Capítulo Dezessete: Domínio
Kormer sentou-se silenciosamente no quarto, cruzando as pernas e repousando as mãos suavemente entre elas, com as palmas voltadas para cima. Seu corpo ereto e a expressão solene em seu rosto indicavam que não estava descansando, mas sim mergulhado em um estado peculiar de meditação. Com os olhos fechados, ele permitia que sua mente vagueasse pelo infinito céu, enquanto um fluxo sutil de consciência parecia deslizar lentamente ao longo de sua cabeça, percorrendo cada parte de seu corpo com delicadeza. Uma sensação indescritível emergia, algo impossível de traduzir em palavras. Parecia como se ele se transformasse em vapor, flutuando livremente pelo espaço, explorando cada recanto do firmamento.
O quarto estava impregnado por uma aura singular, como se todo o ambiente fosse envolto por uma atmosfera estranha. Uma névoa suave emanava do corpo de Kormer, girando e se dissipando lentamente pelo cômodo. A luz parecia distorcida, surgindo com reflexos caóticos; o sol brilhante lá fora, ao atravessar as janelas, ganhava um tom azul-esverdeado, aprofundando-se cada vez mais. Se alguém entrasse naquele instante e testemunhasse tal cena, poderia pensar que havia adentrado um espaço espectral, um domínio acessível apenas aos espíritos atormentados. Esses seres, dotados de um vestígio de consciência, só poderiam transitar entre dimensões com a força de um anfitrião poderoso. Fenômenos assim são raríssimos, talvez ocorram apenas uma vez em várias décadas.
Com o tempo, a névoa se dissipou, sumindo como uma bruma sobre a cabeça de Kormer. Ele abriu lentamente os olhos, sentindo que seu corpo havia mudado novamente. Era uma técnica misteriosa, cuja origem desconhecia. Seu mestre chamava-a de arte do yoga, mas nem ele compreendia completamente sua utilidade, pois não percebia grandes efeitos em si mesmo. Contudo, em Kormer, algo era diferente. Embora não houvesse transformações imediatas, ele sentia que, pouco a pouco, algo dentro de si se modificava, afetando todos os aspectos de sua existência — tanto sua força mental quanto física pareciam experimentar mudanças sutis, mas reais.
Nem mesmo seu mestre sabia ao certo que tipo de habilidade essa arte trabalhava, pois, pessoalmente, nunca havia notado grandes benefícios desde que a obtivera por acaso. Se fosse para aprimorar a força física, Kormer não percebia grandes avanços, e ao comparar-se a alguém como Irot, um guerreiro nato, reconhecia suas limitações. Se fosse para elevar suas capacidades mentais, também não notava progresso significativo em magia ou outras artes, pelo menos nada perceptível em seus estudos e práticas. O que Kormer realmente sentia era uma vitalidade florescendo em seu corpo, uma energia essencial, fonte de vida, que ele decidiu chamar de vitalidade. Era uma força especial que parecia liberar todo o potencial humano, uma síntese de vigor físico e mental, cuja intensidade influenciava diretamente o crescimento dessas duas capacidades.
O sol seguia radiante lá fora, e nas ramagens verdes, um pássaro delicado saltava com leveza, ocasionalmente alisando suas plumas com o bico colorido. O canto melodioso vinha de um canário na outra extremidade da árvore. O vento suave acariciava o terraço, e os botões das flores de lótus douradas pareciam, aos poucos, desabrochar seus sentimentos tímidos. Kormer, imóvel, conseguia até captar o aroma intenso e fresco vindo das profundezas das flores.
Ao despertar do estado meditativo, Kormer apreciava cada detalhe, absorvendo o mundo ao seu redor com uma clareza inigualável — até mesmo o movimento das formigas no canto das paredes era perfeitamente perceptível. Ele não conseguia explicar esse fenômeno: toda vez que retornava da meditação, seus sentidos tornavam-se tão aguçados que o assustavam, e tudo ao redor parecia estar sob sua observação consciente, podendo sentir até um grão de arroz cair ao chão. O desapontamento era que essa sensibilidade extraordinária não durava muito; à medida que seu corpo recuperava o estado normal, ela desaparecia naturalmente. Esse era o resultado que Kormer constatara após inúmeras práticas da arte do yoga.
