Capítulo Sessenta e Nove: Observando de Braços Cruzados
— Oh!
Ao vê-los, Zuo Xiaoyao, bastante surpresa, deixou escapar um murmúrio involuntário; ao mesmo tempo, um brilho de alegria surgiu rapidamente em seu rosto.
Ao seu lado, Zhuge Jinyu, que percebeu casualmente aquela reação, ficou intrigado: — O que foi, Xiaoyao, também encontrou conhecidos?
Quando ia responder, lembrando-se de sua verdadeira aparência, identidade e do nível de cultivo que mostrava aos outros, Zuo Xiaoyao logo balançou a cabeça: — Vi uma pessoa que achei se parecer com um velho amigo a quem ajudei, mas agora, mais de perto, percebo que não era ele.
Zhuge Jinyu sorriu e assentiu, sem dar muita importância. Se acreditava ou não, guardou para si. Afinal, a relação entre eles não era tão íntima a ponto de revelarem tudo, então, naturalmente, não tinha o direito de insistir.
O enorme caldeirão, com mais de nove metros de altura, já estava quase todo desenterrado; ainda havia um dos pés, como uma coluna, inclinado dentro do deserto. Os presentes, ao notar a chegada do grupo de Zhuge Jinyu, cessaram imediatamente as discussões e passaram a observar com desconfiança. Pela aura emanada por todos ali, via-se que não eram pessoas comuns; ainda que de diferentes tons de pele, havia cultivadores como Zuo Xiaoyao e estrangeiros de cabelos dourados e olhos azuis portando “bengalas”.
Havia também pessoas envoltas em mantos negros largos, deixando apenas os olhos visíveis, semelhantes aos árabes, embora com diferenças nos trajes e costumes. Os primeiros exploradores que descobriram o caldeirão, uns quinze ao todo, já tinham sido mandados embora.
Não era de se admirar que Zhuge Jinyu mantivesse uma postura cautelosa, ainda que um pouco despreocupada. Tendo vindo de tão longe, de G, já estavam em desvantagem. Havia forças demais interessadas no objeto; um descuido e poderiam acabar em maus lençóis.
Três ou quatro anos haviam se passado, mas Qin Xiao, tal como Luo Hongtian, ainda vestia-se de maneira casual, com seu tradicional traje preto. Por trás dele, Qin Lian parecia muito mais madura do que antes, não tanto em aparência, mas em temperamento. Estava notavelmente mais centrada, e seu cultivo já atingira o auge do estágio de coleta de energia.
Percebendo o significado nos olhares lançados ao seu grupo, Zhuge Jinyu acenou discretamente para os conhecidos e declarou com tranquilidade:
— Continuem, por favor. Eu e os amigos apenas passávamos por aqui, vimos a movimentação e viemos dar uma olhada. Não iremos atrapalhar!
Um velho, aparentemente líder entre os estrangeiros de cabelos dourados e olhos azuis, respondeu em inglês:
— Vocês, chineses, são sempre astutos e não cumprem a palavra. Não acreditamos em vocês!
— Hmph! E vocês, estrangeiros, são tão confiáveis assim? Não me faça rir! De qualquer forma, nós, chineses, prezamos pelo autoconhecimento. Esse caldeirão claramente nos pertence, não adianta nada vocês tentarem se apoderar dele! — rebateu imediatamente um cultivador de meia-idade, do grupo de Luo Hongtian, já no estágio de fundação.
Ficava claro que, assim como os cultivadores de G, outros também se esforçaram para aprender idiomas estrangeiros, conforme exigiam as missões. O comportamento da maioria revelava que os cultivadores modernos não deixavam de acompanhar os tempos.
— Este é o nosso território. Aparecendo aqui, este objeto é um presente divino aos nossos povos. Ele nos pertence por direito. Vocês são invasores e deveriam ir embora! — bradou, num idioma árabe, um dos encapuzados, cheio de autoridade. Infelizmente, Zuo Xiaoyao não compreendia a língua; só percebeu o tom agressivo de suas palavras.
