Capítulo Quinze: O Mistério
Era uma ponta de flecha forjada em prata de Mírs, um metal mágico raro. Além das propriedades comuns aos metais, a prata de Mírs possui uma rigidez mágica incomparável, tornando-se objeto de desejo entre guerreiros e mestres de forja de todos os países do continente. Contudo, sua obtenção é difícil: geralmente encontrada apenas nas proximidades de minas de prata, é escassa e, mesmo quando se encontra uma pepita, o processo de extração está além das capacidades dos forjadores comuns. Este metal mágico exige fornos e combustíveis especiais, e sua purificação máxima requer o uso de magia de fogo, o que, por sua vez, faz com que o metal absorva as propriedades mágicas do feitiço utilizado, amplificando ainda mais seu poder.
Seja flecha ou virote, este não é um instrumento típico de um mago. No continente, aqueles que atingem o nível de mago são altamente respeitados, seja por praticarem magia das trevas, magia elemental ou magia da luz, e prezam acima de tudo por sua honra, jamais recorrendo a métodos indignos como assassinatos com arcos ou bestas. Tais práticas cabem apenas a assassinos ou homicidas. Oniá acreditava que, mesmo que os cavaleiros do reino guardassem ressentimentos contra a Igreja da Luz ou contra Merlon, dificilmente recorreriam a tais meios para enfrentá-lo. Porém, em um lugar como Versal, repleto de poderosos, ele havia retornado a Jazair por motivos particulares e, para sua surpresa, deparou-se com um problema de tamanha gravidade. Se não encontrasse pistas, seria difícil aceitar tal desfecho.
Afinal, a quem Merlon viera encontrar aqui? Que identidade seria suficiente para que ele viesse com tanta confiança? Essas perguntas atormentavam profundamente o grande mago da Igreja da Luz.
— Senhor Tez, imagino que alguém tão peculiar como o mensageiro que veio entregar a carta a Merlon em Versal dificilmente passaria despercebido. Os guardas do reino e os soldados em patrulha não perceberam nada? — Oniá mudou sua abordagem, pois uma acusação direta sem provas poderia soar grosseira.
— Peço desculpas. Fizemos uma varredura completa entre os visitantes de Versal, mas não encontramos ninguém que correspondesse à descrição dos guardas. Os soldados encarregados da segurança nas proximidades também não relataram atividades suspeitas neste período — o ministro do interior estava visivelmente constrangido. Afinal, sob seu olhar, um mago da corte fora assassinado sem deixar vestígios, um fato difícil de justificar.
— Então, senhor Tez, acredita que o assassino está entre os hóspedes de Versal? — Os olhos do mago de manto branco reluziram intensamente, e suas palavras tornaram-se ainda mais incisivas.
— Senhor Oniá, há centenas de hóspedes em Versal, e a variedade de pessoas ao redor do pavilhão de caça é incontável. Não posso afirmar de onde provém o assassino. Se um homicida realmente quisesse atacar Merlon, creio que facilmente teria ultrapassado o perímetro dos cavaleiros, especialmente considerando que, como o senhor disse, o criminoso parece possuir elevado domínio mágico — talvez até seja um mago. Já ordenei uma investigação, mas não posso garantir que teremos resultados satisfatórios — o ministro escolheu cada palavra com cuidado, pois um erro poderia despertar suspeitas e descontentamento do outro lado, o que seria perigoso.
O mago de manto branco calou-se, reconhecendo a veracidade das palavras do interlocutor. Versal, originalmente o pavilhão de caça particular do rei do Reino de Nicósia, após décadas, transformou-se em uma pequena vila centrada no pavilhão. Além do próprio pavilhão, uma ampla gama de serviços prosperou ao seu redor: restaurantes, hospedarias, bancos, lojas de roupas e joias, casas de penhores, cassinos, bordéis e muito mais, atraindo nobres, comerciantes, dignitários de todo o reino e até de outras regiões do continente. Versal tornou-se um microcosmo da capital Jazair.