Erguendo-se do chão, ele alongou o corpo e percebeu melhorias notáveis em flexibilidade, agilidade, reação e coordenação, especialmente nos dois primeiros aspectos, como se uma corrente energética fluísse por suas veias. Seu corpo produziu pequenos estalos ao se mover, marcando o fim de mais uma sessão. Tal exercício não podia ser feito a qualquer hora ou lugar; era necessário sentir o momento certo, como a fome que exige alimento, uma sensação peculiar.
No entanto, o conforto corporal não era capaz de afastar as preocupações reais. Kormer saiu lentamente do quarto, ponderando sobre o ritual de maturidade que teria lugar no dia seguinte. O que o aguardaria? Ele não podia prever. O comportamento de seu pai havia mudado, tornando-se mais silencioso e melancólico. Será que ainda sentia remorso ou compaixão por aquele filho considerado por ele um desordeiro? Kormer não acreditava nisso. Nos últimos dias, não saíra de casa e, aos olhos da família, parecia ter se tornado subitamente obediente. Também não desejava encarar os olhares de seus parentes. A cerimônia que decidiria seu destino seria realmente capaz de moldar sua vida?
A atmosfera pesada pairava entre Irot e Pubar, ambos visivelmente abatidos. O destino de Kormer, que seria selado no dia seguinte, era o mesmo que aguardava os dois amigos em um mês. Irot ergueu uma caneca de cerveja, engolindo-a de uma só vez, deixando a espuma escorrer pelo queixo, e bateu o copo na mesa, bradando: "Mais cerveja!"
"Basta, Irot, já bebeu o suficiente. Olhe para os barris atrás de você!" Pubar, embora também desanimado, ainda mantinha algum autocontrole. "Daqui a pouco Kormer chega. Se te vê assim, não vai gostar. Ele já está preocupado, não precisa de mais problemas."
"Ah, não adianta evitar que ele se aborreça, provavelmente já está anestesiado. Mandá-lo para Cáucaso... Cáucaso, hein, que lugar maravilhoso: terras férteis, florestas vastas, mas ninguém com sorte suficiente para desfrutar disso. O duque ainda nutre rancores antigos, quer mesmo condenar nosso chefe à morte. Se soubéssemos disso, era melhor permanecer exilado para sempre." Apesar da língua um pouco pesada e dos olhos bovinos avermelhados, Irot estava mais lúcido que nunca, falando sem reservas sob o efeito do álcool. "Ser senhor de um vilarejo com apenas algumas centenas de habitantes, veja o tipo de gente: trapaceiros, ladrões, bandidos, criminosos, assassinos, hereges, aventureiros e caçadores de tesouros; até os prisioneiros exilados evitam ir para lá. E aquele castelo de Damolensk... Aposto que nosso barão nem terá tempo de trocar de roupa antes de encontrar uma morte sem corpo para sepultar."
Antes que Pubar pudesse responder, a voz clara de Kormer soou do lado de fora: "Irot, você está me amaldiçoando?"
Kormer entrou sem mostrar nenhum sinal de desagrado. Pubar percebeu até uma ponta de entusiasmo e expectativa em seu rosto normalmente impassível. Estaria acontecendo algum milagre? Será que o duque mudou de ideia?
"Chefe, as coisas mudaram?" Pubar, animado, perguntou aflito.
"Que mudança? Amanhã, após o ritual de maturidade, poderei deixar Seplús e assumir meu próprio domínio em Cáucaso." Kormer continuava com seu ar tranquilo, um sorriso que Pubar não conseguia decifrar. Será que não sabia o que o aguardava em Cáucaso? Ou estaria tão perturbado que perdera o juízo?
Irot, ainda sob o efeito do álcool, também percebeu a alegria de Kormer e não conseguia entender como alguém poderia estar feliz naquele momento. Mesmo em desespero, há limites: uma vez em Cáucaso, a separação seria definitiva, dificilmente voltariam a se rever. Tomado por emoção, Irot baixou a voz e murmurou: "Chefe, acho melhor fugir. Eu e Pubar te acompanhamos. Em vez de ir morrer em Cáucaso, é melhor abandonar o reino e buscar um novo caminho."