Capítulo Onze: A Mina de Cristal Mágico
— Chefe, neste período, levei alguns homens comigo para percorrer diversos lugares e realizei uma pesquisa sobre a população. Descobri que nossa população no Cáucaso deve ultrapassar muito os cinco mil habitantes. Entre eles, há muitos que vivem afastados de Ugrol e de outros lugares, nas florestas das montanhas e nos campos. Em sua maioria, são escravos fugitivos da região de León, que não suportaram os maus-tratos dos donos das minas de lá e vieram para o Cáucaso. Durante minhas averiguações, eles já enviaram representantes para conversar comigo, na esperança de que o novo senhor lhes conceda o status de homens livres. Se atenderes a essa condição, eles estão dispostos a jurar fidelidade e a fazer qualquer coisa pelo senhor.
Poubèr vangloriava-se animado dos resultados que conseguiu nesse tempo, seu rosto transbordando de entusiasmo. — O número deles gira em torno de mil, todos escravos que fugiram ao longo dos últimos vinte anos. Se pudermos conceder-lhes uma identidade legal, serão os primeiros nativos a jurar fidelidade ao chefe, como você. Embora a maioria seja composta por meio-humanos e mestiços de meio-humanos, isso nos dará força de trabalho e recursos militares em abundância, caso decidas expandir tua guarda pessoal.
— Ora, isso é realmente uma boa notícia. Onde vivem essas pessoas? — Comor sentiu uma alegria interior. O número de residentes legais no Cáucaso não passava de quatro mil, então, se de repente mais de mil pessoas jurasem lealdade a ele, sua influência sobre a região aumentaria substancialmente. Além disso, sua ambição não se limitava a esses poucos milhares de habitantes; em sua visão, o Cáucaso deveria tornar-se tão próspero quanto a Planície de Busen, um território famoso e rico em todo o Reino de Nicósia. Ele próprio desejava ser lembrado como a lenda que revitalizou o Cáucaso — era esse o seu verdadeiro objetivo.
— Eles vivem principalmente nas áreas baixas ao sul das Montanhas Volt, caçando, cortando madeira e desbravando terras. Como nunca receberam identidade legal, evitam aparecer em público. Mas, para sobreviver, lidam com alguns comerciantes de confiança. Meu contato com eles foi feito por intermédio de um desses comerciantes.
Poubèr sentia-se orgulhoso de sua iniciativa. Em todo o continente, a fiscalização sobre escravos fugitivos era rigorosa e obter documentação legal era quase impossível. Os donos das minas de León sabiam que muitos escravos haviam atravessado as densas Montanhas Volt rumo ao Cáucaso. Mas, primeiro, o Cáucaso nunca teve um senhor oficial; segundo, sempre foi uma terra amaldiçoada pelos demônios, infestada de monstros nas florestas, e a Fortaleza Darmolensk era um dos lugares mais temidos do reino. Mesmo que quisessem, os senhores das minas não tinham meios para capturar os fugitivos, talvez porque o custo da busca superasse o valor de um escravo. Como escravos não faltavam no continente, os donos das minas de León, além de reforçar a vigilância, nunca cogitaram caçar fugitivos no Cáucaso.
— Porém, chefe, mudar o status de um escravo já é tarefa árdua, e para esses fugitivos obterem identidade legal será difícil demais. Sem um decreto real, escravos fugitivos não podem ser reconhecidos formalmente, e não se trata de um ou dois, mas de mais de mil. Se o rei concedesse anistia facilmente, os comerciantes reagiriam com veemência. Portanto, a condição deles é bastante delicada — explicou Poubèr, frustrado. — Embora estejamos longe do centro do reino, não é possível esconder de todos que tantos escravos se tornaram de repente cidadãos livres do Cáucaso. Basta que os donos das minas de León denunciem ao grão-duque ou ao rei e estaremos em apuros.
— E daí? Aqui nas montanhas do Cáucaso, quem manda somos nós! Mesmo que lhes demos identidade de homens livres, o que podem fazer? — gritou Ilote, rude. — Que tal forjarmos algumas identidades de homens livres e deixarmos que essas pessoas assumam nomes falsos? Assim todos ficam satisfeitos!
Ao ouvir tais ideias, Fran ficou boquiaberto, sem palavras por um bom tempo. Não esperava que esses jovens de origem nobre se expressassem com tamanho descaramento, ignorando por completo as leis e regulamentos do reino e discutindo abertamente temas como o poder distante do rei, falsificação de documentos e usurpação de identidades — assuntos mais próprios de ladrões e foragidos. E o senhor feudal, ao que parecia, não demonstrava nem repulsa nem desagrado; ao contrário, mostrava até interesse, o que Fran achou simplesmente inacreditável.
