Capítulo Sete: Usurpação Astuta e Violenta

Destino Místico dos Céus Raiz da Sorte 4144 palavras 2026-03-31 10:08:53

— São vocês?! — a indagação surpresa em idioma montanês atraiu o olhar de Cormer para um oficial recém-chegado, cuja estatura robusta se destacava até mesmo entre os bárbaros. Seu rosto largo e firme, marcado por uma expressão resoluta, estava velado por um olhar de assombro. À cintura, envolto por um pano, repousava um enorme facão de lâmina larga e pesada, cuja utilização exigia força descomunal. A lâmina sombria exibia um brilho frio e cortante, e bastava um único olhar para reconhecer que a arma era forjada em ferro gelado de altíssima qualidade, muito superior às armas empunhadas pelos soldados bárbaros ao redor.

Os olhos de Cormer e Ilot pairaram longamente sobre o rosto do homem, que evidentemente os conhecia. Desde o breve período desde o retorno do exílio, eles só haviam encontrado bárbaros na taverna, não havendo outras referências. Finalmente, um lampejo de memória lhes ocorreu: aquele era um dos companheiros do líder bárbaro daquele dia, embora não tivesse falado, Cormer lembrava-se dele de forma vaga.

— Como vocês estão aqui? Por que invadiram nosso território? — embora a voz ainda carregasse um tom de questionamento, era evidente que a atitude se tornara bem mais amistosa. Aquele homem detinha certa posição e prestígio entre os bárbaros; com um simples gesto, ordenou que alguns soldados que mantinham suas armas apontadas para os dois baixassem-nas respeitosamente. Ainda cautelosos, porém a hostilidade se dissipara consideravelmente.

— Hehe, esqueci de perguntar seus nomes naquele dia. Não sei como devo chamá-lo? Eu sou Cormer, e este é Ilot. Viemos até aqui porque descobrimos que nagras aparecem perto do meu domínio, ameaçando seriamente os habitantes. Como senhor do território, é meu dever garantir a segurança dos meus súditos. Por isso, eu e meu amigo viemos buscar uma solução. Por acaso, ouvimos os uivos dessas criaturas e seguimos o som até aqui — Cormer apresentou-se cortês, explicando as razões da visita. Ao perceber o gesto do homem, ele subitamente lembrou-se da pequena corrente que o bárbaro líder deixara para trás e a retirou do bolso.

Quando aquela modesta corrente caiu diante dos olhos dos guerreiros bárbaros que cercavam Cormer e Ilot, toda a animosidade desapareceu, dando lugar a profundo respeito e afeto. O homem que já tivera um breve encontro com eles finalmente sorriu.

— Oh? Pode me chamar de Walin. Então você é nosso novo vizinho, o recém-chegado senhor de Cáucaso? — a surpresa era evidente, e o robusto homem não conseguia esconder seus pensamentos. Logo, seu rosto se suavizou num semblante acolhedor. — Quer dizer que a presença de tantos mortais por aqui também foi por sua ordem?

Cormer sorriu e assentiu. Para os mortais, os bárbaros pareciam pouco afeitos a assuntos do mundo exterior, mas na verdade não eram tão rígidos, conservadores ou estreitos quanto imaginavam. Sua história de isolamento prolongado nas estepes do sul contribuíra para tal percepção. Os mortais, que se consideravam superiores e donos do continente, sentiam uma rejeição natural às figuras imponentes e vigorosas dos bárbaros, que lhes pareciam ameaçadoras. Assim, os bárbaros permaneciam à margem da sociedade mortal, enquanto outras raças mais próximas em aparência e hábitos, como meio-elfos, anões, meio-orcs, elfos e até tritões, embora estranhos aos olhos dos mortais, conviviam pacificamente com eles.

Saber tão rapidamente que os vizinhos do norte tinham um novo senhor indicava que os bárbaros não estavam alheios ao mundo exterior. Apesar das aparentes poucas interações, Cormer podia afirmar que, tanto em Cáucaso quanto em Ugrul, os bárbaros mantinham suas próprias fontes de informação.

