Capítulo Sete: Beleza Estonteante

Destino Místico dos Céus Raiz da Sorte 2743 palavras 2026-02-07 12:28:45

As negociações da tarde com os funcionários do Ministério do Interior do Reino não trouxeram novidades. Após a entrega dos presentes de praxe, os oficiais se mostraram calorosos, mas também trouxeram as mais recentes orientações do Ministro do Interior: o número de refugiados aceitos não seria oito ou dez mil, mas sim cento e vinte mil. E essa exigência era inegociável, para assegurar que o reino mantivesse vantagem nas conversações com os outros três países receptores.

Ao verem a expressão perplexa de Cormo e Kavli, o funcionário responsável pelas tratativas procurou tranquilizá-los, prometendo que o ministro lutaria ao máximo para garantir os subsídios financeiros necessários ao Cáucaso. Assim, os refugiados poderiam chegar em segurança e atravessar o inverno sem maiores dificuldades. Em relação aos meios de transporte e à rota migratória, não havia grandes impasses: o ministro já havia determinado que as autoridades encarregadas avisassem os senhores das terras ao longo do caminho, exigindo-lhes o devido suporte logístico. No entanto, restava saber até que ponto essa ordem seria realmente cumprida.

Sobre a origem dos refugiados, Cormo pretendia inicialmente respeitar a proporção de sessenta mil do Ducado de Mailen e trinta mil de cada uma das cidades-estados de Mein e Susol. Contudo, ao saber por Kavli que os habitantes de Susol eram mais abastados e que uma parte considerável dos refugiados de Mein era descendente de meio-elfos, Cormo mudou de ideia. Sugeriu, então, que fossem cinquenta mil do Ducado de Mailen e trinta e cinco mil de Mein e Susol, proposta que recebeu apoio imediato dos oficiais do reino.

À noite, o banquete foi realizado numa pequena sala anexa ao pavilhão de caça. Embora fosse uma propriedade privativa do rei, este frequentemente despachava ali, o que obrigava muitos dos altos dignitários do reino a acompanhá-lo e permanecer no local. Os assuntos de estado não podiam ser adiados, então cada ministro tinha seu próprio gabinete provisório no pavilhão, e o pequeno salão de festas tornava-se o ponto de recepção dos convidados ilustres.

Quando Cormo chegou ao salão, além de dois funcionários do Ministério do Interior e alguns criados fazendo os preparativos, ninguém mais havia comparecido. Nesses eventos, quanto mais elevada a posição, mais tardia a chegada – um costume típico da nobreza, bem conhecido de Cormo.

Aceitando um copo de aguardente de maçã oferecido por um criado, Cormo aproximou-se da janela voltada para o pequeno pátio e tomou um gole, pensativo. Pelo que percebia, poucos participariam do encontro – provavelmente só alguns diplomatas estrangeiros, funcionários do reino e ele próprio. O tema central seria a recepção dos refugiados. Esperava que o ministro do interior não mudasse de ideia novamente. Cento e vinte mil pessoas não era um número trivial. Como acomodar toda essa gente durante o inverno, acalmando-os e organizando o assentamento? Era uma questão para a qual Cormo ainda não tinha resposta.

Com o tempo, o salão foi se enchendo. Algumas mulheres de aparência nobre, trajando vestidos longos e elegantes, entraram lentamente. Os coletes justos acentuavam a silhueta, as mangas eram curtas e os decotes generosos deixavam à mostra a base dos seios, conferindo-lhes um certo charme sedutor. Sem qualquer constrangimento, sorviam licor e riam alto, como se o álcool forte não as afetasse. Amaretto de amêndoas e licor de laranja eram suas bebidas prediletas. Observando o comportamento delas, Cormo não pôde deixar de comparar: as mulheres de Saiplus, em contraste, pareciam simples camponesas – mais puras e naturais, porém sem a sofisticação e o desembaraço das damas da corte.

As noites no pavilhão de caça eram sempre animadas, especialmente durante as estadas do rei, acompanhado por parentes, ministros, magnatas e seus séquitos de esposas, amantes e criados. O local transformava-se instantaneamente num reduto de festas sem fim. Embora, por motivos econômicos, o reino exigisse cortes de gastos para sustentar a guerra, tais restrições eram meramente formais. Os convidados ali presentes eram nobres ou ricos mercadores, para quem dinheiro não era preocupação. E, caso faltasse algum recurso, os agiotas estavam sempre à espreita, prontos a satisfazer qualquer necessidade; constrangimentos financeiros eram, portanto, impensáveis.