— Isso mesmo, Ilote tem razão. Podemos falsificar alguns documentos e entregá-los aos escravos fugitivos que desejam ser livres, permitindo que, por ora, vivam à luz do dia. Quando as condições forem mais favoráveis, procuraremos outras soluções. Esse problema é fácil de resolver. Quando estudei em Fênix, conheci alguns especialistas nesse tipo de serviço — são hábeis, confiáveis e zelam pelo sigilo, jamais traem seus clientes. Podemos usar seus talentos para esse fim, claro, desde que os documentos estejam assinados e selados pelo senhor feudal para terem validade — disse Poubèr, todo animado. Comor mal podia imaginar o que esse sujeito fez durante os anos em que seu pai o enviou a Fênix; talvez até integrasse algum grupo de vigaristas, pois a cidade era famosa pela quantidade de trapaceiros.
Comor concordava que essa era uma solução simples e prática. No Cáucaso, a mão de obra era escassa, as terras permaneciam abandonadas e as estradas, entupidas. Ninguém de fora se interessava em vir para cá. Nessas circunstâncias, sustentar seu próprio grupo já era um desafio, quanto mais enriquecer. Para encontrar um caminho para a prosperidade, seria preciso correr riscos. Afinal, nem mesmo o título de senhor feudal ele obtivera de modo convencional, então, por que não apostar alto? Se as coisas desandassem, que fosse, ao menos teria tentado.
— Ah, há outra coisa que preciso te contar. Descobri a identidade do comerciante de cereais. Esse tal de Kudam é o principal fornecedor dos piratas do Mar Sombrio a leste. Ele compra grandes quantidades de grãos e bens de consumo na Planície de Busen e os armazena em Matdan, deixando apenas uma pequena parte em Ugrol. Em Matdan, a maioria dos habitantes é autossuficiente e raramente consome tantos cereais, sal ou outros produtos, mas ele importa enormes volumes a cada mês ou dois, especialmente verniz adquirido em grande quantidade em Seprus. Ora, aqui no Cáucaso, não temos fábricas de móveis nem estaleiros. Para onde vai tanto verniz? É claro que é para os piratas do Mar Sombrio. Muitos aqui sabem quem ele é, mas, como conta com o apoio dos piratas, ninguém ousa desafiar — relatou Poubèr, detalhando tudo com precisão.
— Sim, isso faz sentido. Minhas informações vão na mesma linha. Mas Kudam não é bem-vindo em Ugrol, basta ver a atitude de Hess. Além disso, o Cáucaso não é esse marasmo que imaginávamos. Há muitos que anseiam por uma vida melhor e estão insatisfeitos com a miséria. Querem alguém que os lidere fora dessa situação, sejam camponeses ou caçadores mestiços. Todos aguardam por dias melhores. Onde houver esperança, haverá motivação. E agora é nossa vez de usar isso a nosso favor — Comor assentiu. Desde que voltara de sua meditação, percebia que sua mente estava mais aberta e lúcida, e questões antes impensáveis agora fluíam naturalmente de seus lábios, surpreendendo até a si mesmo.
— Então, chefe, por onde pretende começar? — Poubèr foi direto ao ponto, pois todo início é difícil.
— Minha ideia é agir em várias frentes ao mesmo tempo. Hess já demonstra certa disposição, e pretendo continuar a conquistá-lo. Afinal, não temos conflitos fundamentais de interesse. Seu filho, Neptuno, é um jovem cheio de energia, e podemos usar isso. Com seu apoio, poderemos abrir caminho em Ugrol. Quanto a Kudam, podemos nos entender com ele, desde que os piratas não desembarquem por aqui. Sua influência é maior na região costeira de Matdan, então cada um cuida de seus próprios assuntos. Talvez, em certas ocasiões, possamos até colaborar.
— O Cáucaso cobre centenas de léguas, separado da região de León apenas pelas Montanhas Volt e vizinho às terras dos bárbaros. De um lado, temos o principal centro de produção de ferro e carvão; do outro, minas de minerais raros famosas em todo o continente. Será que o Cáucaso, entre esses dois territórios, ficará de mãos vazias? Não acredito que o Criador seja tão mesquinho. Poubèr, ouvi dizer que nestes tempos tens explorado a região; espero que não nos decepciones — disse Comor, olhando para seu intendente com um sorriso enigmático.
— Chefe, tenho que admitir que és impressionante. Mal voltaste e já descobriste até quantas vezes fui ao bordel este mês. Sim, consegui algumas pistas, mas nada muito animador. Temos algumas minas em nosso território, mas são pequenas e comuns, rendendo pouco. Todas pertencem, desde vinte anos atrás, ao barão Fayez, que obteve as concessões na época. Felizmente, este ano elas expiram, e eles virão procurar-te para renovar. Será uma ótima oportunidade para pressioná-los — resmungou Poubèr, esfregando instintivamente o grande nariz no rosto magro. — Fizemos também novas descobertas: a oeste, perto da fronteira com os bárbaros, há dois veios de minério valiosos. Um é uma mina de ferro de alta qualidade, com reservas enormes e de excelente pureza, segundo o prospector de Brús que contratamos. O outro fica próximo à orla dos pântanos, numa colina junto ao rio; segundo o anão, há grandes chances de ali existir uma mina de cristais mágicos.