Capítulo Quinze: Cooperação
— Pelo que ouço nas suas palavras, senhor Kafli, parece que há quem deseje vir se estabelecer em nosso Cáucaso? — Pubar emendou a conversa, captando também o subtexto oculto nas falas do interlocutor.
— Bem, isso ainda não é certo, mas posso fornecer uma informação ao senhor barão. Talvez, antes de vir ao Cáucaso, o senhor já tenha ouvido falar que, ao norte, os combates se intensificaram: os orcs invadiram o sul com uma força sem precedentes. O Reino de Nicósia também foi atacado. Agora, as cidades-estado de Mein e Susol, além do Principado de Mailen, todas a oeste do Ducado de Nicósia, foram tomadas. Os refugiados dessas regiões migraram em massa para o sul, detendo-se nas fronteiras entre esses territórios e Nápoles, Média e Niderland. O número de refugiados chega às centenas de milhares, e tais países simplesmente não suportam essa pressão populacional. Por isso, fecharam suas fronteiras, permitindo apenas a entrada de quem possui parentes para garantir sua estadia. Assim, a grande maioria permanece bloqueada entre pequenas cidades fronteiriças. Agora, todos buscam uma solução para esse grande problema. Se o senhor barão tiver interesse, talvez ali se ocultem oportunidades promissoras.
O comerciante obeso foi direto ao ponto, delineando a situação em poucas palavras.
As palavras despertaram os sonhos dormentes: Kormer e Pubar trocaram olhares animados e mal contiveram a empolgação. Contudo, experiente como era, Kormer já sabia analisar os fatos com calma:
— Senhor Kafli, a notícia que nos traz é, de fato, uma oportunidade digna de ser considerada. Mas permita-me perguntar: o Reino de Nicósia não tomou nenhuma medida para aliviar esse conflito?
O mercador apenas ergueu os ombros e abriu as mãos, resignado:
— Lamento, mas o Reino de Nicósia mal consegue cuidar de si próprio nesse momento. Embora suas tropas tenham contido o avanço dos orcs ao norte, sofreram pesadas baixas. Imagino que Sua Majestade também esteja com muitas preocupações. Pelo que sei, o reino não forneceu qualquer auxílio ou sugestão construtiva.
— Permita-me ser franco, senhor Kafli — interveio Pubar, o tom agora mais amigável diante da generosa oportunidade —, supondo que consigamos recrutar algumas dessas pessoas, como faríamos para trazê-las do distante norte até o Cáucaso? Teriam de atravessar terras do reino e de outros países. O senhor acredita que permitiriam a passagem dos nossos recrutados?
— De fato, é uma questão importante — ponderou Kafli —, mas creio que ao menos os países onde os refugiados estão retidos aprovariam. Afinal, tantos refugiados em suas fronteiras são um fardo e uma pressão; poder dispersá-los é benéfico. Contudo, atravessar outros territórios e o próprio reino dependerá do esforço do senhor barão. Se precisar de minha ajuda, estarei à disposição.
Compreendendo a deixa, Kormer levantou-se e sorriu cordialmente:
— Excelente, aprecio sua franqueza, senhor Kafli. Os negócios devem girar em torno de interesses, e compreendo isso perfeitamente. Mas deve saber que cheguei a este empobrecido Cáucaso de mãos vazias. Embora queira lhe pagar devidamente, temo desapontá-lo por não dispor de recursos.
— Ouvi dizer que o senhor barão é filho do conde Lamla Reiser. Não pensou em solicitar um empréstimo ao conde? Isso poderia amenizar sua situação atual — sugeriu o mercador, olhos vivos, esfregando as mãos.
— Oh, não tenho relações financeiras com o senhor Lamla, nem pretendo tê-las — respondeu Kormer, com um sorriso agora um tanto tenso.
Percebendo o desconforto, Kafli apressou-se em mudar de assunto:
— Então tenho uma sugestão: dizem que o senhor barão pretende explorar uma mina ao sul. Se essa mina realmente for valiosa, eu estaria disposto a investir. Poderia me mostrar o levantamento geológico e os dados da mina?
