Capítulo Setenta e Oito: Indiferença diante da morte
Entraram juntos no pavilhão do barco, equipado com assentos, que na verdade era parte da cabine. Sentaram-se à mesa, e após uma animada apresentação de sua amiga e dos quatro irmãos, Zheng Ning logo se dirigiu ao irmão mais velho:
— Irmão, Xiao Yao também vai para a Floresta de Karo. Ele está sozinho, e o caminho será perigoso. Já o convidei para viajar conosco, tudo bem? Afinal, estamos indo para o mesmo lugar.
Zheng Wen, o mais velho da família Zheng, robusto e de barba cerrada, que lhe dava um ar ainda mais jovial, lançou um olhar para Zheng Ning e depois voltou-se para Xiao Yao, examinando-a com atenção. Ela parecia ter a mesma idade que Zheng Ning, era magra e delicada, com uma aura serena. Seu semblante calmo, sob o olhar atento de Zheng Wen, mostrava tranquilidade, mas ele duvidava que ela tivesse forças para enfrentar perigos e chegar à Floresta de Karo.
Apesar disso, Zheng Wen não tinha uma má impressão dela. Com um tom mais sério, disse:
— O destino nos reúne, não há problema em viajarmos juntos. Mas, Xiao Yao, você talvez nunca tenha se afastado tanto de sua terra natal e não conhece as particularidades de outras regiões. Vou lhe explicar algumas coisas para que esteja preparada, não ache que sou prolixo.
Surpreso com a atenção do robusto irmão mais velho, Xiao Yao sorriu e respondeu:
— Por favor, irmão Zheng, me ensine!
— Não é bem ensinar, mas veja: quem vive sempre em Cazhou pode estar acostumado à tranquilidade. Porém, ao atravessar o rio Lonin e entrar em outras regiões, verá diferenças enormes. Em Cazhou, raramente se ouve falar de assaltos nas estradas. Mas em outras regiões, principalmente nas mais isoladas, isso é comum. Especialmente em Loshan, a região mais próxima da Floresta de Karo, quem não domina artes marciais não se atreve a viajar sozinho. Passaremos por Mengzhou, que não é tão perigosa quanto Loshan, mas ainda assim, a decisão de ir só à Floresta de Karo é arriscada. Sua família não lhe impediu?
Zheng Wen falava com pesar, claramente achando que Xiao Yao subestimava os perigos, assim como Zheng Ning, pois não percebia nela nenhum traço de quem dominasse artes marciais.
Neste mundo, Zheng Ning já era praticamente adulto, mas mantinha uma pureza e entusiasmo típicos de quem cresceu em ambiente familiar protetor. Apesar de acharem a decisão de Xiao Yao imprudente, os irmãos Zheng estavam dispostos a acolhê-la sem hesitação.
Xiao Yao balançou a cabeça e respondeu com sinceridade:
— Ninguém me impediu. Fiz essa escolha por necessidade, sem pensar muito nos outros aspectos. Ouvi dizer que o caminho até a Floresta de Karo é tranquilo, e que os bandidos atacam mais quem volta de lá do que quem vai.
O quarto irmão, mais magro e de aparência intelectual, suspirou:
— Isso era antigamente. Atacar quem retorna da Floresta de Karo era mais lucrativo, mas agora, com tantos conflitos no alto escalão, todas as regiões estão perigosas. Não fosse uma situação especial, nós também não sairíamos de casa para essa viagem.
Ao mencionarem o "alto escalão", o ambiente ficou mais tenso e ninguém quis aprofundar o assunto.
O grupo, então, não se deteve mais nesse tema. Zheng Ning já havia decidido levar Xiao Yao, e ela se mostrou uma companhia agradável e educada. Os irmãos Zheng logo a aceitaram sem reservas.
Sem que Xiao Yao precisasse perguntar, Zheng Ning explicou sobre sua família: eles eram de uma pequena família de nível médio em Caoyang, com um manual de artes marciais de poder razoável, chamado Punhos do Tigre. Ao todo, eram sete irmãos, todos com boa aptidão para as artes marciais, e por isso conhecidos como "Os Sete Tigres da Família Zheng". Xiao Yao já ouvira esse apelido enquanto passava por Caoyang, mas nunca deu importância; agora, surpreendia-se por conhecer pessoalmente os sete irmãos.
Quando Zheng Ning perguntou sobre sua origem, Xiao Yao hesitou brevemente, mas sorriu e respondeu:
— Plataforma de Zhengning.
Zheng Ning franziu a testa:
— Plataforma de Zhengning? Nunca ouvi falar, parece estranho.
