Capítulo Vinte e Dois: Armamento
Bamoli estava profundamente curioso com o grupo que havia chegado naquele dia. Eram sete pessoas, capazes de romper o cerco de uma horda de monstros, algo realmente extraordinário. Embora dois deles fossem renomados cavaleiros de Remá, Bamoli sabia que o senhor de Cáucaso não era alguém fácil de lidar. Diziam que esse sujeito tinha uma reputação considerável em Ceplus, ousando até mesmo atentar contra a jovem duquesa, a favorita do grão-duque. Embora tais atos fossem privilégio dos nobres, era preciso considerar a quem se destinavam; desafiar o grão-duque era algo inédito na região de Homero, mesmo para o filho do tesoureiro. Contudo, aparentemente, ele havia conseguido escapar da punição, ao menos por enquanto, caso conseguisse chegar a Cáucaso e sobreviver lá.
— Senhor Barão, parece que pretende permanecer algum tempo em Brúcia? — A pergunta cortês demonstrava a humildade típica de um cavaleiro.
— Oh, comandante, é verdade, planejo ficar um pouco mais. Pelo que me contou, o caminho pelo distrito de Leão não parece muito seguro; gostaria de encontrar alguns companheiros para a viagem, por isso decidi ficar alguns dias a mais. — Comor respondeu sorrindo, sem motivo para ocultar o plano. O outro recusara seu pedido, e Comor temia que aquilo fosse uma ordem do grão-duque, mas naquele momento nada podia fazer, restando apenas confiar nos desígnios do céu.
— Haha, temo que ficará desapontado. Não costuma haver muitos viajantes de Brúcia para o desfiladeiro de Dálman, talvez alguns por ano. Ao sul do desfiladeiro, seu domínio é vasto, mas a população é escassa. A maioria vive de forma autossuficiente, raramente vão a Leão, menos ainda aqui. As caravanas passam apenas algumas vezes ao ano, sempre em grupos, e neste período será difícil encontrar uma indo naquela direção. — Bamoli cruzou o olhar com o barão, sorrindo. Os olhos escuros do barão pareciam sinistros sob o crepúsculo, talvez fosse apenas uma impressão sua, pensou Bamoli.
— É mesmo? Então só nos resta esperar alguns dias. Se não encontrarmos companhia, teremos de seguir sozinhos. — Comor sorriu com uma expressão afável e inocente.
— Seus homens compraram muitos escravos; tem algum propósito para eles? — Bamoli perguntou cautelosamente, tentando sondar as intenções do outro.
— Sim, ao chegar em Cáucaso, precisarei de alguns ajudantes para coletar impostos. O mercado fora do seu castelo é o ponto mais concentrado de mão de obra, ideal para escolher, por isso mandei que selecionassem alguns para levar, e já iniciar algum treinamento, para que estejam prontos ao chegar. — Comor respondeu sem demonstrar emoções, mas por dentro tentava deduzir os objetivos do interlocutor.
— Ah, entendo. Vi seu mordomo adquirindo muitas armas e armaduras; imaginei que pretendia treiná-los como cavaleiros, hahaha. — Bamoli sorriu abertamente.
— Haha, comandante, está brincando. Se um guerreiro pudesse ser treinado em um ou dois dias, não seria um verdadeiro guerreiro, mas um fantoche de combate. O senhor sabe disso melhor do que eu. — Comor manteve a calma, sorrindo levemente.
Fantoche de combate? Bamoli ficou alarmado e, após observar atentamente a expressão do barão, disse: — Parece que tem algum conhecimento sobre magia, senhor Barão? Está familiarizado com os fantoches de combate?
— Não, não, comandante, está enganado. Apenas ouvi falar desses seres terríveis. Dizem que basta esculpir ou fabricar um corpo humanoide com certos materiais especiais, dotá-lo de poderes mágicos singulares, e assim criar um fantoche de combate capaz de superar um guerreiro real. Foi apenas uma expressão. — Ignorando o olhar inquisitivo do outro, Comor andou pelas muralhas do castelo. Percebeu que o comandante estava muito interessado em seu grupo, atento a tudo, inclusive aos planos de viagem, o que o deixou cauteloso. Tentou sondar se o comandante havia descoberto, através dos cavaleiros de Remá, que ele dominava magia; aparentemente, eles ocultaram essa informação, o que lhe trouxe algum alívio.
