Capítulo Doze: O Grande Negócio (3)

Destino Místico dos Céus Raiz da Sorte 2423 palavras 2026-02-07 12:28:46

— Barão, o que significa isso? — O visconde Crean, sempre orgulhoso de sua elegância, perdeu subitamente a compostura. — Não estávamos ainda negociando? Como pode usar esse tipo de linguagem para nos ameaçar?

— Visconde Crean, peço desculpas. Creio que foram vocês que começaram tratando-me como um mendigo, oferecendo esmolas, por isso acabei me excedendo. Peço desculpas por minha falta de tino, mas acredito que esta negociação não pode mais prosseguir, pois estamos em níveis de empenho muito diferentes quanto à importância desta questão. Na minha impressão, senhores, não consideram os refugiados destes países aliados como cidadãos iguais. — Cormer conteve a satisfação que lhe invadia o peito e, com uma expressão de indignação justa, fez uma reverência cortês de desculpas.

Os representantes dos três países se entreolharam, cientes de que o outro evidentemente não estava satisfeito com o valor proposto, mas não esperavam que ele fosse tão difícil de lidar — ora irrompendo em fúria, ora adoçando as palavras, deixando todos confusos, e sempre soando ameaçador. Ainda assim, se suas exigências extrapolassem os limites do possível, nada poderiam fazer.

— Barão, por que não nos apresenta sua proposta? Assim poderemos avaliá-la. O que acha? — O neerlandês assumiu uma expressão cautelosa e lançou um olhar ao duque Tez, que se mantinha em silêncio. — E o senhor, duque, o que pensa?

— Barão, o senhor Seribas tem razão. Traga-nos sua proposta para que a possamos considerar — concordou o duque Tez, enquanto uma nuvem de fumaça azulada escapava do cachimbo de urze, ocultando parcialmente sua expressão indecisa.

— Senhores, vim aqui disposto a recrutar trinta mil trabalhadores livres e robustos. Acredito que, entre cento e cinquenta mil pessoas, seja possível encontrar tal número. Para esses trinta mil, não peço nenhum escudo de ouro; assumo pessoalmente todas as responsabilidades por suas necessidades básicas. — Ao ouvir isso, todos na sala ficaram espantados. Seria possível que ele fosse tão generoso, e não estivesse sendo exigente apenas por dinheiro?

Apenas o duque Tez sabia que aquilo não passava de uma cortina de fumaça, e que as palavras seguintes deixariam os representantes à beira de um ataque.

— Mas os outros cento e vinte mil são, em sua maioria, velhos, mulheres e crianças. Digo, sem rodeios, que são um peso morto, apenas consumidores de recursos. Reflitam: o Cáucaso é isolado, quase sem infraestrutura, com menos de dez mil habitantes originais. Não há como preparar, em curto prazo, suprimentos suficientes para abrigar tamanha massa. Embora haja vastas terras incultas, é preciso queimá-las, lavrá-las, as minas ainda estão por abrir, casas, combustível, alimentos, roupas — tudo precisa ser trazido de fora. Até a próxima colheita, essas pessoas serão apenas bocas a alimentar, consumindo recursos. Sua sobrevivência ainda comprometerá os recursos dos habitantes originais. Como senhor destas terras, não posso ignorar tais fatores. — Cormer conduzia a conversa, preparando a armadilha.

— Barão Cormer, suas palavras são duras, mas não destituídas de razão. Como familiares dos trabalhadores, é verdade que, por ora, não podem manter-se por si próprios. Por isso mesmo, os três países estamos dispostos a oferecer subsídios. Contudo, temo não poder alcançar o valor que o senhor pretende — o visconde Crean mantinha sua cortesia irrepreensível.