— Cazhou é tão vasta, há muitos lugares que você não conhece!
— Verdade. Ah, já ouviu? O quinto príncipe do Reino de Fenglun assumiu o trono recentemente. Dizem que só conseguiu graças ao apoio da Santa!
Xiao Yao, mesmo brincando, falava a verdade. Zheng Ning, um pouco constrangido, coçou a cabeça e se aproximou, sussurrando.
Mas antes que pudesse responder, a cabeça de Zheng Ning foi afastada por uma mão grande, e uma voz alta soou:
— Por que esse comportamento de criança, sussurrando e fofocando? Fale alto ou não fale! Isso não é comportamento de homem.
O tom alto do irmão chamou atenção de todos ao redor. Zheng Ning, irritado, reclamou:
— Terceiro irmão, por que sempre bate na minha cabeça? Eu só estava falando baixo com Xiao Yao, qual o problema? Nem sempre se pode falar alto, não é?
Zheng Wen interrompeu:
— Chega, não há razão para discutir. Não importa se fala alto ou baixo, mas discutir sobre assuntos alheios não é correto. O que acontece em Fenglun não nos diz respeito. O importante é como vamos completar a missão. Sem o segundo e o quinto irmão, somos só cinco. Querer fazer isso é arriscado. No caminho, não deixem de praticar as artes marciais. Cada vez mais força é mais capital.
Zheng Ning, embora contrariado, obedeceu como os demais irmãos, mostrando o respeito que Zheng Wen inspirava.
Há quase um mês circulava o rumor de que o quinto príncipe de Fenglun só assumiu o trono graças à Santa, mas isso não causou tanto alvoroço quanto a aparição da Santa, um ano antes. Por envolver segredos da família real e poderes misteriosos, as conversas eram discretas, nunca públicas.
Este era um mundo que venerava poderes sobrenaturais. Como ninguém ousava comentar sobre magos em público, falar sobre a Santa era tabu, mesmo sem ser proibido oficialmente.
Cinco dias depois, o grupo seguia a cavalo e, ao se aproximar de um desfiladeiro entre Mengzhou e Loshan, ouviu de longe o barulho de uma intensa luta, com gritos de dor e insultos.
Zheng Ning, cheio de ímpeto, protestou:
— Irmão, por que parar? Alguém encontrou bandidos à frente, devíamos ajudar!
— Não. O barulho é tão grande que se ouve a dois quilômetros, sinal de que ambos os lados são poderosos. Se avançarmos sem cautela, pode ser perigoso. Quarto irmão, vá pela floresta e veja o que está acontecendo. Só depois decidimos.
Zheng Wen, conhecedor do caminho para a Floresta de Karo, respondeu com seriedade.
Durante os últimos dias, Xiao Yao soube que o quarto irmão, embora não tão talentoso nas artes marciais quanto os outros, era excelente em técnicas de movimento, conseguindo se mover rápido e se esconder na floresta. Nas duas ocasiões anteriores em que encontraram bandidos, ele sempre investigava antes, permitindo que passassem ilesos, sem que Xiao Yao precisasse usar sua percepção espiritual, que só alcançava pouco mais de cem metros.
Menos de quinze minutos depois, o quarto irmão voltou, montou e relatou com preocupação:
— Irmão, você acertou. A situação à frente é complicada. Parece que uns quarenta ou cinquenta bandidos atacam alguns viajantes, mas algo está errado. Os dois lados são habilidosos e há dois magos lutando. Os bandidos não são como os de sempre, são disciplinados e destemidos!
Zheng Wen ficou ainda mais sério. Sabia que magos só apareciam em situações muito específicas, e bandidos normalmente fugiam ao perceber adversários poderosos, raramente arriscando a vida em confrontos diretos — razão pela qual eram tão numerosos.
— Magos!
Murmurou, depois ergueu a cabeça resoluto:
— Deve ser uma questão pessoal, não devemos nos envolver. Vamos recuar e esperar a situação se acalmar antes de seguir.
Ao verem que todos iam dar meia-volta, Zheng Ning, ainda sem entender o perigo, protestou:
— Irmão, isso não pode! Quarenta contra poucos, esses bandidos são horríveis! Não podemos ignorar! Se vocês não vão, eu vou!
Antes que terminasse, Zheng Ning disparou à frente, deixando os irmãos sem tempo de impedir. Xiao Yao, vendo a cena, suspirou por dentro ante o entusiasmo ingênuo do rapaz, mas não teve escolha senão seguir, assim como os outros irmãos Zheng.
Afinal, Xiao Yao gostava do jovem, e não poderia simplesmente virar as costas diante do perigo.