Bamoli sentiu-se um pouco mais tranquilo; há coisas que não convém perguntar em detalhes, como sobre os cavaleiros de Remá, cuja vida estava envolta em segredos, mas Bamoli preferia não saber. Seu único desejo era manter-se no cargo de comandante, acumular riquezas e, ao final do mandato, retornar como um pacífico cavalheiro rural.
Ao receber a mensagem dos cavaleiros de Maré, exaustos da viagem, Kent interrogou-os minuciosamente, depois permitiu que descansassem, ficando a sós em seu quarto, mergulhado em pensamentos. Não conhecia os detalhes da missão anterior, mas sabia que o arcebispo estava muito interessado, tendo enviado o senhor Gaia duas vezes para indagar sobre o progresso. Embora não houvesse reprovações, Kent sentia a pressão em cada olhar inquisitivo de Gaia, o que o deixava inquieto. Um ladrão teria realmente roubado algo importante do Sagrado Tribunal? Por que, ao aceitar a missão, o arcebispo e o protetor não mencionaram nada disso? Kent já refletira sobre essas questões várias vezes, mas guardava as dúvidas para si. Agora, bastava identificar quem levara o corpo; o restante não era sua preocupação.
Marco. Ali era a sede do Sagrado Tribunal da Luz, onde ficava uma das três grandes catedrais da Igreja da Luz — a Catedral de Pericles.
— Oh? Capitão Kent, quer dizer que suspeita de um nobre de Nicósia? E ele é um mago? — O confessionário, sombrio, era silencioso. Vidros coloridos antigos filtravam a luz do sol, deixando entrar apenas alguns feixes. O velho de batina branca tinha o rosto magro e rosado, as rugas marcando décadas de experiência, e o olhar límpido encontrava o de Kent como águas cristalinas das montanhas, transmitindo calma e dissipando qualquer dúvida.
— Sim, arcebispo. Trata-se do segundo filho do tesoureiro do grão-duque Filipe de Ceplus. Por desavenças com a jovem duquesa Tereza, filha do grão-duque, envolveu-se em um escândalo, passou três anos exilado e só agora retornou, sendo nomeado senhor de Cáucaso. O período coincide com o de nossa missão, mas aparentemente ele não tem ligação com necromancia, exigindo mais investigação. Contudo, os cavaleiros Green e Maré avançaram nas pesquisas; descobriram que o sujeito esconde muitos talentos, inclusive potencial de mago. Segundo nossas informações, há três anos era apenas um dândi, sem conhecimento algum de magia, mas após três anos tornou-se mago e, em combate contra lobos-cinzentos, usou magia avançada de fogo. Isso não faz sentido, mas ainda não há outras suspeitas; enviei o cavaleiro Jep para Cáucaso, junto de Green, para continuar a vigilância. — Kent relatou calmamente os resultados de sua investigação.
— Hum, capitão Kent, você e seus cavaleiros fizeram um bom trabalho. Imagino que tenha muitas dúvidas, mas ainda não é hora de revelar tudo. Espero que entenda. Esta questão é de extrema importância; embora ainda não haja outros indícios, o fato de alguém tornar-se mago em três anos — mago, não apenas aprendiz — é algo extraordinário no continente, um prodígio raro. Espero que você e seus cavaleiros dêem máxima atenção ao caso, confirmando se há ligação com o incidente. — No rosto do velho de batina branca brilhou por um instante uma sombra quase imperceptível, logo substituída por um sorriso gentil. — Cáucaso não é um lugar comum; esconde muitos segredos. Capitão Kent, você e seus cavaleiros devem ser cautelosos. Se necessário, o senhor Gaia pode auxiliá-los.
