Capítulo Quarenta e Dois: O Vazio Após a Partida
— Ora vejam, o telefone foi mesmo instalado!
A família toda dos Sun, apesar de jurarem que não ousariam subir ao terceiro andar, não conseguiram conter a curiosidade e subiram juntos para ver a novidade depois que Sun Yuehe contou que Zhang Qing já puxara a linha telefônica.
Luz elétrica em cima e embaixo, telefone — era disso que o Grande Irmão falava quando prometia o socialismo.
E mesmo vinte anos depois, a maioria do povo no extremo oeste ainda não teria acesso a esse tipo de vida.
— Quanto custa ligar por minuto? Lá na casa do Zhang Cai é caríssimo, ligação local sai a seis mao por minuto, e interurbana parece que é mais de um yuan — perguntou Sun Fusheng, os olhos cheios de expectativa.
Zhang Qing sorriu e respondeu:
— Saiu uma política nova no início do ano, baixaram os preços. Telefonema local custa três mao, interurbana seis mao, e a taxa do aparelho quarenta por mês.
Sun Yuantang, sem entender, perguntou:
— O que é essa tal de taxa do aparelho?
Sun Fusheng explicou:
— É o dinheiro que tem que pagar todo mês mesmo sem usar o telefone! Vejam só, só essa taxa já dá quase quinhentos no ano.
Zhang Qing disse:
— Ainda vai baixar mais no futuro, e a casa precisa mesmo de um telefone. Alguém quer ligar para algum lugar? Dá pra fazer interurbano também.
Sun Qingshi interveio:
— Pra que ficar ligando à toa? Não é jogar dinheiro fora? Jogado na água ainda faz uma onda, mas aqui, depois de algumas palavras, não sobra nada. Sem urgência, não mexam no telefone. Esse aparelho é para Qing e Lanlan ligarem para os pais quando estiverem estudando fora.
Os que estavam ansiosos para experimentar, como Sun Fusheng, desistiram imediatamente, assentindo, achando muito sensato.
— Qing, deixa eu te contar uma coisa, mas não fica bravo — disse de repente Sun Qingshi, depois de acalmar os netos inquietos.
Zhang Qing se surpreendeu, e respondeu sorrindo:
— Vovô, o que é isso? Como eu poderia ficar bravo com o senhor?
Sun Qingshi sorriu meio sem jeito:
— Eu e sua avó queremos voltar pra casa.
Zhang Qing, sem entender, perguntou:
— O que houve? Tem algum problema com a casa?
Sun Qingshi sorriu amargamente:
— Que problema poderia ter? Se duvidar, nem a casa do imperador era melhor que essa. Mas é justamente por isso que eu e sua avó não conseguimos dormir direito. Só depois de ficar deitados até muito tarde, exaustos, é que pegamos no sono. A casa é boa demais, nossa sorte não acompanha.
Li Yun, ao lado, comentou:
— Pai, não é por sorte demais, é porque não estamos acostumados. Passamos a vida dormindo no kang aquecido a lenha; agora, numa cama, como dormir direito? Não são só vocês, todos nós sentimos isso.
E então, voltando-se para Zhang Qing, disse:
— Qing, não fique bravo, não é que não saibamos valorizar. Queríamos mesmo morar aqui, mas é preciso ir devagar. Foi tudo tão repentino, vocês enriqueceram de um dia para o outro, e em dois dias você já comprou um casarão desses. Já nos sentimos satisfeitos, mas em casa está tudo largado, nada arrumado. Esses dias, seu primo Fusheng ficou indo e vindo de trator todo dia, só de vê-los mexendo em casa já ficávamos aflitos. É melhor esperar um pouco, daqui a um ou dois anos ficamos mais acostumados. Agora todo mundo só pensa em voltar, mas ficamos com medo de te magoar e você achar que somos ingratos.
Zhang Qing riu:
— De jeito nenhum, tia. Na verdade, meus pais também andaram meio desconfortáveis esses dias, parecia até quando morávamos em Jiangjing, e olhe que está toda a família junta aqui. Vocês podem ir passear pela cidade.
A segunda tia, Liu Xiu’e, riu:
— Não fomos passear esses dias? O povo da rua até achou que chegou um bando de andarilhos, todo santo dia rodando por aí nesse frio. E, afinal, a cidade é pequena, já rodamos tudo. Também não dá pra sair muito, sair é gastar dinheiro. Quem tem tanto dinheiro assim pra gastar...
