Capítulo 101: «Livro» só quando o precisas é que te arrependes de não o teres!
Este é um salão subterrâneo ainda maior do que o que ela encontrara sob o Penhasco dos Ventos e Trovões. Não havia sequer um fio de luz e, ao adentrar, Xiaoyao Zuo não sentiu qualquer incômodo. Sua primeira impressão foi a de que a energia espiritual ali era extraordinariamente densa!
Atrás dela, encontrava-se a passagem que conduzia ao “fundo do lago”. A oscilação de energia espiritual do outro lado era idêntica; quase no instante em que Xiaoyao Zuo aparentemente usou sua energia para romper a barreira semelhante a uma restrição sob o fundo do lago, entrou ali sem obstáculos, e a energia espiritual se restabeleceu completamente como se nada tivesse acontecido.
“Ping... gota... ping...”
Ao ouvir o som de água gotejando ao seu lado, Xiaoyao Zuo direcionou sua percepção espiritual para a esquerda, na direção de uma vasta floresta de estalactites diante de si, e percebeu que o som vinha de uma estalactite encostada à parede da caverna atrás dela, a menos de um metro de onde estava. Sob a pedra, havia uma piscina de água leitosa, semelhante à água sagrada do “lago sagrado” do outro lado da parede, mas o vapor acima era claramente mais denso do que o do lago.
Ela percebeu que esta piscina não era larga, mas retangular. Xiaoyao Zuo estava precisamente em sua extremidade superior. Sua percepção espiritual varreu a parede da caverna atrás e o teto de sete metros de altura, sem detectar qualquer fonte de água. A água leitosa parecia brotar magicamente da parede, e em poucos segundos, uma gota considerável se formava. Essa descoberta a deixou profundamente surpresa.
Este espaço parecia estar sob o fundo do “lago sagrado”, mas a água leitosa que brotava aqui fluía muito mais rápido do que no lago onde o “santo” aparecera. No entanto, a porta atrás dela indicava que este espaço talvez não estivesse realmente sob o lago.
Afinal, seguindo a lógica, se ela realmente estivesse no fundo do lago, deveria ter caído de cima para baixo, e não simplesmente atravessado uma porta para aparecer do outro lado da parede. Ao perceber isso, Xiaoyao Zuo hesitou.
Um espaço alternativo?
Ao imaginar que este lugar poderia ser um espaço semelhante ao Reino Ziyuan que possuía, Xiaoyao Zuo percebeu que esta situação era muito mais complexa do que imaginara. Não bastava apenas encontrar a direção certa neste vasto salão para seguir os rastros do “velho conhecido” que estivera ali nove anos antes. Os vestígios deixados por ele poderiam ser diferentes.
O fato de ter chegado ali tão facilmente sugeria que o espaço não tinha um proprietário. Existiam certos espaços especiais neste mundo; Xiaoyao Zuo só ouvira falar deles em lendas do antigo mundo da cultivação, não se sabia ao certo se eram reais. Diziam que, naquela época, cultivadores poderosos, capazes de destruir montanhas ou fender a terra com um gesto, gostavam de transformar esses espaços em artefatos portáteis, criando residências móveis ou jardins para plantas espirituais raras.
Seguindo ao longo do retangular lago, Xiaoyao Zuo ainda não conseguia encontrar a origem da água leitosa na parede da caverna ao lado. Pelo caminho, viu vários pontos de gotejamento.
O lago era longo. Nas bordas, havia muitas estalactites de variados tamanhos e formas. Ela quis seguir ao longo do lago para ter uma direção definida, evitando perder-se na floresta de estalactites, mas a realidade mostrou-se contrária. Mesmo com sua percepção espiritual, Xiaoyao Zuo foi gradualmente engolida pela floresta, desviando-se cada vez mais do lago.
Entre as densas e variadas estalactites do solo, ela nem podia voar pelo alto, pois não apenas algumas estalactites eram altas e tocavam o teto, mas também pendiam do teto outras de formas diversas, não deixando espaço suficiente para uma passagem livre. Envoltas na energia espiritual densa, aquelas estalactites — já testadas pela própria Xiaoyao Zuo — eram difíceis de enfrentar; ela sabia que, com seu poder atual, não poderia vencê-las.