As damas que acompanhavam maridos ou amantes eram as que menos toleravam o tédio. Enquanto os homens buscavam novas presas com olhares furtivos, elas também examinavam a sala, ávidas por novas emoções. Jovens nobres de boa aparência eram sempre os favoritos, e muitos rapazes, trazidos por seus pais para presenciar o luxo do pavilhão real, perdiam a inocência nesse ambiente de festas e excessos.

Com o copo na mão, Cormo observava friamente as trocas de galanteios entre as mulheres. Agora, eram em maior número que os homens. Muitas vieram acompanhadas de amigas, talvez em busca de experiências inéditas. Algumas damas, de presença marcante, lançavam-lhe olhares insinuantes, mas, sem conhecer aquele jovem de feições delicadas, nenhuma se arriscava a abordá-lo. Todas aguardavam que algum conhecido rompesse o gelo.

— Barão Cormo? — chamou uma voz melodiosa e hesitante às suas costas.

Cormo sobressaltou-se. Seria possível que conhecesse alguma dama em Versalhes? Exceto por Terezi, não lembrava de nenhuma mulher de seu círculo frequentando tais ambientes. Virou-se devagar, o rosto impassível, mas uma centelha de surpresa brilhou em seu olhar: sob longos cabelos castanhos, um rosto de marfim, refinado e delicado; lábios rosados que reluziam sob a luz, nariz levemente altivo e, nos olhos, um tom profundo semelhante ao dos cabelos. O vestido de gala negro realçava o busto, adornado por um broche de esmeralda cravejada de diamantes. Luvas brancas de seda bordada pendiam das mãos finas e delicadas, mais graciosas que varetas de cebola. Cormo sentiu imediatamente os olhares invejosos das outras mulheres pousarem sobre si e sobre aquela desconhecida.

— Sim. Desculpe, mas poderia me lembrar quem é? — respondeu Cormo, inclinando-se educadamente, o olhar inquisitivo pousando no rosto dela. Tinha certeza de que jamais vira mulher tão singular; tal beleza não passaria despercebida por sua memória.

Com um riso cristalino, a mulher ocultou a boca com uma das mãos, o busto movendo-se ao ritmo da risada.

— Barão, ouvi dizer que em Saiplus és famoso pelo charme e desembaraço, mas, ao te ver hoje, percebo que não condizes com tua reputação.

Cormo sentiu um frio súbito. Mais uma pessoa que conhecia seu passado... Ao que tudo indicava, suas antigas façanhas eram mesmo conhecidas em toda a elite de Nicósia. O que lhe causava estranheza era saber que alguém como ele, um nobre menor e encrenqueiro, despertava interesse entre os círculos elevados de Jazael.

Com um sorriso enigmático no rosto, Cormo redobrou a cautela. Aquela mulher parecia saber tudo sobre ele, enquanto ele nada sabia sobre ela — um diálogo assim era, sem dúvida, arriscado.

— Senhorita, nem todos os rumores são verdadeiros. A repetição constante pode transformar boatos em lendas, mas a sabedoria silencia a maledicência.

— Ah, barão, você é mesmo espirituoso! Então, quer dizer que suas aventuras amorosas são apenas invenções dos outros? Duvido muito. Até mesmo o ídolo do meu irmão parece ter tido um caso contigo; em Saiplus, todos sabem disso, não?

O tom dela tornou-se mais audaz e a voz mais alta, chamando a atenção das damas próximas, que logo demonstraram interesse na conversa.

O semblante de Cormo fechou-se. Ele começava a suspeitar da identidade da mulher: princesa Cágia, terceira filha do rei, terceira na linha de sucessão ao trono — uma mulher famosa por sua vida licenciosa. Estava noiva do visconde Melpon, vice-comandante da Ordem Real dos Cavaleiros das Sombras, pertencente a uma família outrora poderosa, hoje decadente, mas ainda influente pelas alianças matrimoniais. Diziam que fora escolha dela o casamento, causando grande escândalo, pois ninguém compreendia por que escolher alguém sem fortuna ou poder. O cargo do noivo, inclusive, fora obtido graças à intervenção da própria princesa. Havia quem especulasse que sua decisão visava facilitar seus próprios prazeres e aventuras fora do casamento, e boatos sobre ela não faltavam.