Capítulo Seis: O Despertar do Sonho
Semicerrou os olhos, avaliando atentamente o homem de rosto bonito à sua frente; Kermo viu sua opinião sobre ele diminuir consideravelmente. Ajudar o próprio senhor a prejudicar alguém de sua própria classe, mesmo compreendendo as circunstâncias, parecia-lhe pouco condizente com os preceitos de um verdadeiro cavaleiro.
Kermo jamais se considerou pertencente à categoria dos cavaleiros dotados de humildade, justiça, orgulho e consciência, mas nutria profundo respeito por aqueles que realmente encarnavam esse ideal. Contudo, sabia que, na vida real, tais pessoas eram raríssimas; o mais comum era encontrarem-se impostores, que sob o disfarce de cavaleiros, nada mais eram do que velhacos. O sujeito à sua frente, pelo que percebia, parecia ser desse tipo. Conseguiu notar que aquele homem tinha algum interesse na jovem que saíra às pressas pela porta, mas recorrer a isso para concordar com aquele velho Zélin, e ainda exagerar os fatos para difamar suas terras, era, a seu ver, uma grave violação dos princípios da cavalaria.