Capítulo 120: O Medo

Operação Secreta Silenciosa Vento Longo 3682 palavras 2026-03-31 16:57:40

— Ao todo eram duas pessoas, um homem e uma mulher, o homem com mais de cinquenta anos, um pouco curvado... — entre todas as pessoas que foram nocauteadas, apenas o jovem recepcionista da recepção viu os invasores, e tremendo, descreveu aquela cena que jamais esqueceria.

Os cozinheiros da cozinha mal conseguiram enxergar quantos eram e desmaiaram completamente.

— Eu só vi uma sombra fantasmagórica passando diante dos meus olhos, e então desmaiei? — murmurou ele.

— Foi aterrorizante...

Embora Gu Mosheng estivesse bastante assustado, ao interrogar o recepcionista e os dois cozinheiros da cozinha, além de analisar as evidências deixadas no local, ele concluiu que se tratava de um grupo de elite formado por quatro ou cinco pessoas.

Cada um deles era um mestre em sua arte.

Além disso, todos tinham habilidades marciais e carregavam um dispositivo que abafava os disparos — algo parecido com um silenciador, que naquela época era praticamente desconhecido.

Entre eles havia uma mulher extremamente ágil, e todos usavam disfarces; mesmo sem máscaras, aquela não era a verdadeira aparência deles.

Foi uma operação meticulosamente planejada e executada com precisão mortal. Os invasores conheciam tão bem o funcionamento interno do “Tang Ji” que entraram como se estivessem em seu próprio quintal, resgataram Gu Yuan da masmorra em tempo recorde e ainda saquearam todos os documentos e riquezas escondidos na sala escura.

Gu Mosheng, ainda tremendo de medo, rangia os dentes de raiva.

Esse estilo de agir sem deixar rastros era simplesmente ultrajante.

Isso era coisa de gente?

Gu Mosheng não ousou permanecer no “Tang Ji”. Ele ordenou que Wei Laosan cuidasse dos assuntos posteriores e levou os sobreviventes para morar diretamente na delegacia.

Embora a delegacia fosse um local grande e movimentado, era seguro. O “Tang Ji” era secreto, mas uma vez que algo desse errado, não haveria quem os ajudasse.

— Tome um pouco de água quente para se acalmar — disse Han Liangze, preparando pessoalmente um chá para Gu Mosheng.

— Diretor Han, essa vingança não paga, como poderei me estabelecer em Jiangcheng? — Gu Mosheng finalmente recuperou a calma, embora seus olhos ainda estivessem vermelhos de tanto chorar.

— Mosheng, qual é seu plano?

— Eles resgataram Gu Yuan e roubaram minhas economias de anos, certamente ainda estão na cidade. Quero pedir ao Ministro Duomen que ordene uma grande operação de captura na Terceira Zona!

— Como você tem certeza de que eles ainda estão na Terceira Zona?

— Gu Yuan não tem um passe especial, e para circular entre as zonas é preciso apresentar passe e certificado de bom cidadão. Eles carregam o ouro e prata roubados, não ousariam passar pelos postos de controle. Se forem pegos, quem você acha que se beneficiaria? — retrucou Gu Mosheng.

A ganância dos japoneses era conhecida de todos; eles tiravam até as penas dos patos. Se alguém fosse pego com grandes quantias de ouro e prata, eles jamais deixariam passar.

— Mas a Terceira Zona é vizinha da Concessão Francesa, eles poderiam estar escondidos lá.

— Se não encontrarmos ninguém na Terceira Zona, o alvo fica claro: eles estarão na Concessão Francesa! — Gu Mosheng bateu o punho na mesa de madeira maciça.

— Certo, vou ligar para o Ministro Duomen. É uma questão grave, ele deve ser informado — concordou Han Liangze, levantando-se para pegar o telefone vermelho na mesa, a única linha direta da delegacia.

— Alô, Ministro Duomen? Aqui é Han Liangze...

Sem esconder nada de Gu Mosheng, Han Liangze relatou a situação do ataque ao “Tang Ji” para Duomen Jirou.

Duomen Jirou ficou bastante chocado com o relato. Apesar dos constantes ataques, assassinatos e sabotagens recentes, todos eram dentro de um padrão esperado, com métodos conhecidos e rastreáveis, nada verdadeiramente assustador.

Mas desta vez era diferente.

O inimigo agiu como na “bomba” durante o desfile de entrada na cidade: sem aviso prévio, desaparecendo misteriosamente depois. E tudo isso à luz do dia. Mataram pessoas, resgataram um prisioneiro, saquearam riquezas, mas pouparam inocentes, não exterminando todos.

Foi intencional, ou havia outro motivo?

Este caso tinha algo muito fora do comum.

Após desligar, Duomen Jirou ordenou que seu ajudante Akagi trouxesse o carro para levá-lo até a delegacia.

Han Liangze e Gu Mosheng saíram para recebê-lo pessoalmente.

Ao entrarem no escritório, Han Liangze pediu para Dong Cheng preparar chá e fechou a porta. A conversa que se seguiria era confidencial.

Gu Mosheng relatou detalhadamente todo o processo do ataque a Duomen Jirou.

O relato de um participante direto comoveu profundamente Duomen Jirou, que até sentiu um arrepio frio nas costas.

— A Agência Militar de Inteligência, só pode ter sido eles. Só eles têm essa capacidade, não consigo imaginar outro responsável — disse Gu Mosheng com os dentes cerrados.

— Senhor Gu, entendo seu medo, e em nome do Departamento de Espionagem, expresso minha solidariedade. Seu pedido será transmitido ao Capitão Yoshino — afirmou Duomen Jirou.

— Obrigado, Ministro Duomen — Gu Mosheng respondeu com gratidão.

