goza da plena confiança do duque Filipe. Não sei se já ouviu falar? — O velho Scott, sempre bem-informado, abaixou a voz com um ar de mistério.
— Filho do senhor Ramla Lesser? — O comerciante parecia conhecer o intendente de Ceprúsia, arqueando as sobrancelhas admirado. — Como veio parar aqui? E ainda como barão?
— O quê? Conhece nosso senhor feudal? — O velho Scott logo percebeu a expressão estranha do comerciante. O novo senhor raramente aparecia em público; o próprio Scott só o avistara de longe, já que quem costumava sair eram seus guardas meio-orcs e o intendente.
— Não, não, só ouvi falar dele. Mas afinal, o que fez o senhor feudal para gerar tanta conversa? — O comerciante apressou-se em disfarçar.
— O senhor feudal publicou uma proclamação: está convidando pessoas de todos os cantos do continente, sem distinção de raça, sexo ou idade, para se estabelecerem em Cáucaso. Vai isentar todos os residentes do território do imposto de cabeça por três anos e, aos novos colonos dispostos a trabalhar a terra, concederá um lote de terra equivalente a dez acres, também isento de impostos por três anos. — O velho Scott parecia animado com os lucros trazidos pela iniciativa do senhor feudal e sua opinião sobre ele melhorara muito. — E ainda diz na proclamação: quem trouxer colonos de fora para cá será amplamente recompensado. Isso é novidade! Por isso, todos estão comentando.
— É mesmo? — O comerciante gordo demonstrou surpresa, mas seus pensamentos já trabalhavam rápido. — Há detalhes específicos?
— Sim. Pelo que ouvi, para cada novo colono que permanecer por pelo menos um ano, o senhor feudal promete uma recompensa de vinte escudos de ouro. Não é pouca coisa! — O velho Scott, orgulhoso de suas informações, continuou: — Ouvi do senhor Hess que o senhor feudal quer desenvolver a mina de ferro ao sul, precisa de muita mão de obra, por isso tanta pressa em recrutar gente. Agora todo mundo escreve cartas convidando parentes e amigos a se mudarem para cá. Dizem que ele vai restaurar a estrada de Ugru até Martedan, na costa, e quem quiser se estabelecer como lavrador poderá receber terras ao longo dessa via. É uma oportunidade rara! Já escrevi a um sobrinho distante, perguntando se ele quer vir.
— Esse senhor feudal é bem generoso... Será que é tão rico assim? — O comerciante já começava a calcular como se beneficiar da nova oportunidade, mas disfarçou: — E os migrantes, não importa a raça?
— Se ele é rico, não sei, mas a proclamação diz que não faz distinção de raça. Acho que realmente não liga para isso; seus guardas são quase todos meio-orcs. E há também meio-elfos. — O velho Scott parecia um pouco desapontado com essa postura. Do ponto de vista dele, ainda mais sendo o senhor um nobre, não fazia sentido cercar-se daqueles brutos e tolos como soldados.
— Com licença, senhor, deseja alguma coisa? — O soldado postado diante do portão da fazenda esforçava-se para ser cortês, mas sua voz grave denunciava sua origem meio-orc.
— Oh, gostaria de solicitar uma audiência com o barão Comer Lesser. Sou Caffley, comerciante vindo do norte, e desejo tratar de alguns assuntos com o barão pessoalmente. — Mesmo diante de um soldado meio-orc, o comerciante retirou o chapéu em sinal de respeito, embora não tenha feito a reverência habitual.
Pela primeira vez recebendo respeito, os dois guardas meio-orcs ficaram orgulhosos e animados. Um permaneceu no posto, enquanto o outro, tentando conter a alegria, respondeu:
— Por favor, aguarde. Vou avisar.
Na sala de recepção simples, o comerciante gordo enfim encontrou os lendários Três Lobos de Ceprúsia. O do centro era, sem dúvida, o líder do trio e atual senhor de Cáucaso, o barão Comer Lesser. À esquerda, o jovem magro e pequeno só podia ser Pubo Rukes, da família Rukes. À direita, o robusto rapaz de rosto comprido que brincava com uma grande espada era certamente Ilote Modo, da família Modo.
Parece que os rumores não faziam justiça a Comer Lesser. O comerciante, habituado a viajar por todo o continente, percebeu de imediato que o jovem pálido à sua frente não era alguém comum; seus olhos negros e profundos evidenciavam algo extraordinário. Ao cruzar o olhar com ele, sentiu-se até um pouco aturdido, uma sensação curiosa. O jovem magro, embora inexpressivo, tinha olhos vivos que não paravam de se mover — um indício de inteligência e astúcia. E o rapaz de rosto comprido empunhava uma espada que não era para qualquer guerreiro, sendo claramente uma arma pesada que exigia grande força e habilidade.
— Senhor Caffley, soube que deseja tratar comigo pessoalmente. Em que posso ajudá-lo? — Comer também percebeu de imediato que o homem à sua frente não era um comerciante qualquer. Apesar das roupas banais, o anel de meteorito negro no dedo anelar esquerdo denunciava sua filiação a uma organização comercial secreta do continente Azul: a Sociedade dos Pés Descalços. Embora pouco conhecida e sem grandes mercadores, seus membros estavam espalhados por toda parte, ajudando-se mutuamente em situações de perigo e compartilhando informações e oportunidades de negócio.
— Oh, senhor barão, sou um comerciante da região de Napoli e venho a Cáucaso três ou quatro vezes ao ano. Cáucaso é quase como uma segunda casa para mim. Fico feliz que tenha agora um novo senhor. Ouvi na taberna sobre a proclamação do barão, incentivando a imigração para Cáucaso, com muitos incentivos. Gostaria de saber: Cáucaso pertence ao distrito de Homero, no reino de Nicósia, mas se pessoas de fora do reino quiserem viver aqui, podem fazê-lo e estarão protegidas? — Após felicitar o novo senhor, o comerciante foi direto ao ponto.
— Naturalmente. Embora Cáucaso pertença ao reino de Nicósia, não há lei no continente Azul que proíba a livre circulação de pessoas. Descobrimos novas minas e temos vastas terras por cultivar; por isso, preciso de força de trabalho para tornar Cáucaso próspera. Quem participar desse grande projeto será considerado residente legítimo de Cáucaso e, como senhor, é meu dever proteger seus direitos. — Comer percebeu a intenção por trás das palavras do comerciante, mas diante da necessidade urgente de povoar a região, não hesitou em fazer promessas amplas, apenas usando certa cautela nas palavras.