Sinceramente, se não estivesse perdida nesse espaço desconhecido, as estalactites de múltiplas cores — branco leitoso, vermelho claro, amarelo pálido, castanho avermelhado ou mesmo misturas de tons formando padrões fantásticos — seriam belíssimas. Com luz, no mundo moderno, poderiam ser uma atração natural de fama internacional.
Infelizmente, Xiaoyao Zuo não tinha ânimo para apreciar a paisagem. A caverna era um labirinto natural. Sem desistir, ela caminhou por quase três dias seguidos entre as estalactites, e concluiu, com base em sua experiência, que estava presa em um labirinto, mesmo sem entender nada de técnicas de formação.
“Na hora de usar o conhecimento, lamenta-se por não tê-lo!”
Desde que chegara ao outro mundo, Xiaoyao Zuo frequentemente se lamentava assim. Como cultivadora sem tempo para se dedicar ao estudo, sempre enfrentava situações inesperadas. A falta de “cultura” era frustrante e, em qualquer momento, poderia pôr sua vida em risco.
Apesar da frustração, ao retornar ao mundo da cultivação, ela se decidiu: além de estudar artefatos e talismãs, precisaria se dedicar às técnicas de formação. Não esperava ser uma especialista em todas as áreas, mas ao menos queria escapar da condição de “novata”. Naturalmente, nunca deixaria de lado a alquimia.
Pensar era fácil, mas a realidade era dura. Não havia como evitar ou escapar. Sabendo que precisava se esforçar ainda mais, Xiaoyao Zuo adotou a maneira mais primitiva: a cada poucos passos, marcava uma estalactite próxima; nos cruzamentos, deixava sinais ainda mais claros. Assim, toda vez que voltava ao mesmo lugar de aparência e distribuição semelhante, percebia rapidamente que estava repetindo o percurso.
Do início, resignada e relutante, passou a irritada e paciente, até finalmente alcançar uma calma serena. Sem saber quanto tempo passara vagando pelo labirinto, Xiaoyao Zuo teve sua mente profundamente aprimorada. Durante esse tempo, nunca se rendeu, nunca tentou escapar para o Reino Ziyuan, nem se arrependeu de ter entrado ali impulsivamente.
Tudo na vida é questão de destino, e o caminho da cultivação valoriza o “destino” inexplicável. Xiaoyao Zuo acreditava que só chegara ali porque era seu destino. Estava convencida de que, com esforço incansável, conseguiria sair dali, mesmo sem saber o que a aguardava. Para alguém sem domínio das técnicas de formação, encontrar uma saída naquele imenso salão de estalactites invisível aos olhos exigia uma vontade extraordinária e perseverança!
Quanto mais lugares percorria, mais tranquila ficava. Mesmo tendo percebido, repetidas vezes, a luz de uma saída ou a presença do lago através de sua percepção espiritual, a barreira de estalactites impedia que passasse diretamente. Assim, apenas caminhava cada vez mais longe, sentindo a enorme distância entre o possível e o real, fortalecendo ainda mais sua determinação, que nunca vacilou!
Sem saber quanto tempo passou, ela praticamente explorou todo o vasto salão de estalactites, atravessando também diversos pequenos lagos cristalinos. Todos tinham estalactites e eram menores, mas, em comparação, eram quase metade maiores que o “lago sagrado”. A água era comum; além do lago retangular, Xiaoyao Zuo não encontrou água leitosa em outros lugares.
“Essência de leite espiritual de um milhão de anos!”
Ao observar diante de si uma gigantesca “construção” formada por estalactites de todos os tipos, erguendo-se como um muro, percebeu que no centro havia um pequeno lago natural, onde fluía um líquido branco quase viscoso, exalando um aroma suave e refrescante. Xiaoyao Zuo estava curiosa, quando ouviu uma voz feminina, cheia de alegria, soar em seus ouvidos!
ps:
ps: Segundo capítulo publicado!