— Fique tranquilo, senhor Gu. Este não é um problema pessoal, é do nosso Departamento de Espionagem. Enquanto não eliminarmos a rede subterrânea da Agência Militar em Jiangcheng, não teremos paz. Este é o nosso objetivo comum! — Duomen Jirou declarou solenemente.

— Sim — uniram-se Han e Gu com um aceno.

— Nosso inimigo é realmente extraordinário. Senhor Gu, com seu conhecimento da Agência Militar, de onde eles podem ser?

— Ministro Duomen, acredito que não sejam da região de Jiangcheng. Pelo que sei, no ano passado a Agência Militar realizou um treinamento intensivo em grande escala em Linli, na região de Xiangxi. Chamamos esse curso de “Treinamento de Linli”. Muitos ainda não se formaram, mas alguns participaram antecipadamente das operações. Esses são os melhores talentos da turma, entre eles estão Liu Jinbao e Gu Yuan — explicou Gu Mosheng, um agente experiente que, embora não soubesse quem atacou o “Tang Ji”, tinha suas suspeitas.

— Então Liu Jinbao provavelmente sabe disso?

— Com certeza. Acho que o ataque foi direcionado a ele e Gu Yuan, mas não contavam que já havíamos transferido Liu Jinbao para a seção especial da polícia militar, e só resgataram Gu Yuan — Gu Mosheng admitiu, arrependido por não estar no “Tang Ji” naquele momento.

— Senhor Gu, por que não mencionou o caso de Gu Yuan?

Duomen Jirou o questionou abruptamente.

— Bem...

— Duomen, eu sabia do caso de Gu Yuan. Diferente de Liu Jinbao, ele era subordinado do Diretor Gu, que o manteve sob vigilância para tentar convencê-lo a se juntar a nós. Gu Yuan até tentou persuadir Liu Jinbao, mas sem sucesso — Han Liangze explicou em defesa de Gu Mosheng.

— Entendi. Então Gu Yuan poderia ter virado um de nós, certo? — Duomen Jirou perguntou, com o semblante amenizado.

— Sim, mas como esses homens eram seus colegas, ele hesitou em traí-los. Por isso limitei sua liberdade, mas não o tratei mal — respondeu Gu Mosheng.

— Quem sabe agir no momento certo é sábio. Se tivesse me contado antes, isso não teria acontecido — reclamou Duomen Jirou.

— Foi falta de previsão da minha parte.

Duomen Jirou não insistiu, pois sabia que todos têm seus interesses pessoais. Não acreditaria que alguém como Gu Mosheng agiria completamente desinteressado.

— Eles já torturaram Liu Jinbao em Butao, mas ele não cede. Vocês têm alguma ideia para fazê-lo falar?

Han Liangze e Gu Mosheng trocaram um olhar.

— O que não pode ser dito?

— Ministro Duomen, há um método, mas seria imoral para nós chineses — disse Gu Mosheng.

— Enquanto fizer Liu Jinbao falar, tudo vale — resmungou Duomen Jirou. — Para prender os criminosos, não temos limites.

— Liu Jinbao tem uma mulher grávida de dois meses. Ele é órfão, e esse filho é tudo para ele. Se usarmos a criança para ameaçá-lo, acredito que ele falará — sugeriu Gu Mosheng.

— Por que não disse isso antes?

Han Liangze e Gu Mosheng ficaram constrangidos; como explicar que revelar isso seria entregar vantagem ao inimigo japonês?

— Traga essa mulher imediatamente para a polícia militar — ordenou Duomen Jirou.

Gu Mosheng nada disse, chamou Wei Laosan e, em voz baixa, deu ordens, batendo em seu ombro para que fosse cumprir a missão.

— Irmão Han, senhor Gu, pode ser que os atacantes do “Tang Ji” sejam o mesmo grupo da “bomba” no desfile? — Duomen Jirou refletiu em voz alta.

Han Liangze e Gu Mosheng trocaram olhares preocupados.

Essa hipótese era aterradora.

Era impossível negar que a suspeita de Duomen Jirou não tinha fundamento. Os japoneses haviam usado todos os meios para investigar, até especialistas em artilharia foram chamados para analisar a trajetória dos projéteis do ataque.

A conclusão foi que os tiros foram calculados com precisão extrema, levando em conta as condições ambientais.

Alguém com profundo conhecimento em balística estava comandando a operação.

Mas as três peças de morteiro estavam em posições distintas; como coordenaram o ataque?

Mesmo considerando o primeiro disparo como sinal, o tiro foi impressionantemente exato, quase ultrapassando os limites operacionais no campo de batalha.

A artilharia de morteiro tem alcance de até 2,4 quilômetros, mas normalmente é usada para apoio de infantaria em distâncias entre 500 e 1000 metros, onde a precisão é maior. Além disso, posicionar os morteiros a mil metros para um ataque tão preciso é algo raro mesmo entre militares.

O general Okamura Ningji deu um prazo de um mês para resolver o caso, sem exigir necessariamente a captura dos responsáveis. Afinal, já haviam se passado quinze dias; se os criminosos já tivessem fugido de Jiangcheng, Duomen Jirou não conseguiria pegá-los.

Mas descobrir a identidade dos culpados, mesmo que fosse apenas um forte suspeito, ajudaria a restaurar a honra do Exército Imperial Japonês.

Caso contrário, a inteligência do império pareceria incapaz.

— Ministro Duomen, não me atrevo a afirmar com certeza, mas não é impossível. A Agência Militar mudou muito nos últimos seis meses, e há muitos detalhes que desconheço — disse Gu Mosheng.

— O que sabe sobre o “Treinamento de Linli” da Agência Militar? — perguntou Duomen Jirou.

Gu Mosheng ficou sem palavras, sem saber como responder.