— Obrigado pela preocupação, arcebispo. Kent compreende, e agradece ao senhor Gaia pelo apoio. — O capitão Kent fez uma saudação amistosa ao misterioso personagem que permanecia atrás do velho, envolto em vestes cerradas, mostrando apenas os olhos.
Bamoli começava a ficar inquieto; já quase uma semana havia passado, e o sujeito ainda não dava sinais de partida. Seus subordinados, por outro lado, haviam transformado o treinamento dos escravos em um espetáculo de ensinamento de normas e práticas de sociedade civilizada. Segundo os sentinelas, logo ao amanhecer, os dois criados e amigos do barão levavam os escravos de origens diversas à beira da floresta para aulas de etiqueta e civilidade, alegando que, ao chegarem à sociedade civilizada, não saberiam portar-se, prejudicando a imagem do barão.
Bamoli não acreditava; uma massa de escravos poderia realmente tornar-se cidadãos livres? Etiqueta e civilidade, seriam necessárias treinar em lugar tão isolado? Estava certo de que o barão percebia o perigo, tentando confiar naqueles escravos rudes e grosseiros para defendê-lo. Era um absurdo imaginar que, em poucos dias, um grupo que nunca tocara em armas pudesse tornar-se guerreiros, ainda que de baixa categoria.
Bamoli apenas desejava que partissem logo, para que pudesse concluir sua missão e desfrutar tranquilamente dos dias de paz.
— Avançar, cortar! Empurrar, perfurar! Bloquear! Muito bem, mais uma vez!
— Avançar, perfurar! Retirar, perfurar de novo! Muito bem, atenção ao ângulo, repitam o movimento. Seu objetivo é perfurar, perfurar e perfurar, até derrubar o inimigo!
Na clareira junto à floresta, Fran e Paul exigiam rigor dos escravos, todos suando em bicas e repetindo cada movimento. Aqueles dias de treinamento já haviam rendido algum progresso; os escravos conseguiam, ainda que com esforço, seguir as ordens com precisão, mas alcançar o padrão ideal parecia impossível. Armados de escudo redondo de ferro revestido de carvalho, mostravam certo aspecto de tropas regulares, o escudo rodando com força, mas, após repetidas ações, era evidente que estavam longe de ser soldados de verdade.
Os dois arqueiros também não apresentavam resultados satisfatórios. O mestiço de sangue élfico, chamado Corbit, mostrava talento nato, usando o arco curto de carvalho comprado por Pubber com grande destreza, mas o outro, um simples humano, decepcionava a todos: enquanto Corbit disparava cinco flechas por minuto, o outro conseguia apenas uma. O tempo já não permitia mais demora a Comor e seus companheiros.
— Senhor, vai partir em breve? — Fran perguntou em voz baixa por trás de Comor.
— Sim, não há escolha. Um dos cavaleiros de Remá já foi embora; o outro aguarda notícias, mas não quer nos acompanhar. Quem sabe o que estão tramando? De qualquer forma, não querem seguir conosco. — Comor, sem olhar para trás, observava atentamente o treinamento dos escravos.
— Quando pretende partir, senhor? — Fran hesitou. — Não sei quais são seus planos, mas se espera que esses poucos possam proteger você como mercenários ou guarda-costas, temo que se decepcionará.
— Fran, entendo sua preocupação, mas as coisas nem sempre são tão simples. Contratar mercenários ou guarda-costas poderia trazer mais problemas. Há fatos que você desconhece, por isso seu julgamento é baseado nos costumes. Os bandidos da região de Leão são audaciosos, mas, segundo sei, a maioria são escravos fugitivos e vagabundos, de grupos pequenos, nunca atacam grandes minas protegidas por tropas privadas. Arriscar é inevitável. Mas, tendo escapado da horda de monstros e dos cavaleiros caídos, talvez a deusa da sorte esteja ao nosso lado. — Comor virou-se, com um sorriso enigmático nos lábios. — Só saberemos o desfecho depois que tudo acontecer.