Capítulo Onze: A Ordem dos Cavaleiros do Trovão
“Senhor Lorde, aqueles dois que estão atrás de nós já nos seguem há três dias. Se aceleramos, eles aceleram; se diminuímos o ritmo, eles também diminuem. Está ficando bem óbvio, não acha?” Fran, cedendo à insistência de Kormer, finalmente abandonou o tratamento humilhante de “mestre” e adotou uma forma intermediária: “Senhor Lorde”. Isso deixava Kormer um pouco irritado; afinal, um lorde do Cáucaso, um simples barão, merecia mesmo esse título? Mas ele não recusou.
“Não se preocupe, deixe que nos sigam. Não é assim que eles se comportam há dois ou três meses?” O rosto de Kormer permanecia impassível, demonstrando total desprezo pela situação.
“Dois ou três meses? Quem são esses sujeitos? Por que estão de olho em você?” Ilote, ao lado, perguntou intrigado. “Será que é mesmo o Duque Filipe...?”
Kormer riu suavemente. “Ilote, você está enganado. O duque nunca se rebaixaria a tais atitudes. Se ele quisesse mesmo nos prejudicar, seria algo simples, não perderia tempo com essas artimanhas.” O cavalo trotava firmemente pela estrada enquanto Kormer inspirava profundamente o ar fresco do celeiro das planícies de Busen, impregnado de aroma de pão, aumentando aquela sensação de proximidade. “Lembra do episódio no Salão das Rosas? São aqueles mesmos homens.”
“O quê? Os Cavaleiros de Remá? Mas por quê? Chefe, o que você fez para atrair a atenção deles?” Ilote não se conteve e exclamou. Se eram mesmo os Cavaleiros de Remá, seguir Kormer por dois ou três meses era algo difícil de acreditar. Os renomados cavaleiros não costumavam se fixar tanto em alguém. “Kormer, não me diga que você recaiu no velho vício e arruinou a virtude da filha de algum figurão?”
No rosto de Ilote já despontava um sorriso malicioso, que destoava ainda mais diante de seu porte robusto, completamente armado, tornando até sua larga face equina mais sórdida.
“Basta, Ilote, pare com essas insinuações. Se os Cavaleiros de Remá gostam de mim, é direito deles. Neste mundo, os fortes sempre têm privilégios. Deixe que nos sigam. Logo passaremos pela Grande Floresta de Grinlã, e se enfrentarmos dificuldades, tenho certeza de que esses cavaleiros, fiéis ao espírito de auxílio e justiça, defenderão seus valores e serão nossos maiores aliados.” Kormer mantinha um ar despreocupado, como se qualquer perigo ou problema fosse trivial. Essa postura serena inspirava admiração em Pubber e Ilote, embora, se soubessem que por trás da aparência descontraída, o chefe também estava inquieto, talvez não pensassem assim.
Cavaleiros de Remá? Fran, sempre ao lado dos três, ficou perplexo. Nunca imaginara que o Lorde teria alguma ligação com o famoso grupo de cavaleiros do continente, e, ao que parecia, a relação era tensa. Seu chefe era realmente um imã de problemas: primeiro desagradou aos senhores da região de Homá, foi exilado para o Cáucaso, e agora atraía a atenção dos Cavaleiros de Remá, um dos três grandes grupos da Igreja da Luz. E ainda havia alguém designado para vigiá-lo. Verdadeiramente um “forte”! Fran só podia sorrir amargamente por dentro; aqueles dois atrás não eram nem um pouco discretos, tampouco tentavam esconder seus movimentos. Suas cabeças erguidas, postura de cavaleiro impecável, provocavam desprezo em Fran. Se era para vigiar, então ao menos poderiam se apresentar de forma direta; seria melhor caminhar juntos, com mais companhia para conversar.
“Paulin, vá convidar os dois de trás para se juntarem a nós. Afinal, nosso destino é o Cáucaso. Melhor seguir juntos, cuidar uns dos outros, e conversar para aliviar o tédio.” As palavras alegres de Kormer pareciam adivinhar o que Fran pensava. Sorrindo, ele sugeriu que a viagem seria mais leve e interessante assim. Já que estavam ali, era melhor dar oportunidades para ambos se conhecerem e tentar entender por que, afinal, estavam tão fixados nele. Kormer já suspeitava da gravidade dos problemas causados pelo corpo em seu saco mágico, mas, paradoxalmente, quanto mais os Cavaleiros de Remá valorizassem aquilo, mais ele sentia que o item tinha valor.