Ajustando os óculos, Qin Xiao respondeu friamente:
— Não sabemos por que motivo este objeto foi deixado aqui, mas pertence aos nossos ancestrais. Cabe a nós herdá-lo, e isso é inegável. Não convém prolongar a questão; sugiro que recuperemos o caldeirão o quanto antes.
A fala de Qin Xiao conquistou imediatamente o apoio dos cultivadores, que rapidamente passaram da discórdia à ação conjunta. Evidente que, alertados pela chegada de Zhuge Jinyu e seu grupo, ninguém queria mais perder tempo, pois se mais gente chegasse, a vantagem inicial se esvairia. Afinal, além de terem recebido a notícia rapidamente, estavam também mais próximos do local. Se perdessem essa vantagem, seria difícil recuperá-la, visto o número de interessados no suposto artefato ancestral.
Quando Zuo Xiaoyao finalmente pôde observar o caldeirão de perto, uma dúvida fulgurou em seu olhar. Aquele caldeirão, ainda encravado no solo, lhe trazia uma estranha sensação de familiaridade. O vigor sombrio e imponente que emanava era notável. O corpo negro parecia envolto por uma grande escultura de dragão, cujas linhas lembravam as descrições das lendas chinesas, embora a cabeça estivesse voltada para baixo. Dali, onde estava, não era possível ver o caldeirão inteiro.
Com os olhos fixos no caldeirão, Zhuge Jinyu, que dizia estar apenas de passagem, exibia um olhar ardente, semelhante ao dos outros cultivadores. Contudo, ele era mais racional. Apesar da excitação, não demonstrava pressa em se apoderar do artefato — ao contrário dos demais, que mal podiam esperar para guardá-lo e fugir. Ele sabia, tão bem quanto Zuo Xiaoyao, que, pela aura que emanava, mesmo que conseguisse o caldeirão, não teria como usá-lo, apenas observá-lo, e poderia atrair grandes problemas.
Enquanto Zuo Xiaoyao se inquietava com a sensação de familiaridade, os presentes, sem dizer palavra, entraram em confronto. Era um tumulto. Recuando sob as ordens de Zhuge Jinyu, Zuo Xiaoyao observava, com brilho nos olhos, a exibição de múltiplas técnicas mágicas. Era uma rara oportunidade de ver, de perto, praticantes de diferentes escolas do mundo demonstrando seus poderes — até então, ela só ouvira falar dessas técnicas em relatos do mundo dos cultivadores.
Os feiticeiros, capazes de lançar magias quase instantaneamente, causaram grandes problemas para os adversários, que só conseguiam invocar escudos de proteção rapidamente. Os estrangeiros de cabelos dourados e olhos azuis, que dependiam de longos cânticos e das “bengalas” para lançar magias, não conseguiam acompanhar. Alguns, entretanto, transformavam-se em grandes lobos, enquanto outros, empunhando longas espadas, fendiam o ar com uma força impressionante, bloqueando a maior parte dos ataques dos cultivadores.
Em pouco tempo, o combate tomou intensidade; os cultivadores, inicialmente em vantagem, logo foram contidos pela cooperação dos outros grupos. Vários tentaram recolher o caldeirão, mas todos sem sucesso.
Quando Zhuge Jinyu e seu grupo deram sinais de que realmente apenas observavam, um dos cultivadores, já no estágio avançado de fundação, que antes os olhara como se fossem ladrões, não conteve a irritação e gritou:
— Isto é um assunto de grande importância para o nosso mundo dos cultivadores! Como pode, companheiro, manter-se alheio? Ou pretende colher os frutos da disputa sem se envolver?
Ps: agradeço ao apoio de Jin Mo! Talvez eu não tenha chance de usar o computador amanhã, mas vou tentar atualizar mais capítulos!