— Visconde Crean, creio que isso reflete o grau de importância que dão a esses refugiados. Imaginem se todos eles adentrassem seus três países — quantos problemas e perigos lhes trariam? E se permitirem que permaneçam nos arredores, enfrentando o inverno rigoroso, dos duzentos mil, mal restarão cem mil. E então os orcs, no ano seguinte, nem precisarão de grande esforço: todos os países aliados do norte abrirão suas portas e permitirão sua invasão. Pois, se nem os aliados, a quem custou tanto proteger, cuidam de seus cidadãos, que motivo há para resistir? Todo o norte se sentirá traído. — O semblante de Cormer endureceu, e sua voz tornou-se gélida: — Se não fornecerem fundos suficientes para garantir a sobrevivência deles neste inverno e na fome da primavera vindoura, será como abandoná-los nas terras selvagens do norte. O resultado é o mesmo: morrerão de frio ou fome.

Os representantes empalideceram; Cormer atingira seu ponto fraco. A Liga do Norte, formada por dezenas de reinos, ducados e cidades-estado, dividia-se em duas facções: uma liderada pelo Reino de Nicósia, de caráter moderado; outra, centrada no Reino de Cnossos e no Ducado de Ática, alinhada à Igreja da Luz, cujo patriarcado se situava no sul do ducado. Um dos principais objetivos da Liga sempre fora conter o avanço incessante dos orcs das estepes do norte. Nos últimos anos, contudo, os orcs voltaram suas investidas principalmente contra as nações moderadas do leste, deixando as fronteiras norte dos países da Igreja relativamente estáveis — apenas pequenas incursões esporádicas, sem grandes invasões armadas.

Os três países e o Reino de Nicósia eram o núcleo moderado. Adotavam política religiosa tolerante: embora a Igreja da Luz fosse influente, não proibiam outros cultos em seus territórios; ao contrário, até os apoiavam discretamente. Isso os distinguia dos países da Igreja, que defendiam a exclusividade da Igreja da Luz, gerando divergências e debates, que, embora ainda não tivessem prejudicado as relações diplomáticas, aprofundavam a cisão entre as facções.

A invasão orc daquele ano resultara na destruição do Ducado de Meren e das cidades de Mein e Susol, ameaçando seriamente a sobrevivência dos países moderados. O Reino de Nicósia fora forçado a ampliar seu exército, agravando ainda mais suas finanças já precárias: endividou-se com grandes senhores internos e tomou vultosos empréstimos dos aliados mais ricos. Estes, conscientes da gravidade do momento, abriram generosamente os cofres. Mesmo assim, surgiam impasses quanto à destinação dos recursos para os refugiados.

As palavras de Cormer, ainda que um tanto exageradas, forçaram os representantes a considerar o sentimento popular entre os aliados: se perdessem o apoio do povo e as cidades-estado que ainda resistiam desanimassem, até mesmo os três países do centro poderiam cair diante dos orcs.

— Barão Cormer, creio que não há mais motivo para rodeios. Diga-nos seu preço. Penso que poderemos chegar a um acordo que satisfaça ambos os lados, pois o objetivo de Nicósia e dos nossos três países é o mesmo: garantir a sobrevivência destes refugiados. Ninguém deseja seu infortúnio — disse o barão Buhaz, antigo comerciante, que compreendia melhor as intenções de Cormer. Lançou um olhar ao duque Tez, que se mantinha em expectativa, e, ponderando um instante, resolveu jogar suas cartas.

— Hehe, o senhor Buhaz é direto. Para os cento e vinte mil velhos, mulheres e crianças, espero receber um subsídio de trinta escudos de ouro por cabeça, assim o Cáucaso poderá oferecer-lhes condições dignas de sobrevivência. — Cormer pronunciou cada palavra com ênfase.

Quase ao mesmo tempo, todos os representantes prenderam a respiração, trocando olhares, e balançaram a cabeça em sinal de recusa. Trinta escudos de ouro por pessoa significava, para cento e vinte mil pessoas, um total de três milhões e seiscentos mil escudos — uma soma colossal. Embora os três países pudessem arcar com tal despesa, não consideravam justificável pagar tanto por esta causa.