Capítulo Treze: O Cavaleiro Decaído
Ao adentrar a vasta floresta de Gronelândia, era como se o calor do mundo exterior tivesse sido completamente absorvido por aquela imensidão verde, e a temperatura caía bruscamente, trazendo consigo uma atmosfera sombria. O sol outrora ardente parecia agora pálido, filtrando-se por uma faixa estreita de céu sobre a estrada e tornando o ambiente opressivo. Árvores antigas, colossais e retas, erguendo-se até as nuvens, formavam muralhas escuras de ambos os lados da via, e todos ali sentiam as estranhas e inexplicáveis peculiaridades ocultas na floresta de Gronelândia.
Embora a profundidade da floresta não ultrapassasse duzentos quilômetros, a estrada que ligava a planície de Bussen à região de Leão não era uma rota direta; ela serpenteava, contornando um imenso lago de gelo no coração da floresta, até alcançar o porto fluvial no rio Nysse. Por séculos, quase ninguém ousara atravessar esse mar de árvores desviando da estrada principal. Esta via, por sua vez, fora ampliada e melhorada ao longo de vinte anos, desde uma trilha acidentada, por ordem do rei do antigo Reino de Nicósia, que buscava conquistar Leão. Assim, tornou-se a estrada que hoje conhecemos.
Embora nunca tenha sido uma rota movimentada, era a principal ligação entre Leão e outras partes da província de Homero, utilizada por comerciantes e viajantes. Contudo, com o surgimento de inúmeras bestas mágicas no Continente Azul, a floresta de Gronelândia tornou-se refúgio dessas criaturas. Nem mesmo a grande ofensiva da Igreja da Luz, unindo forças continentais para exterminá-las, conseguiu erradicá-las do bosque; apenas reduziu sua quantidade e perigo com o tempo. Ninguém jamais explorou seus confins para descobrir os mistérios ocultos, mas o fato de as bestas mágicas terem se tornado menos frequentes na estrada era incontestável. Isso, porém, comprometeu a utilidade da via e contribuiu para que Leão e a distante região do Cáucaso se tornassem as áreas mais pobres e isoladas da província de Homero.
Com o desenvolvimento do porto oriental de Leão e a conclusão do canal de navegação no rio Nysse, o transporte fluvial passou a ser a principal rota para mercadorias. A estrada caiu em desuso, sendo substituída por embarques fluviais, seja transportando cargas até o rio ou embarcando diretamente pelo mar. Porém, o transporte aquático era lento, especialmente com os piratas ativos no mar ao leste de Leão, tornando a estrada ainda a escolha para cargas valiosas ou urgentes.
A atmosfera densa e fria parecia drenar a força do sol. Embora os dois cavaleiros já tivessem cruzado aquela estrada anos antes, jamais haviam sentido esse ar de hostilidade perceptível até mesmo aos mais comuns. Não conseguiam identificar de onde provinha tal sensação; apenas alertaram seus companheiros improvisados e rezaram ao deus da luz por proteção.
— Morsen, o que está acontecendo hoje? Sinto-me inquieto, como se algo estivesse prestes a ocorrer. Até o animal está estranho, parece pressentir algo — disse o cavaleiro, enquanto seu cavalo, inquieto, girava no local, nervoso apesar de seus esforços para acalmá-lo.
— Não se preocupe, Pete, você é um veterano de inúmeras missões, não vai se deixar abalar por uma tarefa simples como esta, vai? — respondeu seu amigo, cavalgando ao lado, com um sorriso levemente sarcástico sob uma máscara de metal negro que ocultava metade do rosto, deixando apenas os olhos brilhantes com um toque de ironia.
— Maldição! Não estou nervoso pela missão, mas sinto que algo extraordinário está para acontecer. Você não percebe isso? — replicou Pete, vestido com uma armadura de cavaleiro e capa negra, com uma lança afiada presa à lateral do cavalo, usando também uma máscara peculiar de tom azul-acinzentado, como se feita de madeira especial.
A conversa dos dois chegava sem reservas aos ouvidos de outro cavaleiro à frente, igualmente vestido, com armadura de tom ferro, capa escura e máscara negra, mas distinguindo-se pelo emblema prateado no peito: um anjo trespassado por uma flecha, retratando com realismo a dor e o desespero da morte iminente. Qualquer guerreiro ou cavaleiro do continente reconheceria o símbolo infame do grupo mutante dos Cavaleiros Caídos.
A intuição de Pete era famosa por sua precisão, e o cavaleiro à frente também sentia os estranhos sinais ocultos na floresta. Não temia, pois já havia enfrentado muitos perigos, mas esse sentimento inexplicável o deixava inquieto, como se a ameaça estivesse relacionada à sua missão. Uma sensação de mau presságio tomava-lhe o coração.
A três quilômetros dali, o grupo de Kormer acelerava o passo, pois todos sentiam a diferença na floresta. O céu parecia escurecer, e sons estranhos ecoavam entre as árvores; ao tentar escutá-los, nada se percebia claramente, o que só aumentava a preocupação dos cavaleiros.
O som dos cascos e das rodas era especialmente estridente no caminho sombrio, quando um uivo horrendo, vindo do fundo da floresta à direita, ressoou com clareza assustadora. O cavaleiro frio, até então silencioso, mudou de expressão e avisou o companheiro:
— Grün, isso não é bom. Parece o grito de bestas mágicas, e é como se fossem muitas juntas!
O outro cavaleiro, alarmado, reagiu no mesmo instante:
— Vamos, rápido! Um grande grupo de bestas mágicas está vindo para cá! — E, mal terminou de falar, já galopava à frente em disparada.
O aviso mal chegara aos ouvidos, e os dois cavaleiros já avançavam, seguidos pelo grupo de Kormer, que imediatamente chicoteou os cavalos, fugindo pela estrada, acompanhados pelos criados que, em desespero, batiam nos animais para não ficar para trás.
Kormer sentia claramente as ondas de poder mágico vindas da floresta. Era uma sensação estranha: percebia que não tinha repulsa alguma à energia das bestas mágicas, pelo contrário, sentia-se atraído e confortável, até excitado, o que o surpreendia e assustava. Não compreendia por que, no fundo, seu espírito ansiava por aquela força considerada perigosa, por que se sentia atraído e até compatível com ela.
Não havia tempo para pensar; os rugidos e uivos das criaturas já ecoavam nos ouvidos, e o ar carregado de cheiro metálico se espalhava por toda a região.
— O que está acontecendo? Como pode haver tantas bestas mágicas vindo em nossa direção? Estão nos perseguindo? — exclamou Ilote, com o rosto pálido, revelando estar desprevenido diante do súbito perigo. Bestas mágicas, muitas e de espécies desconhecidas, surgindo justamente no caminho deles? Seria uma punição dos céus? Ilote, que jamais acreditara em retribuição divina, sentia-se perdido.
— Chega, Ilote, não adianta reclamar dos deuses. Já estamos aqui, talvez seja apenas azar, uma migração de bestas mágicas! — respondeu Kormer, com um desejo cada vez mais intenso, sentindo a pedra estranha presa ao peito emitir um calor ardente, como se lembranças ou pensamentos especiais invadissem sua mente. Sequências de imagens nebulosas agitavam-se em seu cérebro, mas ele não conseguia compreender seu significado.