Um, dois, um, o perseguidor (dezessete)
No estacionamento do bar "Cão Vermelho", o movimento de carros de passeio e motocicletas entrava e saía, criando uma atmosfera agitada e movimentada.
— Trazer os paparazzi para o bar "Cão Vermelho", realmente viemos ao lugar certo — comentou "Pino", descendo da viatura policial. Enquanto o carro de Lei Yan e do Comissário ainda não havia estacionado, ele se encostou no veículo, observando o letreiro de neon e as figuras típicas de fotógrafos que circulavam pelo local. Ele então se dirigiu a Hale: — Você sabe por que chamamos esses caras que invadem a privacidade das celebridades de "paparazzi" (cães)?
— Provavelmente é uma metáfora para o olfato apurado deles, conseguem farejar qualquer notícia — respondeu Hale, imaginando os drinques coloridos lá dentro e engolindo em seco. — Acho que não é muito apropriado. Já vi muitos cães que, por dependerem demais do olfato, não conseguem achar coisas que estão bem na frente do focinho. Têm olhos, mas não os usam, haha!
— Não acho que seja isso — disse "Pino", observando a multidão e rindo para Hale. — Esses repórteres parecem todos imundos, provavelmente por passarem muito tempo escondidos em lugares sujos. — "Pino" deu um risinho e continuou: — Os de cabelo comprido estão sempre oleosos, grudados; os carecas também não parecem limpos. E todos os homens têm sempre aquela barba por fazer. Como posso dizer... — "Pino" lançou um olhar para Lei Yan e o Comissário, que acabavam de sair do carro, e sorriu para Hale. — Sinto que isso não é uma metáfora. Eles não são como cães, eles são literalmente cães.
— Haha, essa foi uma crítica profunda — riu Hale. — Cuidado para não deixá-los ouvir, ou vão expor sua vida privada. — Dito isso, ele voltou a atenção para as ordens do Comissário e de Lei Yan.
— Esse sujeito está armado, é de extrema periculosidade — disse o Comissário enquanto ajustava o colete à prova de balas e passava outro para Lei Yan. — Vista isto. Independentemente de ele estar lá dentro ou não, vou chamar mais reforços. — O Comissário pegou o celular e, enquanto discava, completou: — Se ele estiver lá, a cooperação de Lei é bem-vinda, mas se ele resistir à prisão ou tentar fugir, devemos capturá-lo imediatamente. O ideal é que ninguém saia ferido.
— Hehe, está com medo de que seus homens se firam? — perguntou Lei Yan, sorrindo enquanto vestia o colete. Na verdade, ele queria dizer "Você tem tanto medo de se ferir?", mas, para poupar o orgulho do Comissário, conteve-se. Lei Yan sentia que, com os quinze ou dezesseis policiais presentes, o efetivo era suficiente.
— Ah, esta é uma metrópole, como qualquer outra grande cidade do mundo — o Comissário começou a dizer coisas estranhas. Após terminar a ligação, ele sorriu amargamente: — Aqui, ser ferido é mais terrível do que morrer.
— Hum? — Lei Yan, confuso, caminhou com o Comissário em direção ao carro da frente e não pôde deixar de perguntar: — O que isso significa?
— Acho melhor você não saber. Termine o caso e saia daqui ileso, não pense em coisas desagradáveis — o Comissário parou, deu dois tapinhas no ombro de Lei Yan e o advertiu com um sorriso. — Não é um grande segredo, mas, depois que você descobre, os sonhos sobre as grandes cidades se despedaçam, e você percebe que as pessoas aqui não são tão felizes quanto você imagina. — O Comissário abriu as mãos com um gesto de desdém, indicando que a ignorância era a melhor escolha.
Ninguém notou um sujeito de capacete, vestindo couro e montado em uma motocicleta, que os observava atrás de um jipe. Talvez por estarem confiantes com o número de policiais, não prestaram atenção ao motociclista, afinal, não era incomum ver motos ali.
No momento em que o Comissário gesticulava enquanto falava com Lei Yan, o sujeito subitamente sacou uma arma e disparou contra ele. "Pah! Pah!" — foram dois tiros, com a clara intenção de matá-lo.
