Capítulo Vinte e Nove: Despedida
— Pai, mãe, fiquem tranquilos, eu vou cuidar direitinho do meu irmão!
Na estação ferroviária de Jiangjing, Zhang Lan não demonstrava nenhuma tristeza pela despedida; ao contrário, garantia cheia de confiança a Zhang Guozhong e Sun Yuehe.
Crianças de famílias humildes não cultivam tantas emoções de separação.
Sun Yuehe, irritada, disse:
— Você vai cuidar do seu irmão? Fique quieta! Se ousar aprontar e atrapalhar seu irmão, volte logo pra casa cuidar dos porcos!
Zhang Guozhong também acrescentou:
— Tem que obedecer ao seu irmão, não vá se empolgar demais.
Eles mesmos não esperavam que Zhang Lan conseguisse se enturmar tão bem na escola anexa.
Zhang Qing sorriu:
— Falta só mais meia quinzena. Nós dois voltamos depois do Ano Novo. Vocês podem ir antes, viagem com cuidado.
Sun Yuehe estava radiante; suas roupas também não se comparavam mais ao casaco vermelho que trouxera. Agora vestia um longo casaco de penas amarelo-claro, botas de couro elegantes, e até o cabelo estava arrumado, muito estilosa.
Zhang Guozhong também estava com ótimo aspecto; trocara o grosso casaco de algodão por um de penas, usava suéter de lã e sapatos de couro.
O principal motivo da alegria era a volta para casa.
Em sua visão simples, não havia nada mais glorioso na vida do que regressar ao lar em boa situação.
Sempre econômicos, desta vez se permitiram e compraram muitos produtos locais em Jiangjing: comidas, roupas, acessórios para idosos, brinquedos para as crianças — vários pacotes enviados antes pelo correio.
— Vão indo. Quando as aulas acabarem, voltem logo também. Este ano, nossa família vai celebrar o Ano Novo como merece.
Apesar da alegria, havia um leve tom de melancolia na voz de Sun Yuehe.
Zhang Guozhong consolou a esposa:
— Foram meus erros que prejudicaram a família nos últimos anos, mas agora tudo melhorou; daqui pra frente, será cada vez melhor.
Quando anunciaram o início do embarque, Zhang Qing e sua irmã acompanharam os pais até a entrada.
Olhando para a multidão, Zhang Lan comentou, invejosa:
— Papai e mamãe vão viajar bem dessa vez, vão de leito! Na ida, só sentados, quase morremos de cansaço! Quando voltarmos, também vamos de leito!
Desta vez, Sun Yuehe não brigou com a filha; aproximou-se e recomendou:
— Tem que ouvir o seu irmão, entendeu?
Zhang Lan assentiu, mas os olhos se encheram de lágrimas.
Zhang Qing sorriu:
— É só por meia quinzena. Entrem logo e cuidem bem das bolsas, para ninguém roubar.
Esse era um ponto importante. Dentro de uma das bolsas estava a caderneta de poupança, com cem mil. Sun Yuehe logo esqueceu a tristeza e, junto de Zhang Guozhong, foi para a fila de embarque. Após passarem pelo controle, entraram na plataforma.
Somente quando não conseguia mais ver os pais, Zhang Lan deixou escorrer duas lágrimas, encostando-se ao irmão e soluçando.
Zhang Qing sorriu e disse:
— Vamos, vamos para casa. Quer que eu te compre uma roupa nova?
Zhang Lan balançou a cabeça, fungando:
— Mamãe acabou de comprar, nem usei tudo ainda. Irmão, depois que papai e mamãe voltarem, eles vão viver bem, não vão?
Zhang Qing sorriu:
— Claro que sim. Para gente comum como nós, se não houver doença grave e tivermos algum dinheiro guardado, não tem como a vida ser ruim.
Zhang Lan disse, triste:
— Mas se eu não voltar, é mamãe que vai cuidar dos porcos, buscar água, carregar carvão... Não tem ninguém pra ajudar ela a esquentar água...
Para ela, era como se estivesse fugindo da responsabilidade.
Zhang Qing sentiu o peito apertar, mas sorriu e consolou:
— Você esqueceu? Combinamos que os porcos e as galinhas seriam dados para o tio mais velho e o do meio. No Ano Novo, eles nos dão uma perna dianteira, uma traseira e dois pés de porco. Depois, papai e mamãe vão morar em apartamento, não precisam mais buscar água nem acender o fogão; vão ter botijão de gás.
Ao ouvir isso, Zhang Lan finalmente se tranquilizou e sorriu.