Quando o jovem de rosto simples e educado convidou os dois que os seguiam a uma légua de distância, ambos ficaram sem entender. Para eles, sendo que o comandante considerava Kormer suspeito, era natural que ele evitasse contato, conforme as instruções: vigiar firmemente, pois cedo ou tarde a raposa revelaria o rabo. Mas jamais pensaram que a raposa os convidaria a segui-la, como se menosprezasse os dois.
Os cavaleiros trocaram olhares e assentiram. Já que a máscara caiu, não havia mais motivos para manter a dissimulação. Estavam cansados daquele jogo de espionagem; era melhor avançar e testar quem era realmente o sujeito.
Sentindo a aproximação dos dois, Kormer manteve o sorriso, mas no coração sentiu um estremecimento. A aura sagrada natural daqueles homens exercia certa pressão sobre a sombra negra que se escondia em seu corpo. Essa energia, chamada pelos iniciados de “Luz Sagrada”, provocava desconforto em Kormer – não que pudesse vencê-lo, mas a incompatibilidade era palpável, e ele ficou mais cauteloso. Essa sensação profunda era fácil de captar, e os dois não eram como aqueles poderosos que encontrara no Salão das Rosas; se fossem, talvez Kormer não ousasse conviver com eles por muito tempo.
“Saudações, senhores. Eu e meus amigos vamos para o sul, ao Cáucaso. O caminho é longo e difícil. Vejo que também estão viajando; acaso vão para o sul? Se sim, poderíamos seguir juntos, cuidando uns dos outros. O que acham?”
O convite cortês deixou os cavaleiros desconfiados, pois era difícil acreditar que aquele era mesmo o alvo de sua vigilância. Seria uma provocação ou genuína ignorância? O cavaleiro líder, após breve reflexão, aceitou o convite – ou desafio: “Ótimo. Nós já pretendíamos viajar para o sul. É uma honra receber o convite do senhor barão. Sou o Cavaleiro Grinlã, da Ordem de Remá da Igreja da Luz, e este é meu companheiro, Cavaleiro Maré.”
Ambos sentiram o vigor dos presentes, mas não se abalaram: o homem robusto exalava intenção de combate, mas estava claramente debilitado, como se tivesse sofrido algum dano grave; o jovem armado era apenas um guerreiro comum, incapaz de desafiar os dois. Já o grandalhão de rosto equino, que enfrentou o Senhor Douglas no Salão das Rosas, emanava uma aura assassina digna de respeito – quem ousou confrontar Douglas certamente tinha poder. Olhares cortantes passaram friamente por Kormer e Ilote; o cavaleiro que ainda não falara mantinha os lábios cerrados e uma expressão de desprezo velado.
“Ah, então são cavaleiros da Igreja da Luz! Difícil imaginar que seriam da Ordem de Remá. Na cidade de Cepruss, tivemos um breve encontro com o comandante Kent e o senhor Douglas de sua ordem. Não foi muito amistoso, mas já é uma lembrança. Os senhores estavam presentes naquela ocasião?” Kormer parecia querer provocar, mencionando o passado desagradável. “Os cavaleiros não deviam estar protegendo Marco contra as trevas? Que curiosidade traz vocês a estas terras inóspitas de Cepruss?”
O barão sorriu ao ouvir a resposta: “Senhor barão, para cavaleiros da Igreja da Luz, viajar é uma forma de treinamento. E nesses lugares esquecidos pode haver criaturas malignas, que se escondem sob máscaras de bondade ou nobreza, enganando as pessoas. Cabe a nós revelá-las e eliminá-las.” Com um gesto, o cavaleiro líder impediu seu companheiro de explodir. O sorriso afável soava irritante aos olhos de Kormer, e a resposta, incisiva, não dava margem. “Claro, se o senhor acha que nossa presença é inconveniente, nos retiraremos.”
“De modo algum. É uma honra contar com a escolta de dois cavaleiros de Remá; creio que o caminho ao sul será muito mais seguro.” Kormer sorriu friamente, aceitando o convite com elegância.