Capítulo Nove: Intimidação e Persuasão (3)
— Senhor Hésio, o que acha desta grande árvore? — perguntou Kormer, interrompendo repentinamente a caminhada e apontando para uma frondosa árvore perene a cerca de dez metros de distância.
Sem compreender a intenção de Kormer, Hésio seguiu seu olhar. — Oh, esta é uma espécie típica do nosso Cáucaso, a árvore de Águas Tranquilas.
— É mesmo? — Um sorriso enigmático surgiu no rosto de Kormer, que casualmente ergueu a mão e fez um gesto preciso. — Por que me parece mais um pedaço de carvão?
— O quê? — O semblante de Hésio mudou de imediato ao perceber que o gesto do outro era claramente um sinal mágico peculiar. Antes que pudesse reagir, algo estranho aconteceu: uma auréola de luz púrpura e negra se formou entre os dedos de Kormer e, com um leve estalo, transformou-se numa esfera luminosa que voou direto até a árvore, penetrando-a silenciosamente.
Surpreso, Hésio lançou um olhar ao companheiro. Era evidente que ele queria demonstrar poder, mas por que nada acontecia? Hésio sentia uma intensa vibração mágica no ar — um claro indício do início de um feitiço. Teria sido uma tentativa fracassada? Ainda pensava nisso quando um estrondo abafado soou; a casca castanha da árvore de Águas Tranquilas explodiu repentinamente, dando lugar a chamas púrpuras e negras que se espalharam em todas as direções. Incontáveis fagulhas e fragmentos ardentes de madeira voaram, formando uma imensa nuvem em cogumelo que se dispersou pelo chão num raio de quase dez metros.
Petrificado, Hésio ficou sem palavras. O que era aquilo? Seria uma ilusão? Esfregou os olhos, incrédulo diante da cena. Se não fosse pelo cheiro acre dos galhos queimados, teria pensado estar assistindo a uma exibição circense em sonho.
A explosão da árvore assustou as aves da floresta, e um faisão de ventre vermelho cruzou o caminho dos dois. Kormer ergueu novamente a mão, desta vez sem sequer se preocupar em fazer um gesto elaborado. Num instante, Hésio sentiu uma onda de magia no ar e viu o faisão despencar aos seus pés. Ao pegá-lo, percebeu que a ave estava completamente congelada, os olhos ainda abertos, incapaz de fechar as pálpebras.
Hésio arfou, sentindo o corpo inteiro estremecer. Era simplesmente inacreditável: Kormer acabara de lançar um feitiço de fogo e, sem recitar um único encantamento, conjurara em seguida um feitiço de gelo capaz de transformar um faisão vivo numa escultura congelada. Quanta energia seria necessária para trocar de um tipo de magia para outro com tanta facilidade? Hésio, embora um aventureiro experiente, só conhecia truques simples, que não exigiam grande conhecimento mágico. Ver Kormer lançar feitiços avançados sem sequer recitar palavras e com tamanho poder era algo que jamais imaginara, quanto mais presenciado.
Atordoado pela demonstração, Hésio permaneceu em silêncio, os pensamentos paralisados. Não conseguia entender como um jovem nobre como Kormer podia ser um mago tão enigmático.
Batendo levemente as mãos, Kormer sorriu e virou-se para o velho aventureiro: — Então, senhor Hésio, não pensou que viemos voando de Seplos até o Cáucaso, não é? Encontramos muitas novidades pelo caminho, aprendi muito. Não preciso me alongar em detalhes, certo?
O espírito de Hésio estava completamente arrasado. Jamais imaginara que o senhor diante dele fosse um mago de tão alto nível. Não sabia dizer se poderia ser chamado de arquimago, mas sua habilidade superava em muito a de um mago comum — e era impossível comparar a de um simples feiticeiro. O sorriso de Kormer lhe parecia agora o de um demônio satisfeito antes de devorar sua presa, provocando-lhe calafrios.
Hésio permaneceu em silêncio por um longo tempo, refletindo sobre questões difíceis de decidir. Kormer, por sua vez, demonstrava notável paciência e, divertido, agachou-se para arrancar raízes da grama e mastigá-las, apreciando o sabor.
— Meu senhor, gostaria de saber quais são seus planos para o futuro de nosso Cáucaso. Apesar de sua força extraordinária, há problemas em nossa terra que não podem ser resolvidos por um só homem. Se apresentar um plano belo e razoável, acredito que conquistará com mais facilidade o apoio dos habitantes. Antes disso, penso que seria importante, inclusive para mim, que os moradores vissem o senhor residindo em segurança no Castelo de Darmorensk. — A confiança e humildade haviam retornado ao semblante de Hésio, mas suas palavras eram claras: para conquistar o respeito e apoio do povo, a presença do senhor no castelo era inescapável.
— O senhor tem razão — respondeu Kormer. — Podemos encontrar uma linguagem comum, pois temos o mesmo objetivo: tornar o futuro do Cáucaso mais brilhante. Quanto à sua sugestão, vou considerar. O Castelo de Darmorensk é meu lar, meu símbolo de autoridade. Em breve, acredito que receberei todos para um banquete em seus salões.
Sua postura nobre tornava-o ainda mais carismático, e o sorriso caloroso em seu rosto fazia com que Hésio mal pudesse associá-lo ao mago casual e poderoso de instantes antes. Essa discrepância entre aparência e poder despertou uma nova inquietação no coração de Hésio.
Os dias passaram. O novo senhor, além de ter sido visto nas ruas nos primeiros dias, tornou-se uma presença rara. Em seu lugar, destacavam-se o administrador e tesoureiro Pubar, o chefe da guarda e instrutor Ilot e Fran. Pubar dedicou-se inteiramente ao levantamento da população, propriedades e minas do território. Algumas minas com licenças prestes a expirar o deixaram radiante, e, com o tempo, muitos habitantes deixaram de desprezar ou hostilizar o novo senhor e seus acompanhantes, reconhecendo que sua conduta era muito melhor do que os rumores antigos sugeriam.
Os velhos casarões da fazenda, graças aos fundos liberados por Pubar e ao trabalho dos soldados meio-humanos, logo ganharam nova vida. A propriedade, situada no extremo leste de Ugrul, era vasta; além de uma fileira de casas, havia uma grande faixa de bétulas cercadas de arbustos. À beira do bosque, uma pequena cabana isolada servia antes de abrigo ao guarda-florestal, mas agora fora transformada por Kormer em seu salão de estudos.
Com Pubar, Ilot e Fran cuidando dos assuntos cotidianos, Kormer podia dedicar-se plenamente à tarefa de desenvolver o território. Hésio tinha razão: sozinho, seria difícil conquistar a confiança de todos. Não poderia demonstrar seu poder mágico a cada habitante, e, de fato, ainda não dominava completamente a força e as memórias proporcionadas pela estranha pedra de cristal. Por isso, reservava tempo para isolar-se na cabana, mergulhando nos estudos, buscando fundir o conhecimento mágico de seus meridianos com o poder misterioso do cristal.