Capítulo Três: Maravilhas Surpreendentes
Colégio Número Um de Jiangjing, sala de informática.
O professor responsável olhou para Zhang Qing, que estava ali com seu cartão para usar o computador, e comentou, divertido:
— Você só tem quarenta horas por semestre, já veio logo no início das aulas?
Primeiro de setembro era o dia oficial de apresentação. Hoje, o principal era a grande faxina, receber os livros didáticos, e ao terminar, Zhang Qing foi direto para a sala de informática com seu cartão.
Zhang Qing não explicou nada; quando o professor lhe passou o número da máquina, ele ligou o computador e começou a pesquisar na internet as informações que queria confirmar...
Naquele sonho tão longo, ele aprendera muitas coisas, mas se eram verdadeiras ou não, precisava verificar uma a uma.
Era estranho como o curso da história naquele mundo era quase idêntico ao deste. Também havia as dinastias Tang, Song, Yuan, Ming, Qing e a República, mas as pessoas eram completamente diferentes.
No entanto, o desenvolvimento das ciências naturais seguia quase no mesmo ritmo.
Naquela época, a internet ainda não era tão cheia de artifícios; predominavam o PPS e versões textuais de notícias. Não havia motores de busca como Baidu ou Tencent, mas o Yahoo já existia.
Só que, ao pesquisar, viu que o fundador do Yahoo não se chamava Jerry Yang.
No cenário da internet, o nome em destaque era Li Nian, recém-chegado dos Estados Unidos, que propunha criar o Yahoo e o Sohu chineses.
As pessoas eram diferentes, mas a ciência seguia igual.
Porém...
Beethoven? Não existia, tampouco a “Sonata ao Luar”.
Jin Yong? Também não, e aquelas histórias de heróis saltando pelos telhados jamais foram escritas.
Teresa Teng não existia, nem Jacky Cheung, nem Eason Chan e tantos outros.
Zhang Qing continuava a pesquisar, aparentemente impassível, mas no coração sentia uma tempestade de emoções; suas mãos até tremiam.
Como podia haver algo tão absurdo e fantástico?
Aquele mundo estranho, afinal, era real ou não passava de uma ilusão? Ou seria um pouco dos dois?
Depois de sentar sem reação por meia hora, Zhang Qing, levado por um pensamento súbito, levantou-se, deixou a sala de informática no quarto andar e desceu até a sala de leitura no terceiro.
Pegou a edição mais recente da “Antologia de Lendas de Wuxia” assinada pela escola, leu por mais meia hora, anotou discretamente o endereço da redação e saiu novamente.
...
— Colegas, este é o ano que mudará o destino de vocês, é o ano em que cada um seguirá por um caminho diferente!
— Talvez, agora, vocês ainda não entendam o que este ano significa em suas longas vidas, mas eu lhes digo: daqui a cinco, dez, quinze, vinte anos ou ainda mais, quando olharem para trás, o que mais lhes dará orgulho será este ano; o que mais lhes causará arrependimento, também será este ano. O que mais os encherá de satisfação será este ano, e o que mais os entristecerá, ainda assim, será este ano!
— Mas a vida não dá segunda chance! O que será do futuro, depende apenas de vocês!
— Mil palavras não bastariam para expressar meu coração. Eu, como professora, adoraria poder enfiar o conhecimento diretamente em suas cabeças, mas sou incapaz disso. Só posso dar tudo de mim para ensinar, e cabe a vocês terem confiança, determinação e perseverança até o final!
Na Turma 9 do terceiro ano, a professora de matemática e diretora de turma, Yang Fengmei, fazia um discurso inflamado de motivação para o novo ano letivo. Sob a liderança de Qi Juan e dos demais representantes, os cinquenta e seis colegas responderam com um grito ensurdecedor:
— Temos confiança! Temos determinação! Vamos até o fim!
Logo depois, todos caíram na gargalhada.
Yang Fengmei também riu e continuou:
— Ótimo, que bom que estão motivados! Agora, abram o livro de exercícios. Na verdade, o conteúdo do último ano já foi dado no segundo. Este ano não tem segredo: é resolver exercícios! Montanhas de exercícios, mares de problemas. A estrada no mundo dos livros é feita de esforço, e o mar do conhecimento só se atravessa com trabalho árduo. Temos que abrir caminho a ferro e fogo entre livros e exercícios! Zhang Qing!
Mudando o tom, Yang Fengmei chamou pelo nome.
Zhang Qing se sobressaltou, levantou-se sem entender, fitando a professora.
— Abra na página sessenta e cinco, questão dois. Conte-nos sua linha de raciocínio.
Ninguém esperava que a professora fosse começar tão a sério, ainda mais chamando logo Zhang Qing. Alguns respiraram aliviados, mas ao mesmo tempo sentiram pena por ele.