Buscar um assassino entre tantas pessoas seria uma tarefa quase impossível. Se o homicida veio sorrateiramente, executou o crime e fugiu, dificilmente se encontrariam pistas úteis. Com o passar dos dias, as memórias das pessoas se desfariam; após três ou cinco dias, ninguém lembraria de detalhes irrelevantes de dias atrás. Investigar todos os envolvidos em tão pouco tempo era uma missão irrealizável, além de potencialmente causar problemas indesejados. Oniá sentia, porém, que o assassino de Merlon não era um profissional, mas sim um dos hóspedes do pavilhão de Versal — uma intuição sem base, mas em que ele confiava.
— Senhor Tez, acredito que a Igreja da Luz deveria conduzir esta investigação. Afinal, Merlon era um de nós, e o assassino parece ser um mago de atributo sombrio. Seguindo essa pista, creio que encontraremos o culpado — o homem de manto branco recusou polidamente a sugestão do ministro do interior. Inicialmente, desejava conversar apenas com este, mas o astuto Tez trouxera um mago da corte que não pertencia à Igreja, o que irritou Oniá, embora não pudesse recusar. Era importante que um caso que manchava a imagem da Igreja da Luz fosse mantido em sigilo, independentemente de capturarem o assassino.
— De fato, senhor Oniá, faz sentido o que diz. Contudo, se identificarem alguém suspeito dentro do reino, peço que avisem imediatamente ao departamento de interior local. Afinal, um crime como este em Versal é vergonhoso tanto para o reino quanto para a Igreja da Luz. Também desejo um resultado conclusivo — o duque Tez revelou o subentendido do outro lado, o que melhorou a impressão de Oniá, que antes estava insatisfeito com a presença de um estranho na investigação.
Receber duas mensagens por transmissão espacial em três dias era incomum. O ancião de manto branco, sentado em uma cadeira de madeira rústica, pensava em silêncio. A carta de Merlon era breve: relatava ter encontrado algo estranho, mas não especificava o que. A segunda mensagem, porém, trazia a notícia de que Merlon fora assassinado, morto por um praticante de magia das trevas. Ao pensar nisso, um véu sombrio cruzou o rosto rubro do ancião magro; era como se pressentisse uma tempestade iminente. Ele acreditava que o mundo seguiria as trilhas que conhecia, mas bastava um pequeno desvio para que tudo mudasse de direção, escapando de seu controle, e até ele, confiante em suas próprias previsões, não conseguia antever para onde tudo se encaminhava.
Merlon não era um grande herói, mas era um mago de alto nível e, como mago da corte, dominava feitiços ofensivos consideráveis. Ser morto por um mago das trevas usando magia de fogo era um acontecimento milagroso, uma afronta à Igreja da Luz e um desafio direto a ela! O ancião de manto branco discordava das suspeitas de Oniá, mas concordava com a opinião transmitida: talvez alguém dentro do Reino de Nicósia aproveitasse a oportunidade para atacar a Igreja da Luz, exigindo cautela.
Naturalmente, não podia tolerar tal situação, mas havia assuntos mais urgentes a tratar. Olhando para o oeste, o rosto magro do ancião de manto branco mostrava, intencionalmente ou não, um olhar distante. A saúde daquele homem parecia estar melhorando; seria possível que a luz sagrada tivesse poder de restauração? Era um mistério sem resposta, restando apenas esperar com paciência. Felizmente, Oniá tinha capacidade para enfrentar os desafios internos do Reino de Nicósia, mas seria mais seguro se tivesse dois cavaleiros para auxiliar. Pensando nisso, os olhos profundos do ancião de manto branco cintilaram com uma luz azulada.
Levantando-se, o ancião de manto branco olhou para o céu azul intenso. Os acontecimentos do norte não se desenrolavam conforme planejara; tudo o que arquitetara parecia sair dos trilhos, mas ainda não se afastara demais. Um sorriso enigmático surgiu em seus lábios; ele retirou um pergaminho mágico da estante, girou levemente os dedos, e o pergaminho flutuou e se desenrolou no ar, expandindo-se rapidamente. Um feixe de luz branca e intensa irrompeu do pergaminho, atravessando o céu.