Capítulo Dezoito: Uma Nova Perspectiva

Destino Místico dos Céus Raiz da Sorte 2968 palavras 2026-02-07 12:28:26

O coração de Cormo se aqueceu. É nos momentos de perigo que se conhece os verdadeiros sentimentos, pensou ele. Embora, para si, aquilo não fosse exatamente um momento de perigo — muito pelo contrário, era uma libertação imensa —, na mente das pessoas comuns, o Cáucaso era realmente um lugar habitado por demônios. Ilhot ter dito aquilo já era muito significativo; o que mais poderia ele dizer? Desobedecer à ordem do senhor feudal era crime de fogueira segundo as leis do reino, e os cúmplices partilhavam a mesma culpa. Ambos sabiam disso muito bem.

Fazendo um gesto com a mão, Cormo impediu que Pubar falasse e, com um tom incrivelmente leve, disse:
— Hehe, reconheço a intenção de vocês dois, mas por que eu fugiria? A vida de exílio é cheia de cores, mas já a vivi por mais de três anos, e já me basta. Não quero mais viver escondido. Já que Sua Graça o Duque quer presentear meu pai com uma terra fértil — e esta será repassada a mim —, como poderia recusar tamanha generosidade?

— Uma terra fértil? Cormo, você enlouqueceu? Não me diga que não sabe o que é o Cáucaso! — Pubar e Ilhot exclamaram em uníssono, incapazes de se conter.

— Ninguém ousa ir para lá, exceto condenados à morte e hereges. Nunca ouviu falar das histórias de lá? Cinquenta anos atrás, o visconde Burke foi exilado e morreu em dois meses. Vinte anos atrás, o barão Faiez foi para lá e foi morto por uma turba antes de completar três meses. Dez anos atrás, o barão Hawkins enlouqueceu em uma semana e até hoje está num hospício. Até mesmo os cavaleiros e magos enviados pelo velho Duque para investigar retornaram sem jamais querer falar sobre o assunto. Você acha que isso é um jogo ou uma brincadeira? Ou pensa que é um deus onipresente? — Pubar, já não contendo a raiva, gritou.

— Pubar, acalme-se. O Cáucaso não é tão assustador quanto vocês pensam. Lá vivem milhares de pessoas, e todas sobreviveram bem até hoje, não? — Cormo recostou-se suavemente na cadeira, semicerrando os olhos enquanto olhava para o rio pela janela. — Já estive lá, não só estive como passei dois dias. É um lugar isolado, sem dúvida, mas não é uma terra selvagem. O belo Castelo Damolensko ergue-se imponente; embora um pouco decadente, não perdeu sua majestade.

O semblante de Pubar e Ilhot finalmente se acalmou. Trocaram um olhar e, por fim, Pubar, após respirar fundo, falou com solenidade:
— Chefe, você já esteve no Cáucaso? Entrou no Castelo Damolensko? Já ouviu as lendas de lá?

Diante da pergunta dos amigos, Cormo hesitou. É claro que conhecia o Castelo Damolensko. Embora não tenha entrado, ficou fascinado por sua arquitetura magnífica ao passar por ali. As inúmeras lendas estranhas e contraditórias foram justamente o que o atraíram até lá. Mas é claro que não ousou entrar, nem mesmo se aproximar. Um lugar que todos evitam há décadas certamente não é auspicioso. Se entrasse sem cautela, poderia ser o próximo a acabar num hospício, e Cormo não era tão autoconfiante assim.

— Naturalmente, não entrei no Castelo Damolensko, mas conheço algumas histórias. As versões são muitas e variadas, e talvez ninguém de fora consiga explicar o que realmente aconteceu ali. Para descobrir, só indo pessoalmente. Mas não tenho tanta coragem. O castelo é famoso no reino, certamente há algo especial ali para provocar tantas especulações. — Cormo ponderou, respondendo com cautela. — Talvez seja justamente por causa dessas lendas que a curiosidade das pessoas é infinita. A curiosidade sempre foi o motor da conquista do desconhecido pela humanidade.

Diante dessa resposta, Pubar e Ilhot ficaram em silêncio. Estava claro que seu líder estava decidido a tentar a sorte naquela terra de demônios. Talvez mais de três anos de exílio tivessem cansado Cormo da vida errante, a ponto de aceitar ir até mesmo para um lugar tão temido quanto o Cáucaso. Os dois não encontraram argumentos para dissuadi-lo.