Li Ying, apressando-se antes que Zhang Qing pudesse responder, emendou:
— Qing, nem pense em dizer mais nada, não podemos ficar morando, comendo às suas custas, e ainda gastar seu dinheiro passeando. Isso seria como sanguessugas, não acha? Vamos voltar pra casa, e depois de uns dias, se der vontade, a gente volta pra cá. Pode apostar, mal chegarmos em casa já vamos ficar pensando nessa casa. Eu calculo que, no máximo, em três dias alguém aparece pra passar uns dias aqui de novo.
Todos caíram na risada, inclusive Zhang Qing, que disse:
— Vivam da forma mais alegre possível. Vocês são mais velhos e já passaram por muita coisa, sabem o que fazer, não precisam se preocupar comigo.
Os mais velhos ficaram ainda mais satisfeitos e gostaram ainda mais de Zhang Qing. A avó, Zhao Juxiang, disse:
— Então vamos logo, quero é chegar e dormir direito!
Sun Haiyan comentou:
— Voltando assim, o povo vai rir da gente.
Li Ying retrucou:
— Você não entende, é justamente voltando assim que eles ficam felizes.
Sun Mantang interrompeu a discussão e disse:
— Já que querem ir, vamos arrumar tudo, daqui a pouco Fusheng leva a gente de volta. Falta só uma semana pro Ano Novo, vocês já compraram toda a comida, Fusheng já levou pra casa. As roupas e sapatos novos já estão embalados, se perder não dá pra comprar de novo.
Com a proximidade do Ano Novo, todos ficaram ainda mais animados, sonhando com um grande e festivo ano!
Zhao Juxiang, porém, apressava todos para arrumarem logo as coisas e voltarem para casa.
— Pai, mãe, vocês vão também? — Zhang Qing não esperava que até Zhang Guozhong e Sun Yuehe fossem partir.
Zhang Guozhong respondeu:
— Minhas costas ficam melhores dormindo no kang quente.
Sun Yuehe resmungou:
— Conversa fiada, você é que quer voltar pra jogar cartas. — E voltando-se para Zhang Qing, sorriu: — Vou ajudar sua tia a arrumar as coisas do Ano Novo, fritar uns bolinhos, preparar carne, lavar tudo. No começo não queria ir, pensando que não teria ninguém pra cozinhar pra você. Mas tem vários restaurantes aqui embaixo, comida de todo tipo, e você parece até gostar de comer fora. A comida de lá é limpa, fico tranquila. — E disse em voz baixa: — Você passa as noites escrevendo e estudando até tarde, seu tio diz que é porque vem gente demais e te atrapalha.
Zhang Qing respondeu:
— Não é nada disso, só gosto de escrever à noite, é mais tranquilo.
Zhang Guozhong riu:
— Mas não é porque de dia está sempre barulhento? A verdade é que eles não se acostumaram porque você está em casa, em vez de estar estudando fora. Agora toda a família te trata como se fosse um santo.
Zhang Qing olhou para a irmã, Zhang Lan, que ria à toa ao lado:
— E você, vai também?
Zhang Lan riu:
— Vou voltar pra brincar com a Haixia e o pessoal, lá em casa tem muito mais graça: andar de trenó, girar pião, patinar no gelo, fazer boneco de neve...
— Aproveita bem pra se divertir! — resmungou Sun Yuehe, e depois voltou-se para Zhang Qing, aconselhando: — Se precisar de alguma coisa, liga pra casa do Zhang Cai. No máximo em três dias, mando Fusheng te buscar pra passar o Ano Novo em casa.
Assim, os três também partiram.
Só ao saírem todos é que se notou como a casa ficou subitamente silenciosa.
À noite, Zhang Qing foi ao restaurante de lámen perto do prédio e, por um yuan e meio, comeu uma grande tigela de macarrão com carne e ainda pediu dez espetinhos de churrasco.
Só então percebeu o motivo do sorriso estranho da moça da etnia XJ — tinha esquecido o tamanho dos espetinhos. Eram enormes, um yuan cada um, deliciosos.
Teve que se esforçar pra comer tudo e saiu até cambaleando, fazendo a moça rir até tremer.
— Baoziya, não incomode o cliente! — o dono repreendeu com seriedade.
Zhang Qing acenou, dizendo que não era nada.
No extremo oeste, em geral, as relações entre as etnias são muito harmoniosas.
Ao voltar para casa e ver o apartamento vazio, Zhang Qing sentiu um certo desamparo.
Tirou o pesado casaco, andou um pouco pela sala, parou diante do telefone e discou um número...
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