Lei Yan, com reflexos rápidos, empurrou o Comissário e sacou sua arma para revidar. "Pino", Hale e os outros também abriram fogo.
Com o som dos tiros, a entrada do bar tornou-se um caos. As pessoas corriam para todos os lados, o que dificultou a mira dos policiais. Com medo de atingir civis, eles dispararam pouco, vendo o atirador fazer algumas manobras entre os carros e escapar.
— Você está bem? — Lei Yan, vendo o atirador fugir, agachou-se ao lado do Comissário, que estava caído no chão, segurando o braço e com uma expressão de dor.
— A bala atravessou, estou bem — disse o Comissário, sentando-se com a ajuda de Lei Yan e dos outros agentes. Apoiado na porta do carro, ele olhou para o ombro direito, que sangrava profusamente, e sorriu amargamente para Lei Yan: — Eu não deveria ter falado sobre ferimentos. Agora provavelmente terei azar.
— Lembro-me de que o atirador deu dois tiros, o primeiro claramente te acertou — disse Lei Yan, suspeitando que o Comissário tivesse sido atingido em um ponto vital e estivesse delirando. Enquanto falava, verificou as costas dele. Felizmente, a bala atingiu o colete; se tivesse subido apenas um centímetro, teria acertado o pescoço. Aliviado ao ver que o Comissário não estava gravemente ferido, Lei Yan pediu uma ambulância e disse sorrindo: — A bala ficou no colete, você está bem!
— Que falha nossa, deveríamos ter enviado dois homens antes para ver se Lei estava lá dentro — o Comissário pegou o lenço de um agente para pressionar o ferimento e suspirou. — Ou deveríamos ter chegado mais tarde. Que droga!
— Não diga isso — disse Teresa, aproximando-se para examinar o ferimento e tentando consolá-lo. — Se tivéssemos chegado mais tarde, ele poderia ter chegado ainda mais tarde.
— É verdade, chegar a qualquer hora é uma questão de sorte — comentou Hale, agachado por perto. — Certo, chefe? — perguntou, olhando para Lei Yan.
— Exato — concordou Lei Yan, olhando para o Comissário, que parecia extremamente desolado. — Se tivéssemos certeza de que ele estava aqui, não precisaríamos de reforços, bastaria prendê-lo. Imprevistos acontecem, ninguém poderia prever.
— Inspetor Lei, há algo em que preciso da sua ajuda — disse o Comissário. Por algum motivo, lágrimas brilhavam em seus olhos, e ele parecia lutar para não chorar. Um homem adulto parecia tão indefeso quanto uma criança que cometeu um erro grave.
— Diga, farei o que puder — disse Lei Yan, sentindo pena. Ele odiava ver mulheres chorarem, mas odiava ainda mais ver homens chorarem. Ele deu um tapinha no braço esquerdo do Comissário, sem entender por que a fuga do criminoso causava tanto sofrimento àquele homem.
O Comissário fez um gesto para que Lei Yan se aproximasse. Lei Yan inclinou a cabeça para ouvir o desabafo confidencial do Comissário.
— Você poderia pedir um favor a Sua Majestade? — sussurrou o Comissário. — Diga que meu trabalho no caso é eficiente e indispensável, e que não podem me substituir antes que eu termine? — Ele olhou para Lei Yan com os olhos marejados.
— Mas você já está ferido, por que não se recupera primeiro? — perguntou Lei Yan, confuso. Ele não conseguia compreender por que o Comissário estava tão apegado ao caso, a ponto de querer trabalhar mesmo ferido.
— É aí que mora o perigo — o Comissário ouviu a sirene da ambulância se aproximando e, sabendo que tinha pouco tempo, sussurrou apressado: — O tempo está acabando, não consigo explicar agora. Apenas me faça esse favor, e você terá salvado minha vida, me tirado do inferno. Minha família inteira lhe será grata. — Ele segurou a mão de Lei Yan enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. Os agentes ao redor observavam a cena, soltando suspiros de compaixão.