— De fato, não imaginei que, desde que nos separamos em Cypruss, nos encontraríamos aqui. Que destino nos une! Como estará o seu líder? — Cormer exibia um sorriso sincero. Ele sabia que o ressentimento dos bárbaros para com os mortais era profundo. Embora tenha ajudado-os em Cypruss, não significava que o aceitassem plenamente, especialmente agora que se apresentava como senhor de Cáucaso. Ainda havia muito a conquistar para obter seu reconhecimento.

— Obrigado pela preocupação, senhor. Nosso grande líder está bem — respondeu com voz seca, um tanto rude. O homem forte claramente não encontrava palavras para estreitar a distância entre eles, e sua franqueza servia para deixar claro que a relação não era tão próxima quanto parecia. — Senhor, como vizinhos, gostaríamos de saber por que tantos mortais adentraram esta região, portando tantas armas. Qual seria o propósito deles?

Cormer compreendeu imediatamente. Não era à toa que, quando chegaram a Bahomon dias atrás, ouviram relatos de bárbaros vistos na área. A desconfiança dos bárbaros para com os mortais era intensa, a ponto de reagirem com sensibilidade mesmo às ações dentro do próprio domínio de Cormer.

— Senhor Walin, creio que houve um mal-entendido. Bahomon é meu território, e esta terra sob seus pés também me pertence. Acredito que, em minha própria terra, não preciso pedir permissão para agir. No entanto, como amigo, estou feliz em informá-los. Pretendo desenvolver uma mina de ferro aqui e, com base nela, construir uma cidade. Muitos imigrantes, que são refugiados sem meios de subsistência, vieram para meu domínio. Eles precisam de trabalho para sustentar suas famílias, e como senhor, tenho a responsabilidade de garantir suas condições de vida. Quanto às armas que mencionou, creio que confundiu as coisas. Eles portam poucas armas, apenas para defesa pessoal, pois a região ainda é perigosa, como demonstra a presença dos nagras diante de nós. O restante são ferramentas de mineração. Espero que essa explicação satisfaça o senhor Walin.

Cormer falava com firmeza, embora de modo ameno. Ele chegou a expandir em vinte léguas a fronteira do território. Embora aquela região ainda fosse uma estepe desolada aos olhos alheios, era inevitável que Bahomon prosperasse e que o local fosse desenvolvido. Além disso, ele tinha ambições maiores, que ainda não podia revelar.

— O quê? Seu território? — o homem forte ficou chocado. Ele imaginava que o senhor se referia apenas ao local onde a população se concentrava. Ouvir que até a terra onde estava pisando pertencia a outro causava-lhe surpresa e raiva. Embora os bárbaros não tivessem uma noção tão rigorosa de território como os mortais, compreendiam claramente a questão da soberania. Sabia que, apesar da pouca fiscalização devido à distância, o máximo que existia era uma fronteira indefinida, e não que aquele lugar inteiro seria domínio de alguém.

— Sim, senhor Walin, esta terra certamente pertence a Cáucaso. Caso contrário, por que eu me daria ao trabalho de vir até aqui exterminar os nagras? Se não fosse meu território, não arriscaria minha vida por outros — respondeu Cormer com genuína cordialidade.

Os bárbaros, de natureza simples, pareciam indecisos. A fronteira nunca fora claramente demarcada, mas, ao saberem da presença dos nagras e da movimentação de muitos mortais ao norte, partiram em busca de respostas. De fato, encontraram marcos e estacas envelhecidos, indicando uma divisão antiga, com pelo menos algumas décadas. Claro que desconheciam que Cormer fabricara um líquido corrosivo capaz de envelhecer artificialmente objetos, e que seu aliado, Pubber, tinha vasta experiência na criação de falsificações de antiguidades. Assim, aqueles marcos eram obra da dupla.

— Senhor, pelo que sei, esta região nunca teve sua posse claramente definida. Imagino que o senhor se refira a essa situação. Não podemos aceitar que tome para si terras cujo pertencimento ainda está em aberto — afirmou o robusto bárbaro, endurecendo o tom, embora não pudesse dirigir palavras ásperas ao interlocutor.