Kormer não pôde deixar de reconhecer a astúcia do outro; já vinha preparado com várias alternativas, empurrando-o pouco a pouco para seu jogo. Mas era justamente de tal solução que ele precisava. O investimento inicial exigido pela mina de ferro era imenso e, até então, nem Kormer nem Pubar haviam encontrado um plano realmente viável. Sem dúvida, o apetite dos mercadores seria grande, mas, contanto que resolvesse os problemas de ambos os lados, Kormer considerava aceitáveis até mesmo condições um tanto rigorosas.
— Muito bem, Pubar, traga os relatórios preliminares da mina para o senhor Kafli examinar. Estou certo de que vai interessá-lo. Se começarmos bem, quem sabe o senhor Kafli ainda nos traga mais investidores ao Cáucaso, não é mesmo?
Ignorando a expressão contrariada de Pubar, Kormer assentiu e prosseguiu.
Ao receber relutantemente os documentos e mapas, Kafli folheou apenas os dados mais cruciais e logo percebeu tratar-se, de fato, de uma jazida de ferro de altíssima pureza e vasto volume — suficientemente lucrativa se devidamente explorada.
— E então, senhor Kafli? Imagino que nossos relatórios preliminares sejam satisfatórios — perguntou Kormer, surpreso com a neutralidade do rosto do comerciante.
— Com todo respeito, senhor barão, a jazida é de fato imensa e, se explorada, renderá lucros substanciais. Porém, sua localização é muito próxima das terras dos bárbaros ao sul; explorá-la pode provocar hostilidade da parte deles, sendo um risco considerável. Além disso, para uma mina deste porte, não sei se a situação financeira do senhor barão suporta tal investimento.
— Falando francamente, senhor Kafli, reconheço que o investimento inicial é realmente alto e, no momento, não posso arcar sozinho. Mas creio que, em todo o Cáucaso, há de haver quem queira investir. Quanto à questão dos bárbaros, assumo total responsabilidade; se não puder garantir a segurança, a mina nem sequer terá valor para ser explorada.
— Excelente, admiro sua sinceridade, senhor barão. Tenho uma proposta: eu e meus parceiros podemos aportar duzentos mil escudos de ouro como investimento inicial e ficaremos com trinta por cento das ações da mina. Porém, cabe ao senhor resolver por completo o problema com os bárbaros. Além disso, ofereço gratuitamente minha rede de contatos para auxiliar no recrutamento dos refugiados; considere isso como sinal e compra de direitos de exclusividade. O que me diz?
Kafli sorriu amplamente, mostrando dentes alvos.
— Quinze por cento. Esse é o máximo. O senhor mesmo viu: toda a jazida é de ferro puro, suficiente para vinte anos de exploração. O valor é evidente — interveio Pubar rapidamente, antes que Kormer pudesse falar, com firmeza inabalável.
— Vinte e cinco por cento! As condições de transporte no Cáucaso são péssimas, e exigirão muitos investimentos futuros. Pode ser que não haja retorno por muito tempo. O risco é enorme — rebateu Kafli, igualmente resoluto.
— Vinte por cento. Está decidido. E mais: o senhor Kafli e seus parceiros devem se comprometer a construir uma forja e uma fundição em Uglrú, para suprir a crescente demanda de ferro do Cáucaso.
O rosto de Pubar corou e sua voz saiu alterada pelo nervosismo.
— De acordo, fechado. Porém, com a condição de que haja população e mercado suficientes no Cáucaso para absorver tal produção. E, claro, ainda é apenas um plano preliminar; muitos detalhes precisam ser discutidos com meus parceiros. Espero que o senhor compreenda.
Kafli levantou-se, animado.
— Perfeito. Ilot, traga aquela garrafa de vinho do seu quarto. Devemos brindar ao sucesso de nossa parceria! — exclamou Kormer, levantando-se para dar um tapa amigável na mão do comerciante gordo.
— E por que pegar o meu vinho? Por que não pega o seu? — resmungou Ilot, erguendo-se contrariado e saindo a passos lentos.