Capítulo Treze: O Plano de Desenvolvimento
A chegada de Hésio não surpreendeu Cômer, pois, após demonstrar sua força, ele acreditava que um aventureiro experiente e inteligente como Hésio seria capaz de perceber a direção que aquelas terras tomariam. Embora Cômer, por ora, não tivesse a intenção de enfrentar a força pirata por trás de Kudan, era inegável que ele era o legítimo senhor daquela região — uma vantagem inata sobre qualquer outro poder.
Depois de uma longa conversa, Cômer revelou sem reservas seus planos iniciais ao velho aventureiro. Hésio ficou surpreso com a grandiosidade do projeto, pois, embora confiasse na força de Cômer, sabia que explorar uma mina de ferro na orla do território bárbaro não significava apenas enfrentar o perigo dos ogros, mas também corria o sério risco de enfurecer os próprios bárbaros, conhecidos por sua hostilidade para com os mortais. Aos olhos de Hésio, aquilo tudo parecia uma imprudência.
O aroma suave do fino charuto pairava no ar, enquanto os dois já haviam trocado opiniões sobre vários assuntos. No entanto, Hésio mantinha suas dúvidas quanto ao plano de Cômer. Não era a primeira vez que ouvia falar dos ogros, essas criaturas monstruosas e inteligentes, cujas capacidades de combate superavam em muito as de um homem comum. Hésio achava temerário que Cômer se arriscasse dessa maneira.
— Senhor feudal, os ogros não são adversários fáceis como imagina. Sei que sua magia é poderosa, mas já pensou que provavelmente existam dois ou três deles, vivendo em grupo? Não acredito que sozinho consiga lidar com todos. E guerreiros como os de sua guarda dificilmente poderiam ajudá-lo numa luta tão desigual. Aconselho-o a ponderar mais sobre isso — disse Hésio, sacudindo levemente o charuto entre os dedos, com uma expressão séria.
Sua visita a Cômer fora fruto de muita reflexão. Após o encontro matinal anterior, conversou com o filho sobre o que vira e ouviu, o que despertou grande interesse em Neptuno. O comportamento misterioso e a origem de Cômer intrigaram o rapaz, que pediu ao pai para dialogar com o novo senhor, especialmente sobre o futuro da região de Cáucaso. O descontentamento do filho com a situação local sensibilizou Hésio. Não queria que ele partisse, mas o jovem estava farto de Cáucaso, dizendo que a vida era sufocante e a cultura e os entretenimentos, pálidos, tornando a terra tão desolada quanto um campo tomado por ervas daninhas. Exceto por alguns aventureiros forasteiros, nada ali parecia digno de apego; para ele, Cáucaso era uma prisão. As palavras do filho impactaram Hésio, convencendo-o de que era hora de mudança, e talvez a chegada do novo senhor fosse a oportunidade esperada. Assim, aceitou o pedido do filho e foi ao encontro de Cômer.
Contudo, não esperava que o jovem senhor tivesse planos tão ousados: pretendia não só incorporar os escravos fugitivos das florestas como também explorar as minas fronteiriças. O projeto era grandioso, mas repleto de riscos. A questão da condição dos escravos era um dilema, e Cômer não revelou como pretendia solucioná-la. Além disso, explorar aquela mina não seria simples; enfrentar os ogros exigia cautela.
— Senhor Hésio, fique tranquilo. Não me arriscaria sem ter confiança. Acredite, se não for capaz de resolver esse problema, temo que o desenvolvimento de Cáucaso não passará de um sonho inalcançável — respondeu Cômer, sorrindo de maneira franca, tentando tranquilizá-lo.
— Mas, senhor, os ogros são realmente perigosos e exigem extrema cautela — insistiu Hésio, baixando a cabeça em reflexão. Por fim, ergueu o rosto, decidido: — Se já está decidido, não posso ficar para trás. Deixe-me, junto com alguns amigos, acompanhá-lo nessa empreitada.
Ao ouvir isso, Cômer sorriu e fez um gesto com a mão:
— Senhor Hésio, houve um engano. Embora deseje sua ajuda, não é para esta tarefa. Preciso de seu apoio em outras áreas. Como seu filho Neptuno mencionou, Cáucaso tem vastas terras férteis e muitos recursos, mas falta gente. Veja só, de Matdan até Ugru, são mais de cem léguas de campos e florestas, onde se pode cultivar e extrair madeira, absorvendo uma grande população. As minas também precisarão de trabalhadores. E, se forem bem-sucedidas, penso até em instalar uma grande fundição de ferro em nossa terra. Com mais gente, a economia cresce; assim, criaremos um ciclo de prosperidade. Para que Cáucaso floresça, o primeiro passo é aumentar a população. Contudo, o crescimento natural demora, e não podemos esperar tanto. O senhor conhece muitos lugares, é experiente. Gostaria de ouvir suas ideias para atrair mais pessoas para cá.
Diante dos ambiciosos planos do jovem senhor, Hésio percebeu que mal conseguia acompanhar o ritmo daquele pensamento. Talvez estivesse mesmo envelhecendo, como dizia o filho, preso a ideias ultrapassadas. Os tempos mudam, e quem não se adapta fica para trás. Não era de se admirar que o novo senhor estivesse tão determinado a seguir outro caminho.
— Senhor feudal, resolver a questão populacional em pouco tempo é difícil. Aqui não temos muita gente, mas tampouco falta mão de obra. O senhor já encontrou um modo de lidar com os escravos fugitivos; eles podem suprir a força de trabalho das minas. Ainda acha insuficiente? — questionou Hésio, intrigado.
— Claro que sim, senhor Hésio! Meu plano não é apenas explorar uma mina. Embora estejamos numa região isolada ao sul, não acredito que devemos nos considerar inferiores. Cáucaso não pode ser sinônimo de atraso ou pobreza. Quero que um dia sejamos motivo de orgulho para o continente — declarou Cômer, levantando-se e caminhando com determinação.
— Senhor, sua ideia é boa, mas, apesar de não haver leis impedindo a mobilidade, convencer pessoas a deixarem suas casas para vir a Cáucaso não é fácil. Exceto alguns escravos fugitivos, duvido que outros venham voluntariamente — ponderou Hésio, achando que o senhor estava se tornando imprudente demais, e encolheu os ombros, discordando.
— Ora, senhor Hésio, soluções são obra dos homens. É verdade que a reputação de Cáucaso não é boa, mas podemos mudá-la, usar a propaganda a nosso favor. Os moradores daqui vivem bem; a maioria nem nasceu nestas terras. Se motivarmos essas pessoas a convidar amigos e parentes, creio que teremos bons resultados. Claro que para isso preciso da sua ajuda e de seus companheiros — respondeu Cômer, piscando confiante.
Era visível a autoconfiança do jovem senhor, que certamente tinha um plano em mente. Hésio não resistiu e perguntou:
— Senhor, poderia compartilhar mais detalhes sobre sua ideia?