Vendo os amigos trocarem olhares de incompreensão, Cormo sorriu levemente.
— Pubar, Ilhot, não é que eu queira ir para o Cáucaso. A situação é essa. Não tenho escolha. E não acho que seja tão terrível quanto dizem. O Duque está concedendo uma terra à família Reisser — algo inédito, já que não temos grandes méritos. E ainda por cima, o feudo será passado a mim, apenas um filho bastardo prestes a realizar a cerimônia de maioridade. Como poderia recusar tamanha honraria?

Ilhot fitou atentamente o rosto sereno de Cormo:
— Chefe, então você sabe qual é a intenção do Duque?

Virando o rosto, Cormo fixou o olhar e respondeu, após um longo silêncio:
— Como não saberia? Quem envolvido nisso não saberia? Mas todos dizem que o Duque está honrando a família Reisser, favorecendo meu pai. Heh, mas vejam só, quem recebe esse presente sou eu. Que sorte a minha, não?

Após uma breve pausa, Cormo olhou rapidamente em volta e, vendo que ninguém prestava atenção, baixou a voz:
— O Duque provavelmente ainda está ressentido pelo que aconteceu há mais de três anos. Talvez fôssemos mesmo ingênuos demais na época. Agora, se eu não aceitar, nossa situação pode ficar ainda mais perigosa. Aqui em Cépolus, se alguém quiser nos fazer desaparecer, é mais fácil do que esmagar um mosquito. Por que esperar a morte? Se for para morrer, prefiro arriscar. No Cáucaso, ninguém reina absoluto, talvez eu tenha uma chance.

Ilhot e Pubar ficaram em silêncio. O chefe sabia há muito tempo que tudo não passava de uma armadilha para se livrar dele. Mas, como disse, se não aceitasse, talvez ele e até mesmo os dois amigos tivessem destino ainda pior. Poderiam ser encontrados mortos, afogados em estado de embriaguez, ou simplesmente desaparecerem sem que ninguém em Cépolus se importasse.

O ar se encheu de melancolia e opressão. Mal haviam se reencontrado e já teriam de se separar. Os três amigos de infância sentiam um amargor impossível de expressar. A realidade era dura: quem faz, deve assumir as consequências. As regras parecem justas, mas só resta ao forte tentar mudá-las.

— Chefe, por que não vou com você? Tenho algum talento, posso ser seu guarda-costas. De qualquer forma, também vou fazer a cerimônia de maioridade em breve. Minha mãe disse que me dará dinheiro, pediu para eu não entrar no exército e ficar aqui em Cépolus. Mas quanto tempo mais essa vida vai durar? Como você disse, melhor buscar algo novo. Talvez eu consiga ser alguém fora daqui. Decidi: vou com você para o Cáucaso! — A firmeza de Ilhot deixou claro que a decisão estava tomada. Após um momento de silêncio, ele virou-se para Pubar. — E você, Pubar?

Sempre cabisbaixo, Pubar ergueu devagar o rosto, uma leve cor subiu-lhe às faces pálidas.
— Se o barão precisar de um administrador ou tesoureiro, Pubar se dispõe ao serviço!

A mudança repentina dos dois surpreendeu Cormo, que recusou veementemente:
— Não, isso não é uma boa ideia. O Cáucaso não precisa de vocês. Vocês têm sua própria vida. O destino me leva para lá, mas isso não significa que vocês também devem ir.

Desta vez, Pubar foi o primeiro a responder:
— Chefe, não é uma decisão por impulso. Eu e Ilhot estamos diante do mesmo dilema que você: a maioridade, e depois continuar em Cépolus. Nós dois também nos envolvemos no incidente de três anos atrás, estamos igualmente em perigo aqui. Se algum dia o Duque decidir se lembrar de nós, estaremos em apuros. Além do mais, como você disse, o Cáucaso não é o inferno. Melhor ver o mundo lá fora do que vegetar nesta cidade. Já que você será o senhor de lá, vai precisar de alguém para cuidar da administração e da sua segurança. Quem melhor do que nós?

Diante do olhar decidido dos dois, o coração de Cormo, outrora de pedra, cedeu um pouco. Não gostava desse tipo de sentimento sincero. Sendo amigos, não queria arrastá-los para o perigo. Mais de três anos de exílio o acostumaram a trocas de interesse. Sentia-se confortado por tamanha lealdade, mas também perturbado pelas dúvidas que ela trazia.

— Vocês dois estão decididos?

— Estamos. É nossa decisão.
— Sim, talvez possamos experimentar uma vida nova. Melhor do que desperdiçar os dias em Cépolus.

A resposta resoluta dos dois fez Cormo, após longa reflexão, tomar sua decisão:
— Muito bem, irmãos. Não direi mais nada. As coisas não são tão terríveis quanto dizem. Acredito que, juntos, poderemos trazer ao Cáucaso, essa terra maldita, o brilho que ela merece.