Capítulo Dezoito: Versalhes (1)

Destino Místico dos Céus Raiz da Sorte 2117 palavras 2026-02-07 12:28:41

— Senhor Barão, embora o Cáucaso, na verdade, não seja tão assustador quanto a maioria imagina, ainda existem muitos fatores que fazem pessoas comuns temê-lo como uma rota perigosa. Por exemplo, ao sul, os bárbaros mantêm relações hostis com os humanos; a leste, no mar, não apenas dragões perversos rondam, mas o que mais amedronta é o rumor de piratas frequentemente desembarcando. Nas montanhas ao redor, diversas bestas mágicas são avistadas. E quanto ao seu castelo, o Castelo de Damolensk, é ainda mais temido; só de mencionar seu nome, muitos sentem calafrios. Dizem que a morte misteriosa de cada senhor esteve relacionada a ele. Espero que possa desistir desse castelo e manter-se o mais longe possível dele — ao falar do Castelo de Damolensk, mesmo os comerciantes habituados a viajar pelo Cáucaso não escondiam seu receio.

— Agradeço sua preocupação. Acha realmente que sou alguém imprudente? Fique tranquilo, não vou me meter em encrenca sem ter absoluta certeza do que faço — respondeu Kormer, sorrindo e dando um tapinha no ombro do interlocutor.

— Senhor Barão, somos parceiros de negócio, ainda temos um longo caminho de colaboração pela frente, e não gostaria que algo lhe acontecesse — disse Kafli, um tanto apreensivo diante da confiança de Kormer e percebendo que ele não tinha a menor intenção de abandonar o castelo temido. Contudo, sabia também que o barão guardava muitos mistérios, especialmente após saber que ele repelira o ataque da alcateia de lobos cinzentos, sobrevivera à emboscada dos Cavaleiros Caídos e escapara da perseguição da quadrilha de Leão.

— Fique tranquilo, senhor Kafli. A História mostrará que nossa parceria foi uma escolha absolutamente sábia. Agora, concentremos nossos esforços em convencer os oficiais do reino. Sem a aprovação deles, nosso plano de atrair novos habitantes talvez nem consiga sair do papel — Kormer desviou o assunto com um sorriso.

— Quanto a isso, senhor Barão, não há motivo para grandes preocupações. Conheço os oficiais de Jazair muito melhor do que o senhor. Contanto que haja dinheiro, nada é impossível. Além disso, nosso plano não fere os interesses do reino. O Cáucaso é pouco povoado, precisa de mão de obra. Como senhor local, é sua responsabilidade fomentar o desenvolvimento econômico e o aumento da arrecadação de impostos, o que permitirá pagar mais tributos ao rei. Atualmente, os refugiados estão retidos nas regiões fronteiriças, e com o inverno se aproximando, corremos o risco de uma catástrofe humanitária. Creio, portanto, que não haverá grandes obstáculos. Os oficiais apenas emitirão um decreto facilitando o trânsito dos refugiados. Contudo, eu gostaria que o senhor aproveitasse a oportunidade para fazer amizades entre os altos funcionários e nobres do reino; isso poderá ser-lhe útil no futuro — Kafli não se preocupava com essa questão, pois era uma situação de benefício mútuo, e ninguém seria tolo o bastante para se opor.

— Oxalá seja assim. Contudo, o arquiduque Filipe talvez não queira ver isso acontecer — ponderou Kormer, preocupado.

— E é exatamente por isso que o senhor está indo a Jazair: para eliminar os obstáculos impostos pelo arquiduque Filipe. Porém, Filipe também tem muitos inimigos em Jazair, até mesmo Sua Majestade o Rei não lhe tem grande apreço, e as forças aliadas à Igreja da Luz o detestam. Se souber explorar bem a situação, certamente alcançará um bom resultado — Kafli, que conhecia a fundo a realidade de Jazair, falava com convicção.

— Entendi. Agradeço sua orientação.

O planalto de Bussen, agora em época de entressafra, revelava-se um tanto desolado. A carruagem avançava velozmente pela estrada principal. Seguindo pelo planalto de Bussen a noroeste, entrava-se nas terras do duque Zélin, outro grande nobre do Reino de Nicósia. A topografia ali era tão plana e fértil quanto a de Bussen, tornando-se também o celeiro do império. Por centenas de léguas, o vasto planalto passava rápido diante dos olhos. Após dias de viagem, finalmente avistaram, ao longe, entre bosques de bordos dourados nas colinas, um conjunto de edifícios: a Vila de Caça de Versalhes, a predileta de Sua Majestade.

Após quase um século de desenvolvimento, Versalhes, situada ao sul de Jazair, deixara de ser uma pequena propriedade rural para tornar-se uma das vilas de caça mais célebres de todo o continente azul. O rei frequentemente recebia ali nobres, ministros e embaixadores estrangeiros para banquetes e festas regadas a vinho e prazeres. As damas, por sua vez, ou se encontravam secretamente com amantes nos inúmeros aposentos ou se reuniam em frenéticas sessões de jogo, enquanto os nobres, não raro, traziam jovens efebos para se divertirem. Caçadas a ursos e cervos, bailes de máscaras, jogos sensuais, banhos nus em fontes termais, duelos de nobres: havia até uma pequena arena, onde não apenas feras se enfrentavam, mas também homens e bestas, ou gladiadores entre si. Essas cenas, repletas de excessos, compunham o espetáculo diário da corte, ecoando na história. Para os nobres e ministros, ser convocado pelo rei nesse lugar era motivo de honra, mesmo que custasse fortunas.

Mas esse esplendor pertencia ao passado. Nos últimos vinte anos, as guerras ao norte consumiram enormes recursos do reino devido às invasões anuais dos orcs. Até mesmo Sua Majestade precisou contrair dívidas com grandes comerciantes e agiotas para manter o reino. O pagamento das pensões aos soldados mortos era suficiente para exaurir o ministro das finanças, mas diante da ameaça dos orcs, ninguém ousava negligenciar a defesa. Sem os soldados nas fronteiras do norte, quem dormiria em paz à noite?

Com a exaustão dos cofres reais, reformas tornaram-se inevitáveis. Foi promulgado o Edito de Utrecht, declarando que todos os senhores feudais, antes de tudo, eram vassalos do rei, e só depois dos grandes senhores locais. Qualquer senhor, de qualquer patamar, devia garantir o pagamento de tributos ao centro do reino. Essa medida provocou forte oposição dos antigos grandes senhores, mas, com a intensificação da guerra no norte e o aumento dos gastos militares, eles acabaram aceitando. Já os nobres do sul continuavam relutantes, obrigando os senhores menores a navegar com cautela entre os interesses dos grandes senhores e os do rei.

Para economizar, as atividades de lazer da vila de caça foram drasticamente reduzidas, e o próprio rei passou a visitá-la com menos frequência. Nos fins de semana e feriados, contudo, Sua Majestade ainda apreciava passar ali algum tempo, pois, como soberano, também precisava de lazer e descanso.

Tudo isso Kormer soubera por meio de Kafli durante a viagem. Ficou curioso, pois, embora um comerciante devesse conhecer certas realidades da capital, não era comum encontrar alguém tão bem informado quanto Kafli. Contudo, como o próprio relutava em falar sobre sua origem, Kormer preferiu não insistir.