Zhang Qing perguntou à irmã:
— O que quer jantar? Hoje não vamos cozinhar, vamos comer fora.
Zhang Lan ficou envergonhada, hesitando:
— Irmão, eu... eu queria...
As últimas palavras foram tão baixas que, com o barulho da estação, mal se ouviu.
Zhang Qing sorriu:
— Quer comer o quê?
Zhang Lan, sem graça, respondeu:
— Queria comer hambúrguer do McDonald's e tomar Coca-Cola. A Zhang Jiajia da minha sala disse que é uma delícia... Não é por competir com ninguém, só queria experimentar, ver se ela não está exagerando.
Ouvindo a justificativa da irmã, Zhang Qing riu:
— Tudo bem, vamos ao McDonald's. Daqui pra frente, toda semana te dou vinte reais de mesada. Se quiser, pode ir sozinha ou com colegas. Se alguém te convidar, você também deve retribuir, é assim que se faz.
Zhang Lan logo respondeu:
— É muito! Não tenho coragem de gastar tanto. Se mamãe souber, vai quebrar minhas pernas! Ela disse que nossa família saiu do fundo do poço graças a você, então temos que valorizar o que temos e não desperdiçar dinheiro.
Os dois saíram da estação e foram para o ponto de ônibus. Zhang Qing disse à irmã:
— Sei que você não vai desperdiçar. Por isso te dou esse dinheiro. Meninas precisam ser bem cuidadas, assim no futuro não caem em armadilhas por causa de pequenos favores. Não precisamos esbanjar, mas também não podemos ser mesquinhos.
Zhang Lan olhou para o irmão com admiração:
— Irmão, você está tão esperto agora!
No dialeto do oeste, "esperto" significa "incrível".
Zhang Qing sorriu e disse uma pequena mentira:
— Se você se esforçar, pode até ficar melhor que eu no futuro.
Zhang Lan não caiu na conversa, balançou a cabeça e riu:
— Nem pensar! Meu irmão é o melhor do mundo. Além disso, eu não sou boa nos estudos...
Vendo a irmã abaixar a cabeça, envergonhada, Zhang Qing bagunçou sua franja e disse, sorrindo:
— A escola lá no oeste não tem os mesmos recursos de ensino que aqui, mas isso não importa. Pedi a um amigo para conseguir uma professora particular da universidade pedagógica. Depois do Ano Novo, ela vai te ensinar desde o começo. Minha irmã é esforçada e entende as coisas, vai aprender direitinho.
Zhang Lan assentiu com força:
— Irmão, eu prometo que não vou jogar fora o seu dinheiro!
...
Ano de 1996, vinte de janeiro.
Terceiro ano do ensino médio, turma nove, Escola Secundária Número Um de Jiangjing.
No último dia do semestre, Yang Fengmei, pela primeira vez, não incentivava a classe em voz alta, mas falava em tom suave e sorridente:
— Este é o último Ano Novo no colégio de vocês, e também será o último semestre. Depois do Ano Novo, não só termina o ensino médio, como a maioria de vocês já será maior de idade! Meus queridos, a vida é longa, mas esta fase é a mais valiosa. Ao longo da vida, é preciso se esforçar nos estudos, mas a vida não é só isso. Desejo sinceramente que aproveitem bem este Ano Novo tão especial. As notas finais, desta vez, decidi não entregar agora. Só quando voltarmos do Ano Novo.
— Viva a professora!
Num instante, a sala explodiu em gritos de alegria.
Alguns colegas, porém, olharam com estranheza, achando a situação um pouco suspeita.
Após a agitação, Qi Juan arregalou os grandes olhos e brincou:
— Professora Yang, por que de repente ficou tão boazinha, quase uma santa cheia de compaixão?
Na turma, só Qi Juan tinha coragem de brincar desse jeito com a professora.
Os outros alunos logo ficaram em silêncio, enquanto Yang Fengmei suspirava:
— O governo já incentiva a educação integral há alguns anos — desenvolver caráter, inteligência, físico, estética e trabalho — mas, na prática, quase ninguém leva isso a sério. De que adianta educação integral se não entrar numa universidade? Mas, ultimamente, algumas coisas aconteceram e muitos professores ficaram chocados, percebendo que as políticas nacionais são para valer. Enfim, não vou falar mais disso. Só espero que aproveitem bem o Ano Novo, ajustem o estado de espírito, revisem os estudos sempre que possível. Quando voltarmos, quero ver todos sem cansaço, sem preguiça, sem aversão aos estudos. Nossa turma nove do terceiro ano vai para o ataque final!
— Viva a professora!
...