Era um problema de geometria espacial.
Para a maioria, geometria espacial era algo abstrato demais, dependia de imaginação para visualizar as figuras... nada fácil.
Zhang Qing era bom em matemática, acima da média na turma, mas na última prova do semestre anterior, também não conseguira resolver a questão de geometria espacial.
Ao abrirem o livro e verem qual era a questão, muitos colegas suspiraram. Difícil demais.
Zhang Qing analisou por um momento, sua expressão ficou levemente distraída, mas logo respondeu:
— Se tomarmos G como ponto médio de PC, ligamos FG e GD. F e G são os pontos médios de PG e PC, respectivamente. O quadrilátero ABCD é um paralelogramo, então...
Antes que ele terminasse, Yang Fengmei o interrompeu, sorrindo:
— Portanto, pode-se provar que EF é paralelo ao plano PCD. Muito bem, vejo que estudou nas férias, seu raciocínio está claro. Mas não se deixe levar, nem relaxe. Soube que, logo no início, você foi para a sala de informática e depois foi ler romances de artes marciais na sala de leitura?
A sala explodiu em risadas.
Zhang Qing olhou surpreso para Yang Fengmei, que, satisfeita, declarou:
— Acham mesmo que consigo ser enganada pelas coisas que fazem?
Zhang Qing explicou:
— Professora, fui à sala de informática pesquisar, não joguei nem vi filmes.
Yang Fengmei respondeu, rindo:
— Se eu não soubesse disso, acha que só falaria aqui na sala? Já teria mandado você para o gabinete para levar uma bronca. Sente-se, só queria lembrar que, não importa o que aconteça, este ano tudo deve ficar em segundo plano; os estudos são prioridade. Isso vale para todos vocês...
Depois de se sentar, seu colega de mesa, Sun Xiang, sem olhar para ele, murmurou baixinho:
— Você não sabia? A diretora transferiu os professores responsáveis pela sala de informática e pela sala de leitura para a ala dos professores do terceiro ano...
Zhang Qing: “...”
...
“Wanyan Honglie saiu do quarto e viu, no corredor, um erudito de meia-idade arrastando os chinelos, fazendo barulho a cada passo, bocejando enquanto vinha em sua direção. O homem tinha um sorriso dúbio, franzia o rosto, com um ar de desleixo, todo engordurado, roupas desalinhadas, o rosto encardido, parecia não tomar banho há uns dez dias, abanando-se com um leque preto de papel engordurado todo rasgado. Wanyan Honglie viu que, apesar do traje de erudito, o sujeito era imundo, franziu a testa e apressou o passo, temendo se sujar ao cruzar o caminho com ele...”
Na sala de estudos noturna, Zhang Qing estava debruçado sobre a mesa, escrevendo freneticamente.
Como menos da metade dos alunos da turma eram internos, havia uma mesa para cada um, e professores de plantão circulavam pela sala, então ninguém ousava passear ou conversar. Zhang Qing apreciava o silêncio.
Escrevia com velocidade; tudo que sonhara, cada detalhe, estava fresco em sua memória.
O que um dia fora reclamação contra o destino, transformara-se agora em gratidão profunda.
Zhang Qing não sabia se aquele encontro extraordinário lhe fora dado pela conjunção dos nove astros, mas também não tinha tempo de investigar.
O mais importante era encontrar logo uma forma de ganhar dinheiro para ajudar em casa.
A situação era crítica: não havia nem cinquenta yuans em casa.
Mas o pai e a mãe precisavam de dinheiro para remédios, a irmã Zhang Lan precisava pagar a escola...
Mesmo que aquele destino tão estranho custasse sua própria vida, ele estava disposto a pagar o preço!
Uma folha, duas folhas, três folhas...
Zhang Qing não conhecia o cansaço, escrevendo as histórias que lera em seus sonhos.
Quando o sinal marcou o fim das duas horas de estudo noturno, ele terminava o segundo capítulo:
Ke Zhen’e era cego, mas seus ouvidos eram apuradíssimos; ao ouvir os gritos, percebeu que era uma mulher e suspirou: “Mestre Jiao Mu, você nos levou todos à ruína. Seu templo realmente esconde uma mulher!” Jiao Mu se espantou e despertou; percebeu que, por descuido, envolvera um amigo em sua desgraça, sentiu-se furioso e aflito. Apoiado no chão, saltou com o corpo todo, braços abertos, e se lançou contra Duan Tiande. Este, vendo o ataque feroz, apavorou-se e desviou. Jiao Mu, já gravemente ferido, estava lento, então chocou-se com uma coluna do salão, esmagando o crânio e morrendo na hora.
...