— Hehe, sempre soube que os nobres prezam pela razão e pela honra. Senhor Walin, se acha que estou forçando a barra, proponho o seguinte: que cada um apresente suas provas para verificarmos quem está certo. Justiça se faz com fatos, e o julgamento cabe ao povo. O que acha? — Cormer fez um gesto e Ilot trouxe um antigo pergaminho de pele de carneiro. Cormer, por sua vez, retirou um mapa desenhado em papel grosso, cuidadosamente enrolado. — Veja, senhor Walin, este é o mapa original do senhorio de Cáucaso, datado de cento e sessenta anos atrás, e este outro é um mapa geográfico completo do território, feito há vinte anos. Observe as datas de elaboração; não seria possível falsificarmos isso. E peço que o senhor também nos mostre os mapas guardados por sua gente, para que possamos esclarecer nosso impasse.

Relutante, o bárbaro aceitou os mapas entregues por Cormer e convocou dois guerreiros para auxiliá-lo na análise. Cormer e Ilot trocaram um sorriso cúmplice, conscientes de que só eles compreendiam o significado oculto por trás daqueles documentos, mantendo a calma enquanto aguardavam o veredito.

Após minuciosa inspeção, os bárbaros não encontraram falhas nos mapas apresentados. Quando pressionados a mostrar seus próprios mapas, ficaram em uma posição delicada. Embora existisse um único mapa dos bárbaros, guardado na aliança tribal, era raro e de qualidade grosseira, não se comparando aos mapas detalhados de Cormer. Pequenos deslocamentos na representação gráfica significavam dezenas de léguas de erro, tornando-os pouco confiáveis como provas. Os bárbaros, acostumados a confiar na memória e na tradição oral, avaliavam seus territórios por experiência direta.

Percebendo a expressão constrangida do bárbaro, Cormer sentiu uma satisfação interna indescritível, ainda que mantivesse uma aparência de sinceridade e respeito. Deu um passo adiante e disse:

— Senhor Walin, isso não é surpreendente. Nobres raramente usam mapas, e esta terra, até agora, não despertou interesse nem para eles nem para nós, o que resultou na indefinição de sua posse. Pelo que entendo, o senhor se refere a uma região próxima, cerca de dez léguas daqui, que ainda não foi oficialmente demarcada. Isso está indicado nos mapas, e podemos resolver isso por meio de negociações. Acredito que não houve má-fé por parte dos nobres. Eu, pessoalmente, represento todo o povo de Cáucaso e os recebo de braços abertos para visitarem e negociarem em meu domínio.

A postura humilde de Cormer dissipou a insatisfação e a amargura no coração do bárbaro. Porém, ao ouvir sobre a existência de uma terra ainda em disputa, seu espírito ficou inquieto. Felizmente, a atitude do homem era surpreendentemente cordial, bem diferente dos mortais com quem já tivera contato. Walin parecia incerto sobre como lidar com aquela situação desconcertante.

O rugido dos nagras voltou a captar a atenção de todos. Oito criaturas, dois machos e seis fêmeas, duas dessas últimas já estavam caídas no chão, evidentemente abatidas pelos guerreiros bárbaros. No entanto, o preço pago pela vitória foi alto: mais de trinta bárbaros perderam a vida sob as garras afiadas das feras, cujos membros despedaçados jaziam espalhados num campo aberto de cerca de dez metros ao redor.

Era evidente que os bárbaros, apesar de sua bravura, não possuíam métodos eficazes para combater aquelas bestas de pele dura e quase impenetrável. Surpresos com o encontro, eles viram suas duas montarias dracônicas, outrora exibidas como símbolos de poder, tornarem-se a linha de frente na batalha contra os nagras. O grupo numeroso de oito criaturas dificultava a tarefa dos soldados, que enfrentavam dificuldades em manter um cerco contínuo. Os nagras, ágeis e astutos, usavam táticas de distração para romper as defesas, atacando sorrateiramente em momentos oportunos. Quase sempre, um bárbaro caía diante de suas garras afiadas, e o veneno expelido por glândulas sob as axilas das feras tornava a resistência ainda mais difícil, deixando os guerreiros cada vez mais exaustos para sustentar aquele frágil cerco.