Capítulo Oitenta e Oito: A Terceira Opção

Cultivando na Vida Moderna Yun Xi Shao 2508 palavras 2026-02-07 12:37:34

— Ah!

Ao perceber que sua percepção espiritual, ao varrer o canto noroeste da caverna, foi subitamente repelida como se tivesse colidido contra uma barreira, Zuo Xiaoyao deixou escapar um leve suspiro involuntário. O motivo de ter percorrido pessoalmente a caverna antes de liberar seu sentido espiritual era justamente o receio de esbarrar novamente em algo com o qual não podia lidar, como ocorrera tragicamente com o misterioso caldeirão negro que invadira seu corpo. Desde então, diante do desconhecido, sentia sempre o impulso de se esquivar, de evitar provocar o que não compreendia.

Felizmente, seu sentido espiritual foi apenas levemente repelido, sem sofrer dano. Embora o susto do imprevisto tenha abalado Zuo Xiaoyao, ela pôde se tranquilizar um pouco. O sentido espiritual era algo insubstituível; mesmo que, após ser consumido, pudesse ser recuperado através do cultivo, se fosse danificado, jamais se regeneraria. Ainda que o aprimoramento de sua base aumentasse sua força espiritual, a parte danificada nunca seria restaurada.

Após vasculhar cuidadosamente o restante da caverna com seu sentido espiritual, Zuo Xiaoyao confirmou que apenas o canto noroeste apresentava tal anomalia invisível. Hesitante, decidiu, por fim, aproximar-se para investigar o que havia ali. Estava convencida de que a esfera redonda estava relacionada àquela estranheza na caverna.

O caldeirão negro, agora livre das energias malignas, repousava silencioso em seu dantian. Contudo, tanto a esfera quanto o poder das plantas haviam desaparecido sem deixar vestígios. Zuo Xiaoyao tinha certeza de que ambos haviam deixado seu corpo, mas, ao usar sua visão interior, podia ver com clareza que nem no seu dantian, nem em seu mar espiritual, restava sinal da esfera ou daquela energia vegetal.

E isso nem era tudo. Havia muitas outras dúvidas: desde que sentiu restabelecida sua ligação com os Tesouros Sagrados de Zizun, sequer teve tempo de inspecioná-los e não sabia a situação em que se encontravam. Por que perdera contato com eles, mesmo após terem reconhecido-a como mestra? Para tentar recuperar a força espiritual, arriscara-se a tomar raros elixires de alto valor, mas nunca soube para onde aquela energia foi. Embora agora tivesse restaurado a força espiritual de um cultivador no estágio intermediário da base, não sentia qualquer desconforto, ainda que o poder daqueles elixires fosse, teoricamente, excessivo para seu nível atual.

Ela também precisava responder a um grande mistério: aquela esfera misteriosa que podia fundir-se diretamente em seu corpo e aquela barreira invisível no canto noroeste da caverna, que repelira seu sentido espiritual, eram indícios claros de que tais coisas eram obras de cultivadores. Mas, segundo tudo o que Zuo Xiaoyao apurara, neste mundo jamais houvera qualquer registro sobre cultivadores. Embora os magos deste mundo aparentemente cultivassem a força espiritual de modo peculiar, a distância para o verdadeiro caminho do cultivo era imensa.

Ao chegar àquele ponto anômalo, ela se postou diante de uma parede de pedra no canto noroeste da caverna. Seus olhos brilharam com uma luz verde ao ativar a Visão da Sabedoria, direcionando-a para a parede. A cena que se revelou fez seu semblante tornar-se ainda mais sombrio.

Vida! Morte!

Duas portas de pedra, cada uma com um único ideograma entalhado!

Os traços vigorosos das inscrições estavam profundamente gravados nas portas, despertando em Zuo Xiaoyao um misto de temor e reverência, uma vontade inconsciente de recuar, de se sentir inferior. Contudo, após ter sobrevivido, quase com todos os ossos esmagados e meridianos rompidos na base do precipício, não era alguém que recuaria facilmente. A adversidade havia fortalecido sua determinação. Sabendo que ali poderia haver informações sobre a esfera, ou pistas sobre outros cultivadores, ela não desistiria.

Tendo iniciado o caminho do cultivo, "vida e morte são ditadas pelo destino" já não era um lema que se aplicava a ela. Injetou um pouco de força espiritual na camada invisível que cobria as portas; a ilusão que quase se desfazia sumiu, e as portas da Vida e da Morte surgiram claramente diante de Zuo Xiaoyao.

Era impossível prever que obstáculos enfrentaria ao abrir qualquer uma das portas. Nos relatos dos exploradores do mundo moderno do cultivo, era comum que, antes de conquistar um tesouro, tivessem de superar barreiras e armadilhas quase intransponíveis. Zuo Xiaoyao não duvidava de que, se quisesse adentrar, teria de se empenhar. Mas o que se escondia atrás das portas da Vida e da Morte? Não havia como saber.

Diante das portas, baixou a cabeça, pensou por um instante e, ao erguer novamente o olhar, seus olhos mostravam determinação: ela já havia decidido.

Após conjurar um escudo de força espiritual ao redor de si e retirar o Véu de Fuga, Zuo Xiaoyao preparou-se. Então, com ambas as mãos, golpeou ao mesmo tempo as portas de pedra marcadas com "Vida" e "Morte".

Não escolheu nem a vida, nem a morte. Como se abrisse uma porta qualquer, decidiu liberar sua força espiritual sobre ambas as portas ao mesmo tempo. Esta era uma das muitas possibilidades que ponderara e, enfim, apostara tudo. Apesar de ter treinado por um bom tempo, sua vivência no mundo dos cultivadores era curta; além dos conhecimentos de alquimia transmitidos pela Senhora de Vestes Púrpuras, pouco sabia sobre outras artes, como talismãs, forja ou matrizes. Era, de fato, ignorante nesses campos.

Assim, qualquer escolha, exceto recuar, poderia levá-la ao desespero total. Se tudo era um jogo de sorte, por que não arriscar essa alternativa ousada? O desfecho seria incerto de qualquer modo.

O golpe, sem contenção, foi forte o suficiente: as portas da Vida e da Morte se abriram de imediato. Surgiu, então, um diagrama dos Cinco Elementos, reluzindo nas cores azul, vermelho, amarelo, branco e dourado. E, enquanto isso, a vigilante Zuo Xiaoyao desapareceu do local.

Sentiu-se, em um piscar de olhos, transportada para um mundo enevoado, com sua percepção espiritual restringida a apenas três metros ao redor. Zuo Xiaoyao se alarmou, mas reagiu imediatamente, reforçando sua mente e invocando o Anel de Fogo Verde, que quase fora destruído por Songyuan, para proteger-se.

Nesse momento, uma voz fria e clara ecoou em seu ouvido:

— Ha... ha, entre a vida e a morte, ainda existe uma terceira escolha. Pena que são raros os que optam por ela!

Mesmo sorrindo, a voz transmitia uma solidão evidente. Sem saber ao certo o que significava, tampouco quem era a dona daquela voz, Zuo Xiaoyao sentia-se inquieta, respondendo com extremo respeito:

— Júnior Zuo Xiaoyao, invadiu inadvertidamente este local. Se incomodei o sênior, peço perdão!

— Não precisa se preocupar, menina. Se não fosse o destino, como poderia ter chegado até aqui... Os Tesouros Sagrados de Zizun? Como eles vieram parar em suas mãos? Quem é você?

Como se tivesse acabado de perceber algo, a mulher de voz fria e distante demonstrou súbita surpresa, sua entonação carregada de incredulidade.

Sentindo-se sondada por um poder cuja majestade lembrava a energia das plantas que antes habitava seu mar espiritual, Zuo Xiaoyao, mesmo percebendo que não havia hostilidade, não conseguiu evitar um temor profundo. Diante daquela pressão colossal, sentiu-se minúscula, como um inseto diante de um dragão.

Surpresa com a indagação, Zuo Xiaoyao demorou a reagir. Felizmente, a mulher não insistiu na pergunta, como se entendesse o impacto que um gesto tão casual poderia causar, concedendo-lhe um tempo para se recompor.

Após reunir toda sua coragem e estabilizar o espírito, Zuo Xiaoyao finalmente respondeu:

— Respondendo ao sênior, estes objetos são herança ancestral da minha família. Nenhum antepassado jamais soube o que eram, e só em minhas mãos, por acaso, descobri que se tratavam dos Tesouros Sagrados de Zizun.

ps: Agradeço aos leitores 101122084131097, wsdjn, e Proclamação Nebulosa pelo apoio. Preciso pedir desculpas mais uma vez; hoje estive ocupado do início ao fim do dia e só consegui publicar este capítulo. Amanhã me esforçarei ao máximo!